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Alta nos preços da ureia é impulsionada por oferta global restrita, demanda forte e incertezas geopolíticas

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Oferta global reduzida sustenta preços internacionais

O mercado internacional de fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia, enfrenta um momento de oferta limitada. De acordo com o relatório semanal da StoneX, esse cenário tem mantido os preços elevados em todo o mundo.

Um dos principais fatores para esse desequilíbrio é a demanda aquecida da Índia, que recentemente abriu uma licitação para a importação de até 2 milhões de toneladas de ureia. Esse volume significativo tem gerado expectativa entre investidores e compradores, que aguardam definições sobre os preços negociados para melhor compreender o comportamento do mercado.

Estados Unidos enfrentam impacto de tarifas e tensões com a Rússia

Nos Estados Unidos, o cenário também é de restrição de oferta. As tarifas impostas durante o governo Trump reduziram a atratividade das importações de fertilizantes, o que limitou o volume disponível no mercado norte-americano.

Além disso, o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, destaca que novas ameaças de sanções à Rússia aumentaram a preocupação entre compradores. A Rússia é uma das principais fornecedoras de ureia aos EUA e, diante da possibilidade de restrições, os norte-americanos teriam que buscar outros fornecedores, o que poderia elevar ainda mais os custos de importação.

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Mercado brasileiro reflete impacto do cenário internacional

O Brasil também está sendo diretamente impactado por esse ambiente global desafiador. Segundo Pernías, as compras nacionais de ureia não têm se destacado, mas a restrição nas exportações chinesas do fertilizante tem contribuído para manter os preços elevados no mercado interno.

Outro ponto de atenção é a possibilidade de que sanções dos EUA contra a Rússia afetem países que compram fertilizantes russos, como o Brasil. Essa incerteza gera cautela entre os importadores e pressiona os custos.

Alta de 29% nos portos brasileiros entre janeiro e julho

Entre os primeiros dias de janeiro e o final de julho de 2025, os preços da ureia nos portos brasileiros registraram alta de aproximadamente 29%, de acordo com dados da StoneX.

Esse aumento expressivo reflete os fundamentos apertados do mercado internacional e impacta diretamente os custos de produção da safra 2025/26, trazendo desafios adicionais para os agricultores brasileiros no planejamento e na viabilidade econômica das lavouras.

A combinação entre oferta global restrita, forte demanda, barreiras comerciais e incertezas geopolíticas tem pressionado os preços da ureia em diversos mercados. No Brasil, esse cenário reforça o alerta para os custos de produção da próxima safra e exige atenção redobrada por parte dos produtores e importadores diante da instabilidade no fornecimento e nos preços do insumo.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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