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Açúcar oscila entre altas internacionais e queda interna: demanda fraca e teor sacarino menor influenciam o mercado

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Preço do açúcar no Brasil cai quase 20% em um ano, aponta Cepea

O preço do açúcar cristal branco no mercado interno brasileiro registrou forte retração em setembro. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o Indicador CEPEA/ESALQ do produto — cor Icumsa entre 130 e 180 — teve média de R$ 118,65 por saca de 50 kg, uma queda de 17,54% em relação ao mesmo mês de 2024, em valores reais (deflacionados pelo IGP-DI).

Desde o início da safra 2025/26, em abril, as médias mensais permanecem abaixo das registradas no ciclo anterior, com setembro apresentando a maior diferença negativa. Pesquisadores do Cepea atribuem essa retração à combinação entre menores cotações internacionais do açúcar demerara e demanda interna enfraquecida, com relatos de queda nas vendas de produtos derivados do açúcar no varejo.

Além disso, o aumento da produção de açúcar pelas usinas paulistas, em detrimento do etanol, ampliou a oferta doméstica e exerceu pressão adicional sobre os preços.

Cotações internacionais sobem com dados da Unica e apoio do petróleo

No cenário internacional, os contratos futuros do açúcar encerraram a primeira semana de outubro com valorização nas principais bolsas, impulsionados pelos dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) e pela alta do petróleo.

Em Nova York (ICE Futures US), o contrato de março/2026 subiu 34 pontos, cotado a 16,81 centavos de dólar por libra-peso (+2,07%), máxima em quase dois meses. O contrato de maio/2026 avançou para 16,31 cents/lb (+2%), enquanto o de julho/2026 fechou a 16,15 cents/lb (+1,96%).

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Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco também apresentou ganhos: o contrato de dezembro/2025 subiu US$ 6,90, cotado a US$ 464,40 por tonelada (+1,51%), e o de março/2026 aumentou US$ 8,60, para US$ 464,00 por tonelada (+1,89%).

De acordo com análise do portal Barchart, o avanço foi sustentado pela queda no teor de açúcar da cana moída no Centro-Sul do Brasil, que recuou para 154,58 kg/t na primeira quinzena de setembro, frente a 160,07 kg/t no mesmo período do ano anterior. A menor concentração sacarina indica redução no potencial de produção de açúcar.

Competição entre açúcar e etanol muda estratégias nas usinas

O cenário recente mostra que a vantagem do etanol frente ao açúcar vem influenciando decisões de produção nas usinas brasileiras, especialmente nos estados de Goiás e Mato Grosso.

Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da Unica, “a perda de competitividade do açúcar frente à fabricação do etanol estimula a mudança na alocação de produção, principalmente nas regiões afastadas do litoral”.

Esse movimento é potencializado pela valorização do petróleo, que torna o biocombustível mais atrativo e reduz a oferta global de açúcar, criando um ambiente de sustentação para os preços internacionais.

Mercado internacional volta a recuar após ganhos expressivos

Após as altas de segunda-feira, o mercado internacional do açúcar recuou na terça-feira (7). Em Nova York, o contrato de março/26 caiu para 16,58 cents/lb (-1,37%), enquanto o de maio/26 recuou para 16,10 cents/lb (-1,29%). Em Londres, o contrato de dezembro/25 foi cotado a US$ 459,00 por tonelada (-1,16%).

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Analistas explicam que o movimento de correção técnica foi influenciado pela fraqueza do petróleo, que voltou a oscilar em torno de US$ 65 por barril, e pelas expectativas positivas para as safras no Brasil, Índia e Tailândia.

Ainda assim, as recentes altas foram sustentadas pela demanda pontual do Paquistão e pelos dados mais fracos da safra brasileira, o que limita uma queda mais acentuada nos preços.

Etanol registra alta e ganha competitividade

No mercado interno, o etanol hidratado apresentou leve valorização. De acordo com o Indicador Diário Paulínia, o metro cúbico do biocombustível foi negociado a R$ 2.818,00 nas usinas, alta de 0,02%.

Os dados consolidados do Cepea indicam que, em setembro, o etanol hidratado teve média de R$ 2,7583 por litro, aumento de 3,25% em relação a agosto, enquanto o etanol anidro subiu 4,33%, cotado a R$ 3,0999 por litro. Na comparação anual, o hidratado valorizou 10% e o anidro, 7,32%, em valores reais.

