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Bolsas globais sobem com alívio geopolítico e Ibovespa mantém estabilidade
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As bolsas de valores globais registram forte alta nesta quarta-feira (08), impulsionadas pela redução das tensões geopolíticas após um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O movimento elevou o apetite por risco entre investidores e estimulou ganhos expressivos nos principais mercados da Ásia, Europa e Estados Unidos.
Ásia lidera ganhos com forte valorização dos índices
Os mercados asiáticos encerraram o pregão em alta significativa, refletindo o otimismo global.
O índice de Xangai avançou 2,69%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 3,49%, registrando o maior ganho diário desde outubro de 2024. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 3,09%.
Outros destaques da região incluem:
- Japão: o Nikkei 225 avançou 5,39%, aos 56.308 pontos
- Coreia do Sul: o Kospi subiu 6,87%, aos 5.872 pontos
- Taiwan: o Taiex ganhou 4,61%, aos 34.761 pontos
- Austrália: o S&P/ASX 200 avançou 2,55%, aos 8.951 pontos
- Singapura: o Straits Times subiu 0,95%, aos 5.005 pontos
Segundo analistas internacionais, o movimento vai além de um simples alívio geopolítico, indicando também expectativas de melhora na demanda, especialmente em setores como o imobiliário em Hong Kong.
Europa acompanha rali global e registra ganhos expressivos
Na Europa, os mercados operam com forte valorização. Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o índice pan-europeu STOXX 600 subia cerca de 4,05%, aos 614 pontos.
Entre as principais bolsas:
- França: o CAC 40 avançava 4,5%
- Alemanha: o DAX subia quase 5%
- Reino Unido: o FTSE 100 registrava alta de 2,9%
O desempenho positivo reflete o cenário internacional mais favorável, com redução das incertezas e maior fluxo de capital para ativos de risco.
Wall Street aponta forte alta no pré-mercado
Nos Estados Unidos, os índices futuros indicam abertura positiva em Wall Street:
- S&P 500: +2,7%
- Dow Jones: +2,6%
- Nasdaq: +3,4%
O mercado norte-americano acompanha o movimento global de recuperação, sustentado principalmente pela melhora no cenário geopolítico e pela retomada da confiança dos investidores.
Ibovespa opera estável e acompanha cenário externo
No Brasil, o Ibovespa apresenta comportamento mais moderado, operando próximo da estabilidade, com leve alta nesta quarta-feira. O índice gira em torno dos 188 mil pontos, buscando consolidar ganhos recentes após períodos de maior volatilidade.
Indicadores do mercado brasileiro
- Ibovespa: cerca de 188.200 pontos
- Tendência: leve alta, com tentativa de consolidação
- Dólar comercial: próximo de R$ 5,15, com pequena valorização
A bolsa brasileira segue influenciada pelo cenário externo, especialmente pelas oscilações no mercado de commodities e pelas incertezas geopolíticas.
Commodities e cenário externo seguem no radar
Investidores mantêm atenção aos preços do petróleo e ao ambiente internacional, que continuam sendo fatores determinantes para o desempenho dos ativos globais e domésticos.
Apesar do otimismo no exterior, o mercado brasileiro adota postura mais cautelosa, refletindo a sensibilidade da economia às variações cambiais e ao fluxo de capital estrangeiro.
Perspectiva: mercado reage ao alívio, mas segue atento a riscos
O avanço das bolsas globais demonstra uma reação positiva ao alívio temporário das tensões internacionais. No entanto, analistas destacam que o cenário ainda exige cautela, já que fatores geopolíticos e econômicos continuam no radar dos investidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor
Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.
A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.
Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.
Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.
“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.
Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.
A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.
A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.
“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.
A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.
Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.
As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.
Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.
Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.
Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.
Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.
“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.
Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.
No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.
A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.
A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.
O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.
Fonte: Pensar Agro
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