AGRONEGÓCIO
Agrishow apresenta tecnologias que impulsionam a sustentabilidade no agronegócio
AGRONEGÓCIO
Tecnologias ganham destaque na Agrishow 2026
A Agrishow, considerada a principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, chega à sua 31ª edição destacando soluções inovadoras que ajudam o produtor rural a tornar a produção mais eficiente e sustentável.
Diante de um cenário global cada vez mais exigente em relação às práticas ambientais, empresas expositoras apresentam máquinas, equipamentos e sistemas capazes de aumentar a precisão das operações no campo, reduzir desperdícios e melhorar a gestão das propriedades rurais.
Essas soluções incluem ferramentas que permitem maior controle dos processos produtivos e uso mais racional de recursos naturais, como água, energia e insumos agrícolas.
Máquinas e equipamentos ajudam a otimizar o uso de recursos
De acordo com Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a tecnologia tem papel estratégico no avanço da sustentabilidade no campo.
Segundo ele, o maquinário agrícola moderno contribui diretamente para uma produção mais eficiente.
Entre os benefícios estão:
- uso mais racional de água e energia
- maior controle das operações agrícolas
- processos produtivos mais compatíveis com exigências ambientais e comerciais
Esse conjunto de tecnologias permite ao produtor trabalhar com mais precisão e eficiência, reduzindo perdas e melhorando o desempenho das lavouras.
Drones e agricultura de precisão ampliam controle das operações
Entre as tecnologias apresentadas durante a feira estão sistemas que permitem configurar parâmetros técnicos detalhados para operações no campo.
Um exemplo são as pulverizações realizadas com drones, que utilizam sensores e softwares capazes de analisar variáveis como:
- velocidade do vento
- temperatura
- umidade do ar
- taxa de aplicação do produto
Ao final das operações, os sistemas geram relatórios técnicos que indicam se todas as condições planejadas foram cumpridas, ampliando o nível de controle e a rastreabilidade das atividades agrícolas.
Inteligência Artificial e dados digitais transformam a gestão agrícola
A digitalização das propriedades rurais também ganha espaço entre as inovações apresentadas na Agrishow.
Entre as tecnologias em destaque estão:
- Inteligência Artificial preditiva, capaz de antecipar riscos na produção
- modelos digitais de lavoura, que simulam diferentes cenários produtivos
- análise avançada de dados geoespaciais
- monitoramento por satélites de alta resolução
- sistemas automatizados de rastreabilidade e comprovação de origem
Segundo João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow, essas ferramentas ajudam o produtor a organizar informações e tomar decisões com maior segurança, especialmente diante das exigências do mercado internacional.
Regras ambientais globais ampliam demanda por rastreabilidade
O avanço dessas tecnologias também está relacionado às mudanças no cenário regulatório internacional.
Dados do DataLab da Serasa Experian mostram que a regulamentação ligada à agenda ambiental, social e de governança (ESG) cresceu 155% na última década, com mais de 2.400 normas atualmente em vigor.
Entre as novas regras que já impactam o agronegócio está o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que exige comprovação de origem e rastreabilidade para produtos agropecuários exportados para a União Europeia.
Nesse contexto, ferramentas tecnológicas tornam-se fundamentais para garantir transparência e conformidade nas cadeias produtivas.
Agrishow também adota práticas de responsabilidade social e ambiental
Além de apresentar tecnologias voltadas à sustentabilidade no campo, a própria organização da Agrishow adota iniciativas alinhadas a práticas de responsabilidade social e ambiental.
Entre as ações desenvolvidas estão projetos de apoio a instituições de Ribeirão Preto (SP), como:
- Casa das Mangueiras
- Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC)
- Hemocentro da cidade
O evento também promove a inclusão no mercado de trabalho, contratando profissionais com deficiência (PCD) e colaboradores com mais de 50 e 60 anos para atuar durante a realização da feira.
Reciclagem de resíduos e incentivo à economia local
No pilar ambiental, a feira mantém parceria com a cooperativa Cooperagir, responsável pelo reaproveitamento de mais de 50 toneladas de resíduos recicláveis a cada edição, gerando renda para famílias da região.
Outras iniciativas incluem:
- doação de alimentos não comercializados nas praças de alimentação
- apoio a pequenos empreendedores locais nas áreas de food trucks
- incentivo à economia regional
Segundo Liliane Bortoluci, diretora da Informa Markets, organizadora da Agrishow, o evento busca ampliar continuamente suas ações ligadas à agenda ESG.
Ingressos para a Agrishow 2026 já estão à venda
Os ingressos para a Agrishow 2026 começaram a ser vendidos em 26 de janeiro pelo site oficial do evento.
No primeiro lote, o valor é de R$ 75 por dia, com opção de meia-entrada a partir de R$ 37,50. No momento da compra, o visitante deve escolher o dia da visitação.
Também é possível adquirir antecipadamente:
- ticket de estacionamento a partir de R$ 75
- pacote de estacionamento VIP para os cinco dias por R$ 580
No segundo lote, o ingresso passa a custar R$ 85 por dia.
Durante a realização da feira, entre 27 de abril e 1º de maio de 2026, das 8h às 18h, o valor da entrada na bilheteria será de R$ 150.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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