AGRONEGÓCIO
ApexBrasil aponta mercados alternativos para produtos da Região Sudeste impactados por tarifas dos EUA
AGRONEGÓCIO
Sudeste é a região mais afetada pelo tarifaço norte-americano
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou em 3 de setembro o estudo “Diversificação de Mercados por Estados Brasileiros”, que analisa os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos exportados por cada Unidade da Federação. A pesquisa faz parte do esforço da agência para apoiar empresas afetadas e apresentar alternativas de mercado para produtos com forte dependência do mercado americano.
Em 2024, os EUA foram o segundo maior destino das exportações brasileiras, com cerca de US$ 40 bilhões, correspondendo a 12% da pauta exportadora do país. A Região Sudeste concentrou 71% dessas vendas, sendo a mais impactada pelo aumento das tarifas. Entre os estados mais expostos estão Espírito Santo (28,6%) e São Paulo (19,1%).
ApexBrasil oferece caminhos para diversificação
Segundo Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, o estudo é uma das ações da agência para mitigar os efeitos do tarifaço:
“Estamos mapeando, estado por estado, os mercados mais dependentes das exportações para os Estados Unidos, para compreender quais cadeias produtivas estão mais expostas. A partir desse diagnóstico, atuaremos para inserir esses produtos em novos mercados, diversificando destinos e reduzindo riscos para as empresas brasileiras. Esse trabalho é paralelo às negociações com Washington, em articulação com o Governo Federal, para minimizar impactos imediatos das tarifas.”
O gerente regional da ApexBrasil, Igor Celeste, destaca que o Sudeste precisa acelerar a diversificação:
“O Sudeste é a região mais exposta às tarifas norte-americanas, respondendo por mais de 70% das exportações brasileiras para os EUA. Estados como Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo terão de intensificar sua estratégia de diversificação, e o estudo indica destinos alternativos para produtos com forte dependência do mercado americano.”
Produtos como café, minério de ferro, petróleo e aeronaves apresentam oportunidades em mercados da Europa, Ásia e América Latina, abrindo espaço para reduzir riscos e ampliar destinos comerciais.
Oportunidades por estado do Sudeste
Espírito Santo (ES)
Em 2024, os EUA foram o principal destino das exportações do Espírito Santo, com 28,6% do total exportado, equivalentes a US$ 3,1 bilhões. Entre os principais produtos estão semimanufaturados de ligas de aço, mármore e travertino trabalhados, além de pedras de cantaria. O estudo da ApexBrasil aponta oportunidades para oito produtos do estado em mercados como Alemanha, França, Canadá, Índia e Japão.
São Paulo (SP)
O estado paulista teve 19,1% das exportações destinadas aos EUA, totalizando US$ 13,6 bilhões. Produtos como sebo bovino fundido, aviões a turbojato de 7 a 15 toneladas e unidades de máquinas automáticas para processamento de dados têm forte dependência do mercado norte-americano, com até 98,8% das exportações para os EUA. O estudo identificou 20 produtos com potencial para novos mercados, incluindo Espanha, França, Argentina, Colômbia, Canadá e México.
Minas Gerais (MG)
Para Minas Gerais, os EUA foram o segundo destino das exportações, com 11% do total, atrás da China (36,6%). O comércio com os americanos movimentou US$ 4,6 bilhões em 2024. Produtos como turboreatores de empuxo acima de 25kN, aviões pesados e obras com magnesita, dolomita ou cromita tiveram mais de 90% das exportações direcionadas aos EUA. O levantamento da ApexBrasil indicou 13 produtos com alternativas em Holanda, Alemanha, Espanha, Tailândia, Japão, Colômbia e Equador.
Rio de Janeiro (RJ)
O Rio de Janeiro destinou 16,2% de suas exportações para os EUA, totalizando US$ 7,4 bilhões. Produtos como outras gasolinas, preparações alimentícias bovinas e semimanufaturados de ligas de aço tiveram quase toda a produção direcionada aos americanos. O estudo identificou seis produtos com potencial de diversificação, principalmente para Alemanha, França, Paraguai, Colômbia, Canadá e México.
Metodologia do estudo
O levantamento da ApexBrasil avaliou 195 produtos brasileiros com potencial impacto das tarifas, considerando o peso das exportações para os EUA por estado. Com base no Mapa de Oportunidades, a agência classifica os mercados em perfis: Abertura, Consolidação, Manutenção e Recuperação.
