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Bolsas globais operam sob pressão do Oriente Médio e Ibovespa recua com Vale e bancos no radar

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Os mercados financeiros globais voltaram a operar em clima de cautela nesta quarta-feira (3), refletindo o agravamento das tensões no Oriente Médio e o aumento da aversão ao risco entre investidores. O movimento impacta bolsas internacionais, commodities e moedas, enquanto o mercado brasileiro acompanha os desdobramentos externos e as repercussões das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros apresentavam comportamento misto durante a manhã. O Dow Jones Futuro recuava 0,35%, enquanto o S&P 500 Futuro perdia 0,11%. Já o Nasdaq Futuro registrava leve alta de 0,14%, sustentado pelo desempenho de empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial.

Na Europa, o sentimento também era de cautela. O índice DAX, da Alemanha, liderava as perdas entre os principais mercados do continente, com queda de 0,85%. O FTSE 100, do Reino Unido, recuava 0,28%, enquanto o CAC 40, da França, operava em baixa de 0,25%.

Na Ásia, o desempenho foi misto. As bolsas chinesas encerraram o pregão em terreno positivo, impulsionadas pelos setores de semicondutores e tecnologia óptica. O índice Shanghai Composite avançou 0,2% e o CSI 300 subiu 0,5%. Em contrapartida, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,6%. O Nikkei, do Japão, destoou do cenário global e registrou forte valorização de 2,5%.

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Ibovespa abre em queda e reflete cenário externo

No Brasil, o Ibovespa iniciou os negócios em baixa de 1,14%, aos 173.743 pontos, acompanhando o movimento de fuga de ativos de maior risco observado no exterior. A Bolsa brasileira segue pressionada principalmente pelo desempenho de ações ligadas ao setor financeiro e pela realização de lucros em empresas de commodities. O mercado também monitora os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e os impactos sobre o fluxo de investimentos.

Entre os papéis de maior peso no índice, a Vale (VALE3) figurava entre as principais pressões negativas, acompanhando preocupações relacionadas ao ritmo de crescimento da economia chinesa. Já os grandes bancos também contribuíam para o movimento de queda do indicador.

Por outro lado, a Petrobras (PETR4) permanecia no radar dos investidores e ajudava a limitar perdas mais acentuadas do índice. A valorização internacional do petróleo, impulsionada pelos riscos geopolíticos no Oriente Médio, continua favorecendo as ações da estatal brasileira.

Siderúrgicas seguem em evidência

O setor siderúrgico permanece entre os destaques da B3. Após fortes ganhos recentes impulsionados pelo alívio parcial em medidas relacionadas às exportações de aço e alumínio para os Estados Unidos, ações como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) continuam registrando elevado volume de negociações.

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Outro destaque entre os ativos mais negociados é a B3 (B3SA3), que concentra parte relevante do fluxo financeiro do pregão em meio à volatilidade dos mercados.

Petróleo e geopolítica continuam ditando o ritmo

Analistas avaliam que a evolução dos conflitos no Oriente Médio seguirá sendo o principal fator de influência sobre os mercados globais nos próximos dias. O avanço dos preços do petróleo beneficia empresas exportadoras de energia, mas aumenta a preocupação com inflação global e desaceleração econômica.

Para o agronegócio brasileiro, o cenário merece atenção. Custos logísticos, combustíveis e fertilizantes podem sofrer novos impactos caso a tensão geopolítica continue elevando os preços das commodities energéticas. Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo tende a fortalecer receitas de exportação e favorecer empresas ligadas à cadeia de energia e mineração.

Enquanto investidores aguardam novos indicadores econômicos e sinais das principais autoridades monetárias do mundo, o mercado segue operando sob elevada volatilidade, com o noticiário geopolítico assumindo papel central na formação dos preços dos ativos globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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