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Arrendamento de terras por usinas de cana intensifica concentração fundiária em São Paulo, aponta estudo da Unesp

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Expansão das usinas e nova dinâmica da posse da terra

A estrutura fundiária do estado de São Paulo está passando por uma transformação silenciosa. Segundo um estudo do professor José Giacomo Baccarin, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado na revista científica Land Use Policy, o arrendamento de terras por empresas do setor sucroalcooleiro tem promovido uma forte concentração no uso da terra no estado — mesmo que a propriedade formal ainda permaneça dispersa.

Desde os anos 1990, as usinas deixaram de comprar terras para alugá-las de pequenos e médios produtores, um modelo que se mostrou mais ágil e financeiramente viável. O movimento também reflete uma tendência de abandono gradual da atividade agrícola por parte dos proprietários, que passam a viver nas cidades e usar o aluguel como fonte de renda.

Cana-de-açúcar impulsiona o arrendamento e redefine fronteiras agrícolas

A cana-de-açúcar é o principal motor dessa concentração. Por ser um cultivo que precisa ser processado rapidamente após a colheita, as usinas mantêm um raio logístico máximo de 50 quilômetros para reduzir custos e evitar perdas.

Essa limitação levou à formação de cinturões produtivos ao redor das usinas, com disputa intensa por áreas próximas. Assim, a expansão do setor ocorre sem abrir novas fronteiras agrícolas, mas sim pela integração de pequenas propriedades sob o controle de grandes grupos industriais.

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De acordo com Baccarin, 60% da cana moída em São Paulo é cultivada pelas próprias usinas, enquanto os fornecedores independentes respondem por 40%. O estado concentra 54% da safra brasileira de cana, 62% da produção de açúcar e 49% da produção de etanol, consolidando-se como líder mundial na cadeia sucroenergética.

Mecanização da colheita acelerou a concentração de terras

A adoção da colheita mecanizada entre 2007 e 2017, impulsionada pelo Protocolo Agroambiental do Setor Energético da Cana-de-Açúcar de São Paulo, intensificou a concentração fundiária. O acordo, que buscava eliminar a queima da palha e modernizar o manejo, aumentou os custos operacionais e o tamanho mínimo viável das lavouras, inviabilizando a permanência de pequenos fornecedores.

Enquanto 84% das usinas aderiram à mecanização, apenas 36% dos produtores independentes conseguiram acompanhar o ritmo de investimentos em maquinário e tecnologia.

“Uma única colhedora é capaz de processar centenas de milhares de toneladas por safra, o que torna inviável operar em pequenas áreas”, explica Baccarin. “Quem tem 200 hectares, por exemplo, não consegue justificar o custo de um equipamento próprio.”

Do campo para a cidade: nova realidade dos proprietários rurais

Com o avanço do arrendamento, muitas famílias rurais de classe média passaram a viver nas cidades e depender do aluguel das terras como fonte de renda. As novas gerações, formadas em áreas urbanas, não têm mais vocação nem capital para retornar à agricultura, destaca o pesquisador.

“Os filhos e netos dos primeiros arrendatários já venderam seus tratores e não pretendem voltar ao campo”, observa Baccarin, apontando que o fenômeno está transformando o perfil social do interior paulista.

Setor sucroenergético vive novas pressões e desafios

O estudo também aponta mudanças estruturais no setor. Hoje, um quarto do etanol brasileiro é produzido a partir do milho, que rende cinco vezes mais combustível por tonelada do que a cana. Ao mesmo tempo, o consumo de açúcar cai em países desenvolvidos, onde cresce a preocupação com alimentos ultraprocessados.

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Essas tendências podem frear a expansão dos canaviais e reconfigurar o uso da terra em São Paulo nas próximas décadas.

Baccarin alerta que, embora o modelo atual traga ganhos de eficiência e produtividade, ele gera desafios sociais e ambientais. Entre as preocupações estão a concentração de renda, a gestão ambiental das áreas arrendadas e a necessidade de políticas públicas que incentivem culturas diversificadas, como frutas e hortaliças, além da recuperação de nascentes e matas nativas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Açúcar sobe no mercado internacional, mas preços caem no Brasil com pressão da safra e recuo do etanol

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Mercado internacional do açúcar mantém viés de alta

O mercado do açúcar encerrou a quinta-feira (23) com novos ganhos nas bolsas internacionais, dando continuidade ao movimento positivo observado nos últimos pregões.

Em Nova York, os contratos de açúcar bruto negociados na ICE Futures registraram valorização moderada em diferentes vencimentos:

  • Maio/26: +0,03 cent, fechando a 13,60 cents/lbp
  • Julho/26: +0,08 cent, a 13,89 cents/lbp
  • Outubro/26: +0,08 cent, a 14,31 cents/lbp

Os demais contratos também encerraram o dia em alta, reforçando o movimento de recuperação das cotações no curto prazo.

Açúcar branco também avança em Londres

Na ICE Europe, o açúcar branco manteve o viés positivo ao longo da sessão.

Os principais vencimentos registraram ganhos:

  • Agosto/26: alta de US$ 3,80, para US$ 427,50/t
  • Outubro/26: avanço de US$ 3,00, para US$ 425,00/t
  • Dezembro/26: valorização de US$ 2,00, a US$ 425,60/t

Os demais contratos também acompanharam o movimento de alta, refletindo sustentação no mercado externo.

Mercado interno do açúcar recua com força no Brasil

No mercado doméstico, o cenário foi de pressão sobre os preços. O indicador do açúcar cristal branco Cepea/Esalq, em São Paulo, registrou queda de 3,01% nesta quinta-feira (23).

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A saca de 50 kg foi negociada a R$ 96,06, ampliando o movimento negativo observado ao longo do mês.

Com isso, o indicador acumula retração de 8,91% em abril, refletindo maior pressão de oferta no mercado físico com o avanço da safra 2026/27.

Safra e demanda pressionam preços no mercado brasileiro

Segundo análise de mercado, o cenário interno segue influenciado por dois fatores principais: expectativa de maior oferta com o avanço da colheita e demanda mais cautelosa por parte dos compradores.

A postura retraída de usinas e compradores indica que o mercado aguarda novas oportunidades de compra diante da perspectiva de maior disponibilidade de produto no curto prazo.

Petróleo dá suporte ao açúcar no mercado global

No cenário internacional, a recente alta do petróleo tem contribuído para sustentar os preços do açúcar.

O movimento favorece a competitividade do etanol, o que pode reduzir a destinação de cana para a produção de açúcar e, consequentemente, diminuir a oferta global do produto.

Esse fator tem ajudado a manter o viés positivo nas bolsas internacionais, apesar da volatilidade do mercado.

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Etanol segue em forte queda em abril

No mercado de biocombustíveis, o Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.523,50/m³ nesta quinta-feira (23), com queda de 1,54% no comparativo diário.

No acumulado de abril, o indicador já registra retração de 16,65%, reforçando o cenário de pressão contínua sobre os preços do etanol no mercado paulista.

Enquanto o mercado internacional do açúcar mantém tendência de recuperação sustentada por fatores energéticos e cambiais, o cenário doméstico brasileiro segue pressionado pela oferta da nova safra e pela demanda mais fraca, com impactos diretos também sobre o mercado de etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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