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Açúcar fecha maio sob pressão da oferta global, mas bolsas internacionais reagem com temor climático

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O mercado global de açúcar encerrou o mês de maio dividido entre dois movimentos distintos: de um lado, a pressão exercida pelo aumento da oferta mundial e pelos elevados volumes produzidos nas principais regiões exportadoras; de outro, a recuperação das cotações internacionais nos últimos pregões, impulsionada por incertezas climáticas que podem comprometer a produção em importantes países produtores.

Na última sessão de maio, as bolsas internacionais registraram valorização dos contratos futuros de açúcar, refletindo a crescente preocupação dos investidores com o clima na Índia e o monitoramento dos impactos do fenômeno El Niño sobre a safra mundial. Apesar da reação positiva, o balanço mensal permaneceu negativo diante da expectativa de ampla disponibilidade da commodity no mercado global.

Bolsas de Nova York e Londres encerram mês em recuperação

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos do açúcar bruto avançaram no fechamento da semana. O vencimento julho/2026 encerrou o pregão cotado a 14,06 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o contrato outubro/2026 fechou em 14,54 centavos. Já o vencimento março/2027 atingiu 15,40 centavos por libra-peso.

Em Londres, os contratos do açúcar branco também apresentaram ganhos. O contrato agosto/2026 foi negociado a US$ 438,20 por tonelada, enquanto os vencimentos outubro e dezembro de 2026 encerraram o dia em US$ 434,30 e US$ 434,40 por tonelada, respectivamente.

A recuperação foi impulsionada principalmente pela revisão das previsões de chuvas para a temporada de monções na Índia. A redução das expectativas de precipitações elevou as preocupações com possíveis impactos na produtividade da cana-de-açúcar e estimulou movimentos de recompra por parte dos investidores.

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Oferta global segue como principal fator de pressão

Apesar da recuperação observada no encerramento do mês, maio foi marcado por forte desvalorização no mercado internacional. Os contratos do açúcar bruto com vencimento em julho acumularem queda de 4,65% no período, passando de 14,61 centavos de dólar por libra-peso no final de abril para 13,93 centavos no fechamento de 28 de maio.

O principal fator de pressão sobre os preços foi a perspectiva de ampla oferta global. O mercado acompanhou o avanço da produção no Brasil, além de safras acima das expectativas na Tailândia e na China e melhores perspectivas produtivas na União Europeia.

No Centro-Sul brasileiro, a produção de açúcar registrou crescimento expressivo na segunda quinzena de abril. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apontaram aumento de 109,48% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 1,8 milhão de toneladas produzidas.

Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) revisou para cima sua projeção de excedente global na safra 2025/26, elevando a estimativa para 2,244 milhões de toneladas. Para a temporada 2026/27, a entidade prevê um déficit mais modesto de 262 mil toneladas, indicando um mercado ainda abastecido no curto prazo.

Petróleo também influenciou o desempenho do açúcar

Outro fator que impactou o mercado ao longo de maio foi a volatilidade dos preços do petróleo. A commodity energética recuou diante das expectativas de avanços diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Irã, cenário que poderia ampliar a oferta global de petróleo.

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A queda do petróleo reduz a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis, diminuindo os incentivos para que as usinas brasileiras direcionem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustível. Como consequência, aumenta o potencial de fabricação de açúcar, reforçando as expectativas de maior oferta da commodity.

Mercado interno segue pressionado pelo avanço da safra

Enquanto as bolsas internacionais reagiram aos riscos climáticos, o mercado físico brasileiro continuou enfrentando pressão devido ao avanço da safra 2026/27.

O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo Cepea/Esalq, encerrou o último pregão de maio com queda de 0,90%, registrando R$ 93,00 por saca de 50 quilos.

No acumulado do mês, a retração foi de 5,01%, refletindo o aumento da disponibilidade do produto no mercado doméstico e um ritmo ainda moderado das negociações.

Clima permanece no radar do mercado

Para os próximos meses, as atenções permanecem voltadas às condições climáticas nas principais regiões produtoras do mundo. Índia, Brasil e Tailândia seguem no centro das preocupações dos agentes do mercado, especialmente diante dos possíveis efeitos do El Niño sobre a produtividade agrícola.

