AGRONEGÓCIO
Alta do diesel encarece frete em até 7% e pressiona logística do agronegócio
AGRONEGÓCIO
Diesel mais caro eleva custos do transporte de grãos
O aumento recente nos preços do diesel já reflete diretamente no custo do frete rodoviário no Brasil, especialmente no agronegócio. Com a valorização do combustível, os reajustes nos valores de transporte chegam a até 7%, dependendo do tipo de operação.
A atualização ocorre após a variação do diesel ultrapassar o limite previsto em lei, o que aciona automaticamente a revisão da tabela de fretes pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Rotas longas concentram os maiores aumentos
Os impactos mais significativos são observados em trajetos de longa distância, principalmente no escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste em direção aos portos das regiões Sul e Sudeste.
Levantamentos do Esalq-Log indicam que as rotas que operavam próximas ao piso mínimo de frete foram as mais afetadas.
Além disso, operações que utilizam o chamado “frete de retorno” — quando caminhões levam grãos aos portos e retornam com insumos como fertilizantes — também registram aumento relevante nos custos, sobretudo em trajetos entre Mato Grosso e os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).
Fretes sobem nas principais rotas do país
Na primeira metade de março, os preços do frete apresentaram elevação nas principais rotas de escoamento. O transporte de Sorriso (MT) para Paranaguá (PR) alcançou R$ 389 por tonelada, avanço de 2,91% em relação ao mês anterior.
Já no trajeto de Sorriso (MT) até Santos (SP), o aumento foi de 1,76% no mesmo período.
Quando comparado ao ano passado, o avanço é ainda mais expressivo:
- Sorriso (MT) – Paranaguá (PR): alta de 21,9%
- Sorriso (MT) – Santos (SP): aumento de 7,47%
A tendência, segundo analistas do setor, ainda é de pressão altista no curto prazo.
Petróleo em alta impulsiona preço do diesel
A valorização do diesel está diretamente ligada ao cenário internacional. O conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, após interrupções em rotas estratégicas de transporte, como o Estreito de Ormuz, responsável por uma parcela significativa do fluxo global da commodity.
Com isso, o barril do Brent saltou de cerca de US$ 75 para níveis acima de US$ 110 em poucas semanas.
No mercado interno, o reflexo foi imediato. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o diesel acumulou alta de 11,84% recentemente, chegando próximo de R$ 6,80 por litro.
Reajuste da tabela de frete segue legislação
A Lei nº 13.703/2018 determina que a tabela de fretes deve ser revisada sempre que o preço do diesel apresentar variação superior a 5%. Com a recente escalada, a ANTT promoveu novos ajustes.
Os reajustes atuais variam, em média, entre 4,82% e 7%, com maior impacto em operações de longa distância e no transporte de commodities agrícolas.
Custos mais altos desaceleram negociações
O aumento do frete já começa a influenciar o comportamento do mercado. Com custos logísticos mais elevados, produtores e empresas têm adotado uma postura mais cautelosa, adiando negociações e embarques.
Análises do setor indicam que os fretes tiveram avanço médio recente, acompanhando a alta do diesel, enquanto o ritmo de exportações apresentou desaceleração em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outras regiões também enfrentam pressão nos fretes
Além do Centro-Oeste, outras regiões produtoras registram aumento nos custos de transporte. Áreas como Bahia, Matopiba (Maranhão, Tocantins e Piauí) e Rio Grande do Sul apresentam maior demanda por frete devido ao avanço da colheita, o que contribui para a valorização dos preços.
Esse movimento mistura fatores estruturais — como o aumento do diesel — com a pressão sazonal típica do período.
Mato Grosso registra alta expressiva no diesel
Mesmo após o pico de escoamento da safra, Mato Grosso segue enfrentando forte elevação nos custos de combustível. Produtores têm relatado aumentos significativos no diesel adquirido em grandes volumes por meio de distribuidores regionais.
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) chegou a acionar órgãos de defesa do consumidor diante de aumentos considerados abruptos.
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o diesel S500 nesse mercado apresentou valorização de 28% em poucos dias, alcançando cerca de R$ 7,47 por litro.
Perspectivas: custos seguem atrelados ao cenário externo
O comportamento dos fretes no Brasil deve continuar diretamente influenciado pelo mercado internacional de energia. Caso persistam as tensões no Oriente Médio e restrições no fluxo de petróleo, a tendência é de manutenção da pressão sobre o diesel.
Com isso, o custo logístico do agronegócio segue elevado, trazendo desafios adicionais para o escoamento da produção e a competitividade das exportações brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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