AGRONEGÓCIO
Agricultores poderão receber até R$ 28 mil por preservar floresta
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Agricultores familiares que preservam áreas de vegetação nativa na Amazônia Legal poderão receber pagamentos que variam de R$ 1,5 mil a R$ 28 mil pelos serviços ambientais prestados. O benefício faz parte da Modalidade Conservação do Projeto Floresta+ Amazônia, cujo edital já está aberto e aceita inscrições até 31 de dezembro deste ano.
O programa é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e apoio da Agência Brasileira de Cooperação. A iniciativa prevê investimentos de até US$ 96 milhões (cerca de R$ 522 milhões) até 2028, por meio de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). A chamada é válida para imóveis nos nove estados da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Podem participar agricultores familiares com imóveis de até quatro módulos fiscais, além de povos e comunidades tradicionais — indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quilombolas. Entre os requisitos estão: inscrição ativa no Cadastro Ambiental Rural (CAR), inexistência de desmatamento após 22 de julho de 2008 (com tolerância de até 6,25 hectares) e manutenção de percentual mínimo de vegetação nativa, que varia de 20% a 50% conforme o bioma.
O valor pago depende do estágio de regularização do CAR. Em Mato Grosso, por exemplo, já são cerca de 100 inscritos, segundo informações da Secretaria de Agricultura Familiar do estado. Para os organizadores, a medida reconhece o papel de quem preserva e garante renda extra a pequenos produtores, fortalecendo a agricultura familiar e estimulando a conservação ambiental.
As inscrições devem ser feitas pelo site oficial do Floresta+ Amazônia, acessando o edital “Chamada Pública PSA – Agricultores Familiares”. Os interessados precisam ter conta no Gov.br, preencher os formulários solicitados e enviar os dados para análise da equipe técnica. Outras informações aqui.
Fonte: Pensar Agro
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Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel
O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.
A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.
Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.
A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.
No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.
A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.
“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.
A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.
O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.
A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.
O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.
Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.
Fonte: Pensar Agro
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