Caso ocorram perdas relevantes nas lavouras dessas regiões, o atual cenário de abundância poderá ser parcialmente revertido, oferecendo sustentação às cotações internacionais. Por enquanto, no entanto, a combinação entre elevada oferta global e avanço da safra brasileira continua sendo o principal elemento determinante para a formação dos preços do açúcar.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de café do Brasil crescem em maio, mas acumulado da safra segue em queda

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As exportações brasileiras de café registraram crescimento de 3,6% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, sinalizando a entrada da nova safra no mercado. Apesar do avanço mensal, o desempenho acumulado da temporada 2025/26 ainda reflete uma oferta mais restrita, com queda nos embarques em relação ao ciclo anterior.

Dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o país exportou 3,089 milhões de sacas de 60 quilos em maio. No entanto, a receita cambial gerada pelos embarques recuou 16% no período, totalizando US$ 1,05 bilhão.

Safra menor impacta desempenho acumulado

No acumulado dos 11 primeiros meses do ano-safra 2025/26, entre julho de 2025 e maio de 2026, o Brasil exportou 35,373 milhões de sacas de café, volume 17,7% inferior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.

A receita obtida com as exportações alcançou US$ 13,612 bilhões, apresentando leve recuo de 0,7% na comparação anual.

Já entre janeiro e maio de 2026, os embarques somaram 14,745 milhões de sacas, queda de 12,4% frente às 16,825 milhões de sacas exportadas no mesmo período de 2025. As receitas geradas atingiram US$ 5,552 bilhões, redução de 14,6%.

Segundo o Cecafé, o comportamento do mercado está alinhado com o período de transição entre a entressafra e a entrada da nova produção brasileira.

Entrada dos cafés canéforas impulsiona embarques

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, destaca que a recuperação observada em maio está diretamente ligada à chegada dos primeiros volumes da safra 2026/27, especialmente dos cafés canéforas, grupo que engloba conilon e robusta.

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A expectativa é de que os embarques ganhem força nos próximos meses, acompanhando o avanço da colheita dos cafés arábica e o aumento da disponibilidade de produto.

O setor trabalha com perspectiva positiva para a nova temporada, impulsionada pelas boas condições climáticas registradas na maior parte das regiões produtoras e pelo potencial de uma safra volumosa e de qualidade.

Logística e cenário internacional seguem no radar

Apesar das perspectivas favoráveis para o aumento das exportações no segundo semestre, o setor acompanha fatores que podem limitar o desempenho dos embarques.

Entre os desafios apontados estão os gargalos logísticos nos portos brasileiros, as tensões geopolíticas internacionais e as incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos, um dos principais mercados consumidores de café.

Colheita avança, mas ritmo permanece abaixo da média

Levantamento da Safras & Mercado indica que a colheita da safra brasileira de café 2026/27 alcançou 30% da área até 10 de junho.

O avanço representa crescimento de sete pontos percentuais em relação à semana anterior, mas ainda permanece abaixo dos 35% registrados no mesmo período de 2025 e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 33%.

Conilon apresenta maior avanço nos trabalhos

A colheita dos cafés canéforas segue mais adiantada, com 43% da produção já colhida.

Mesmo assim, o ritmo continua abaixo do observado no ano passado e da média histórica para o período, ambos em 49%.

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No Espírito Santo, principal produtor nacional de conilon, apenas 39% da safra havia sido colhida até o início de junho. Segundo analistas do mercado, o atraso está relacionado à maturação mais lenta das lavouras nesta temporada.

Chuvas atrasam colheita do café arábica

A colheita do café arábica também avança em ritmo mais lento. Os trabalhos alcançaram 23% da produção, abaixo dos 26% registrados em igual período de 2025 e da média de 25% observada nos últimos cinco anos.

As chuvas frequentes têm dificultado a operação das máquinas e o andamento dos trabalhos em importantes regiões produtoras, especialmente no Sul de Minas Gerais, maior polo de produção de café arábica do país.

Apesar do atraso, as avaliações iniciais da safra são positivas. Técnicos do mercado destacam bom potencial produtivo e qualidade satisfatória dos grãos, especialmente em relação à formação e ao padrão das peneiras, fator importante para a valorização do produto no mercado.

Perspectiva é de aumento da oferta no segundo semestre

Com o avanço da colheita e a expectativa de uma das maiores safras dos últimos anos, o setor projeta crescimento da disponibilidade de café ao longo do segundo semestre.

Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis e a logística de exportação opere sem maiores restrições, o Brasil deverá ampliar sua presença no mercado internacional nos próximos meses, reforçando sua posição como maior exportador mundial de café.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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