RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Arco Norte dobra movimento em quatro anos e consolida papel estratégico

Publicados

AGRONEGÓCIO

Dados do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que o volume de adubos e fertilizantes que desembarcaram pelos portos do Arco Norte entre janeiro e outubro de 2025 alcançou 7,01 milhões de toneladas — um crescimento de 98% em relação às 3,54 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2021.

O avanço expressivo reflete não apenas a crescente relevância da rota Norte para o agronegócio, mas também um movimento estratégico de uso intensificado do frete de retorno, na medida em que navios que exportam grãos, sobretudo milho e soja, retornam carregados de insumos para as lavouras.

Apesar dessa expansão, o porto de Porto de Paranaguá, no Paraná, continuou como a principal porta de entrada de fertilizantes no país: entre janeiro e outubro de 2025, de um total nacional de 38,35 milhões de toneladas importadas, Paranaguá recebeu 9,45 milhões — cerca de 24,6% do volume.

Ainda assim, a participação relativa do Arco Norte cresceu de forma significativa: há quatro anos, a região ocupava a terceira posição entre os principais corredores de insumos; hoje subiu para a segunda. Esse reposicionamento logístico reforça a importância crescente da região Norte e Nordeste, cada vez mais próxima às áreas agrícolas em expansão.

O fluxo de exportações de grãos reforça a lógica por trás da reconfiguração logística. No período de janeiro a outubro de 2025, os portos do Norte embarcaram 37,38 milhões de toneladas de soja — o que representa 37,2% das 100,6 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no período. Entre os terminais, o Porto de Itaqui (MA) liderou com 14,7 milhões, seguido por Porto de Barcarena (PA), com 9,17 milhões.

Leia Também:  Sistema FAEP alerta para impactos econômicos e sociais caso tilápia seja classificada como espécie invasora

No Sul e Sudeste, os portos de Porto de Santos, Paranaguá e Porto do Rio Grande movimentaram 32,31 milhões, 12,88 milhões e 7,48 milhões de toneladas, respectivamente. Quanto ao milho, o Arco Norte concentrou 41,3% dos embarques nacionais, com Barcarena sendo o porto mais ativo (4,68 milhões de toneladas), seguido por Itaqui (2,26 milhões). O Brasil como um todo também exportou pelo Sul: Santos concentrou 33,3% dos embarques, e Paranaguá respondeu por 11,6%.

Essa sobreposição entre rotas de escoamento de grãos e entradas de fertilizantes amplia a eficiência logística e contribui para reduzir custos nas cadeias produtivas. A proximidade entre origem agrícola e corredores de importação torna o Arco Norte uma alternativa cada vez mais competitiva frente aos portos do Sul do país.

No entanto, nem só de crescimento vive o mercado: o Boletim Logístico aponta que os preços de frete para transporte de produtos agrícolas recuaram em outubro, comparados a setembro, refletindo a menor demanda típica do fim da safra 2024/25. Mas quando se compara com o mesmo período de 2024, as tarifas de frete continuam mais elevadas — consequência da demanda firme por milho, estímulo à exportação e ao consumo interno, especialmente para ração animal e produção de biocombustíveis.

Leia Também:  Mercado da soja: estabilidade no Brasil e ajustes em Chicago antes do relatório do USDA

Esse duplo movimento — expansão de fertilizantes via Arco Norte e persistência de custos de transporte elevados — evidencia a necessidade de o setor acompanhar de perto a logística de insumos e insumos. A consolidação da rota Norte como corredor de fertilizantes pode reduzir o custo logístico e aumentar a eficiência das lavouras, mas depende de fluxo contínuo de navios de carga, estrutura portuária e integração com as regiões agrícolas.

Para o agronegócio brasileiro, os dados mais recentes da Conab indicam que o mapa logístico está se redesenhando: o Arco Norte avança como pilar estratégico para importação de fertilizantes e exportação de grãos, reduzindo a dependência histórica do Sul. Esse movimento pode trazer ganhos de competitividade, mas coloca sobre o setor o desafio de garantir infraestrutura, rotas estáveis e políticas de apoio à logística para preservar a eficiência alcançada.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

Publicados

em

Por

Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

Leia Também:  Sistema FAEP alerta para impactos econômicos e sociais caso tilápia seja classificada como espécie invasora

A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

Leia Também:  MBRF finaliza aquisição de 50% da Gelprime por R$ 312,5 milhões

Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA