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Brasileiro reduz consumo de café e prioriza preço na hora da compra, aponta pesquisa do IAC e Instituto Axxus

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O consumo de café no Brasil está em retração. Segundo a nova edição da pesquisa “Café – Hábitos e Preferências do Consumidor (2019–2025)”, divulgada pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, em parceria com o Instituto Axxus, o Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (NEIT/UNICAMP) e apoio da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o brasileiro está tomando menos café, indo menos a cafeterias e considerando mais o preço na hora da compra.

O levantamento, que buscou compreender como os consumidores estão adaptando seus hábitos em meio à alta expressiva dos preços do produto, mostra que o número de pessoas que consomem mais de seis xícaras diárias caiu de 30% em 2023 para 26% em 2025. Além disso, 39% dos entrevistados afirmaram escolher sempre a opção mais barata, mais que o dobro do registrado na pesquisa anterior.

A maioria das compras (63,1%) ocorre em supermercados. Já a frequência a cafeterias caiu de 51% para 39% em dois anos, movimento associado ao aumento dos preços fora de casa e à insatisfação com o atendimento e a qualidade em alguns estabelecimentos. “Nesse cenário, muitos consumidores voltaram a preparar o café em casa, que é mais econômico e mantém o consumo dentro da rotina familiar”, explica Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador do IAC.

Mudança nos hábitos: cápsulas em alta e café sem açúcar ganha espaço

O estudo também observou transformações nos métodos de preparo e nas preferências de sabor. Houve queda no consumo de café espresso de máquina e aumento no uso de cápsulas e sachês. Outro dado relevante é o crescimento do consumo da bebida sem açúcar, que já representa 11% dos entrevistados — tendência que indica maior valorização do sabor original do grão.

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Além disso, o café segue firmemente enraizado no cotidiano do brasileiro: 96% afirmam consumir a bebida ao acordar, e 63% relatam melhora no humor e na disposição após o consumo.

No campo digital, a pesquisa mostrou que o YouTube se tornou a principal fonte de informação sobre café, superando outras redes sociais. “Isso demonstra uma nova forma de conexão entre o consumidor e o universo do café”, observa o pesquisador do IAC, vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O levantamento, realizado em setembro de 2025, ouviu 4.200 pessoas em todas as regiões do país, por meio de entrevistas presenciais. Desde 2019, a pesquisa acompanha as mudanças no comportamento dos consumidores em diferentes períodos: antes da pandemia, durante o isolamento social, na retomada das atividades presenciais e agora, em meio à pressão dos preços no varejo.

Metade dos consumidores não sabe diferenciar tipos de café

Mesmo com a popularização da bebida, o conhecimento técnico sobre os diferentes tipos de café ainda é limitado. Segundo o levantamento, 48% dos entrevistados não sabem distinguir as categorias disponíveis no mercado.

O estudo explica as principais classificações:

  • Café especial: obtém pontuação superior a 80 pontos em avaliações sensoriais internacionais e apresenta atributos diferenciados de aroma, sabor e rastreabilidade;
  • Gourmet: composto geralmente por 100% de grãos arábica e com baixa tolerância a defeitos;
  • Superior: mistura com maior presença de arábica, menos defeitos e qualidade acima da do tradicional;
  • Tradicional: o mais popular no Brasil, mistura de arábica e robusta, com maior tolerância a defeitos;
  • Extraforte: versão do tradicional com torra mais escura, resultando em sabor mais amargo e encorpado.
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Café de coador e consumo com açúcar ainda refletem tradição cultural

Aspectos culturais também influenciam o consumo no país. O café coado em pano, método preferido por 52% dos entrevistados, segue como símbolo de tradição e memória afetiva. “O coador é simples, acessível e econômico. É o café que remete à convivência familiar e à rotina doméstica”, afirma o pesquisador do IAC.

Metade dos consumidores (50%) ainda prefere o café já adoçado, hábito associado à torra mais intensa dos cafés tradicionais e extrafortes, que tendem a gerar bebidas mais amargas.

Selo da ABIC é referência de qualidade para o consumidor

A pesquisa também destaca a relevância do selo da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) como indicativo de qualidade. Cerca de 87% dos entrevistados afirmam confiar mais em produtos que exibem o selo, considerado uma garantia de que o café passou por avaliações técnicas rigorosas.

“No supermercado, o consumidor não consegue avaliar a qualidade apenas pela embalagem. O selo da ABIC serve como um atestado técnico, dando segurança e confiança na hora da compra”, explica o pesquisador do IAC.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

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A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

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O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

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Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

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