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Açúcar recua nas bolsas internacionais em meio a safra apertada no Brasil e recorde nos EUA

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O mercado internacional de açúcar encerrou a semana em baixa, pressionado por expectativas mistas: enquanto o Brasil enfrenta previsão de produção menor, os Estados Unidos projetam safra recorde. A dificuldade de sustentar o patamar de 17 centavos de dólar por libra-peso em Nova York reforça a volatilidade do setor.

Queda nas cotações internacionais

Nesta quinta-feira (14), os contratos futuros de açúcar interromperam a sequência de altas e recuaram nas bolsas internacionais. Na ICE Futures, em Nova York, o contrato de outubro/25 caiu 27 pontos, para 16,58 centavos de dólar por libra-peso, e o de março/26 recuou 25 pontos, para 17,28 centavos. Já na ICE Europe, em Londres, apenas o contrato de outubro/25 avançou, fechando a US$ 489,40 por tonelada, enquanto o de dezembro/25 recuou para US$ 478,50.

Nesta sexta-feira (15), o movimento de queda continuou: em Londres, o outubro/25 foi negociado a US$ 478,70 (-2,19%), e, em Nova York, o outubro/25 fechou a 16,40 cents/lbp (-1,09%) e o março/26 a 17,11 cents/lbp (-0,98%).

Fundamentos frágeis para altas consistentes

Segundo Marcelo Filho, analista de mercado da StoneX, o açúcar ainda carece de fundamentos sólidos para romper e sustentar o nível dos 17 cents/lbp em Nova York. “O mercado testou esse patamar no início da semana, mas não conseguiu se manter. Hoje a queda é mais forte, mas ainda não robusta”, explicou.

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O relatório Commitment of Traders (COT) também mostrou aumento expressivo nas posições vendidas líquidas por fundos em Nova York, que cresceram 25.923 contratos na última semana, alcançando 151.004 — o maior volume desde 2019. Esse movimento reforça o viés de pressão sobre os preços.

Cenário global: Índia e EUA influenciam oferta

No cenário internacional, a expectativa é que a Índia retome exportações na safra 2025/26, que começa em outubro, após chuvas acima da média. A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia planeja liberar até 2 milhões de toneladas para o mercado externo.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura (USDA) projeta produção recorde de 9,42 milhões de toneladas curtas na safra 2025/26, impulsionada pelo aumento na produção de açúcar de beterraba (5,26 milhões de toneladas) e de cana (4,16 milhões de toneladas). A estimativa amplia a perspectiva de uma oferta global mais folgada.

Brasil enfrenta perdas na safra de cana

No Brasil, a safra 2025/26 de cana-de-açúcar sofre os impactos de incêndios, seca e geadas, resultando em queda nas toneladas de cana por hectare (TCH) e nos açúcares totais recuperáveis (ATR). A SCA Brasil estima retração de 5,4% no volume de cana na região Centro-Sul, principal polo produtor, o que pode apertar a oferta de açúcar e etanol.

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Dados da UNICA mostram que, na primeira quinzena de julho, a produção somou 3,4 milhões de toneladas, alta de 15% sobre o mesmo período de 2024, com aumento na destinação da cana para açúcar (de 50% para 54%).

Etanol ganha espaço no mix de produção

Com a oferta limitada de cana e a valorização do real, a produção de etanol, especialmente o de milho, tende a ganhar relevância. De acordo com Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, o etanol de milho deve representar 27% da produção do biocombustível, enquanto 50,1% da cana será destinada ao açúcar.

O Indicador Diário Paulínia registrou alta de 0,33% no etanol hidratado, com o metro cúbico negociado a R$ 2.761,50 nas usinas. Já o açúcar cristal, segundo o Cepea/Esalq, caiu 0,17%, sendo negociado a R$ 119,65 a saca de 50 kg.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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