Mesmo com o avanço nos preços, as negociações seguem limitadas, refletindo a demanda retraída no varejo e a atuação cautelosa dos compradores. Parte das usinas optou por permanecer fora do mercado spot, aguardando melhores oportunidades.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Protocolo Verde dos Grãos atinge 95% de conformidade e volume auditado de soja no Pará cresce mais de 600%

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O terceiro ciclo de auditorias do Protocolo Verde dos Grãos (PVG) confirma o avanço da governança socioambiental na cadeia da soja no Pará. Os resultados, divulgados pelo Ministério Público Federal (MPF) em parceria com o Imaflora, apontam que o volume de grãos rastreados alcançou 9,7 milhões de toneladas, representando crescimento superior a 600% em relação à primeira edição do programa.

O volume auditado refere-se às safras 2022/2023 e 2023/2024 e totaliza 9.770.450,56 toneladas, equivalente a 108% da produção estadual — percentual que supera 100% por incluir operações de revenda. O número consolida o PVG como uma das principais iniciativas de monitoramento da cadeia produtiva de grãos no país.

Crescimento contínuo e consolidação do programa

Desde sua criação, o Protocolo Verde dos Grãos apresenta expansão consistente. No primeiro ciclo de auditorias (safra 2017/2018), foram analisadas 1,5 milhão de toneladas. Já no segundo ciclo (safras 2018/2019 e 2019/2020), o volume subiu para 3,2 milhões de toneladas, evidenciando a rápida evolução da iniciativa.

O avanço reforça a eficácia dos acordos setoriais conduzidos pelo MPF, inspirados em modelos como o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne Legal, que também atua na promoção de boas práticas produtivas na Amazônia.

Conformidade socioambiental se mantém em nível elevado

Além do crescimento no volume auditado, o terceiro ciclo confirmou alto nível de conformidade socioambiental. Segundo o relatório, 95,39% das operações analisadas atenderam integralmente aos critérios do protocolo, enquanto apenas 4,61% apresentaram inconformidades.

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Os dados indicam amadurecimento da cadeia produtiva. No primeiro ciclo, a taxa de conformidade era de 80,36%, evoluindo para 96% no segundo ciclo e mantendo-se acima de nove em cada dez operações regulares desde então.

Esse desempenho demonstra o papel do PVG como indutor de boas práticas, contribuindo para alinhar a expansão agrícola à preservação ambiental e à proteção dos recursos naturais na Amazônia.

Adesão de empresas cresce e fortalece competitividade

O aumento da credibilidade do protocolo também se reflete na adesão das empresas. No terceiro ciclo, foram entregues 36 relatórios de auditoria, abrangendo 47% das 77 empresas signatárias ativas no período analisado.

O número representa o triplo das empresas auditadas no primeiro ciclo (12) e quase o dobro da segunda rodada (19 relatórios). Atualmente, o PVG reúne 95 empresas signatárias ativas, consolidando-se como referência para o setor.

O engajamento crescente indica que a certificação no protocolo deixou de ser apenas uma exigência de conformidade para se tornar um diferencial competitivo no mercado, especialmente em cadeias que demandam rastreabilidade e sustentabilidade.

Metodologia garante transparência ao mercado

A robustez da metodologia adotada também fortalece a confiabilidade dos resultados. Neste ciclo, a auditoria avaliou uma amostra equivalente a 35% do volume comercializado, totalizando 3.444.405,92 toneladas.

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Desse total, 3.285.547,18 toneladas foram consideradas regulares, atendendo aos critérios ambientais e sociais estabelecidos pelo protocolo.

A transparência do processo contribui para ampliar a segurança dos compradores e reforça a credibilidade da soja produzida no Pará nos mercados nacional e internacional.

Evento reúne setor para debater avanços e desafios

A apresentação dos resultados ocorreu em Belém (PA), durante evento que reuniu representantes do setor produtivo, organizações da sociedade civil e instituições públicas.

A programação incluiu exposição técnica dos dados das auditorias e debates sobre os desafios e perspectivas para o monitoramento da cadeia da soja. Participaram entidades como Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, ABIOVE, ANEC, Unigrãos e Instituto Centro de Vida.

Responsável pela análise técnica e condução das auditorias, o Imaflora também organizou o encontro em parceria com o MPF, reforçando seu papel na promoção da transparência e no aprimoramento contínuo das práticas socioambientais no agronegócio.

Perspectivas para a cadeia da soja

Os resultados do terceiro ciclo indicam que o Protocolo Verde dos Grãos se consolida como um instrumento estratégico para o desenvolvimento sustentável da produção de soja na Amazônia.

Com alta adesão, níveis elevados de conformidade e expansão contínua da rastreabilidade, a iniciativa fortalece a imagem do agronegócio brasileiro e amplia sua competitividade em mercados que exigem cada vez mais responsabilidade socioambiental.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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