AGRONEGÓCIO
Alta do petróleo impulsiona preços e movimenta o mercado brasileiro de soja
AGRONEGÓCIO
Após uma semana de pouca movimentação e foco dos produtores no plantio, o mercado brasileiro de soja reagiu fortemente nesta quinta-feira (24). O motivo foi a disparada do petróleo, que impactou o complexo soja e estimulou novas negociações no mercado físico nacional.
De acordo com Rafael Silveira, analista e consultor da Safras & Mercado, “a forte alta do petróleo movimentou os preços no complexo soja, e o produtor brasileiro aproveitou o momento para negociar”.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos de soja encerraram o dia em alta, impulsionados pela valorização do óleo de soja. Esse movimento foi reflexo direto da alta do petróleo, após Donald Trump anunciar sanções ao petróleo russo. A medida deve afetar países como China e Índia, grandes compradores da matéria-prima russa, que precisarão buscar novos fornecedores para evitar a exclusão do sistema bancário ocidental SWIFT, penalidade prevista para quem mantiver importações da Rússia.
Tensão geopolítica e câmbio favorecem o real
As sanções têm como objetivo cortar uma das principais fontes de financiamento da Rússia e restringir sua capacidade de sustentar o conflito contra a Ucrânia.
Paralelamente, o dólar recuou frente ao real, influenciado pelo aumento do fluxo de capitais estrangeiros no Brasil. “A elevada liquidez global impulsionou a busca por moedas de economias emergentes, e o real foi uma das mais beneficiadas”, explica Silveira.
Segundo o consultor, o cenário internacional ainda é incerto, com dúvidas sobre a trajetória do dólar e as políticas econômicas adotadas pelo governo norte-americano.
Negociações internas ganham ritmo com prêmios mais altos
No mercado físico brasileiro, o avanço dos preços em Chicago estimulou a retomada das negociações.
“Mesmo com a desvalorização do dólar, a elevação dos prêmios para outubro e novembro deu o suporte necessário para impulsionar a comercialização ao longo do dia”, destaca o analista da Safras & Mercado.
Para a safra nova, no entanto, os negócios seguem lentos. Os prêmios futuros mostraram pouca variação, com valores entre US$ 1,60 e US$ 1,75 por bushel para novembro/25, e US$ 1,50 a US$ 1,70 por bushel para dezembro/25, nos portos de referência.
ABIOVE prevê safra recorde e exportações históricas em 2026
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) divulgou nova projeção para o balanço de oferta e demanda do complexo da soja em 2026, com números recordes.
A produção nacional está estimada em 178,5 milhões de toneladas, e o esmagamento deve atingir 60,5 milhões de toneladas. O farelo de soja deve alcançar 46,6 milhões de toneladas, enquanto o óleo de soja chegará a 12,1 milhões de toneladas.
Nas exportações, as projeções indicam novo recorde, com 111 milhões de toneladas de grãos embarcados. O farelo de soja deve registrar 24,6 milhões de toneladas exportadas, e o óleo de soja, 1 milhão de toneladas, o que representa queda de 25,9% em relação ao ciclo anterior.
Já as importações de óleo devem subir para 125 mil toneladas, e as de soja totalizar 500 mil toneladas, destinadas a complementar o abastecimento interno.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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