Segundo Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil:
“O objetivo é fornecer subsídios práticos para empresas e gestores públicos, apoiando decisões de diversificação e reduzindo riscos em um cenário internacional de maior instabilidade comercial.”
O estudo completo já está disponível gratuitamente no site da ApexBrasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Agronegócio lidera crescimento da economia com alta de 2,8% no segundo trimestre
A agropecuária voltou a ocupar o centro do crescimento da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (1º.09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor avançou 2,8% entre abril e junho, mais de cinco vezes a alta de 0,5% registrada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do País no mesmo período.
O desempenho foi o melhor entre os três grandes setores da economia. Enquanto a agropecuária cresceu 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, os serviços avançaram 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.
A diferença também aparece na comparação com o mesmo período do ano passado. A economia brasileira cresceu 2% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a agropecuária avançou 6,8%. Indústria e serviços cresceram 1,5% cada.
Segundo o IBGE, o resultado do campo foi favorecido pelo desempenho da pecuária e por culturas que registraram aumento da produção e ganhos de produtividade. Entre os produtos agrícolas com peso relevante no período, a estimativa para a soja aumentou 5,3% em relação a 2025 e a do café avançou 15,1%.
Nem todas as culturas acompanharam o movimento. A produção de arroz apresentou queda de 11,3% e a de algodão recuou 6,7%, enquanto o milho permaneceu praticamente estável.
Essas variações das lavouras, porém, não podem ser comparadas diretamente com os 2,8% de crescimento trimestral da agropecuária. O IBGE explica que não dispõe de séries com ajuste sazonal para cada cultura, o que impede determinar exatamente quanto soja, café ou qualquer outro produto contribuiu para o avanço entre o primeiro e o segundo trimestre.
O resultado divulgado nesta terça-feira ganha relevância também pelo comportamento do restante da economia. O crescimento do PIB perdeu velocidade em relação aos primeiros três meses do ano, quando havia avançado 1,1%. No segundo trimestre, indústria e serviços praticamente ficaram de lado, enquanto o consumo das famílias recuou.
Na indústria, a alta de apenas 0,1% foi garantida principalmente pelas atividades extrativas, que cresceram 3,4%, favorecidas pelo aumento da produção de petróleo e gás. A indústria de transformação caiu 0,4%, mesma retração registrada pela construção. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1%.
Os serviços, responsáveis pela maior parcela da economia brasileira, avançaram 0,2%. Informação e comunicação cresceu 2,1% e transporte, armazenagem e correio, atividade diretamente ligada ao escoamento da produção agropecuária, aumentou 1,1%. As atividades imobiliárias avançaram 0,2%, enquanto comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.
Pelo lado da demanda, também houve sinais de perda de força da economia. O consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, apesar do aumento da massa salarial real e da disponibilidade de crédito. O consumo do governo avançou 0,4%.
Os investimentos apresentaram resultado melhor, com crescimento de 1,2%. Já no comércio exterior, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8% no trimestre, enquanto as importações aumentaram 1,8%.
O desempenho da agropecuária também aparece nos números acumulados do ano. No primeiro semestre, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. O campo avançou 3,6%, praticamente o dobro da economia como um todo e acima dos serviços, com alta de 1,8%, e da indústria, com 1,6%.
A comparação com 2025 mostra ainda uma mudança importante na dinâmica trimestral do setor. No segundo trimestre do ano passado, a agropecuária havia recuado 0,1% frente aos três primeiros meses. Agora, no mesmo tipo de comparação, registra expansão de 2,8%.
O crescimento ocorre depois de um 2025 excepcional para o campo. No ano passado, a agropecuária avançou 11,7%, resultado que teve peso importante para o crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. A base elevada torna o avanço de 6,8% registrado no segundo trimestre deste ano ainda mais relevante.
Nos quatro trimestres encerrados em junho, a agropecuária acumula crescimento de 6,2%. É novamente o melhor resultado entre os grandes setores: os serviços avançam 1,7% e a indústria, 1,4%. A economia brasileira acumula alta de 1,9% nesse intervalo.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam também uma diferença importante entre o desempenho da produção e o ambiente financeiro enfrentado pelo produtor. O crescimento ocorre em um período ainda marcado por juros elevados, crédito mais caro e pressão sobre as margens de algumas atividades.
Mesmo nesse cenário, o campo inicia a segunda metade de 2026 crescendo acima do restante da economia. O PIB perdeu velocidade entre o primeiro e o segundo trimestre, mas a agropecuária seguiu na direção contrária e apresentou a maior expansão entre os principais setores produtivos do País.
Fonte: Pensar Agro
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