AGRONEGÓCIO
Café do Sul de Minas: Conab projeta safra recorde e clima reforça foco na eficiência hídrica
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Safra 2026 deve bater recorde histórico, segundo Conab
A primeira estimativa oficial da safra de café 2026, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no último dia 5, projeta uma colheita de 66,2 milhões de sacas beneficiadas. O volume representa um crescimento de 17,1% em relação ao ciclo anterior e marca um novo recorde histórico para o país.
De acordo com a Conab, o avanço é resultado da bienalidade positiva do café arábica, do aumento da área em produção e de condições climáticas mais favoráveis em parte das regiões produtoras.
Sul de Minas em destaque: clima irregular exige atenção redobrada
Mesmo com projeções otimistas, a irregularidade das chuvas no início de 2026 acende um alerta entre os cafeicultores, especialmente no Sul de Minas Gerais, principal polo de produção de café arábica do Brasil.
Municípios como Três Pontas, Varginha, Guaxupé, Três Corações e Viçosa acompanham de perto os efeitos do clima sobre o desenvolvimento das lavouras. Os meses de janeiro e fevereiro são considerados cruciais para o pegamento das mudas, formação dos frutos e definição do potencial produtivo, fases em que a retenção de água no solo se torna determinante para o desempenho final das plantações.
Eficiência hídrica: a nova fronteira da produtividade
Embora o cenário geral aponte para uma safra maior, especialistas alertam que a variabilidade das precipitações pode impactar diretamente a produtividade. Mesmo quando o volume de chuvas é satisfatório, a infiltração e a disponibilidade de água para as raízes podem não acompanhar a necessidade das plantas.
Diante desse desafio, cresce a importância de práticas que melhorem a retenção de água e a eficiência hídrica. Tecnologias como os polímeros superabsorventes têm ganhado espaço no manejo de solos, destacando-se pelo potencial de armazenar água e liberá-la gradualmente conforme a demanda das plantas.
Tecnologias de retenção de água fortalecem o manejo
Um exemplo é o HYB PLUS, desenvolvido pela Hydroplan-EB, que melhora as propriedades físicas do solo, aumentando a porosidade e reduzindo o risco de atingir o ponto de murcha permanente — situação comum em períodos de estiagem ou chuvas mal distribuídas.
Segundo Francisco de Carvalho, gerente comercial da empresa, o desafio atual está menos relacionado à quantidade de chuva e mais à forma como essa água se distribui e se mantém no solo.
“Em uma região onde a cafeicultura é base econômica, cada variação no desenvolvimento inicial pode refletir na produtividade final. Por isso, estratégias que aumentem a eficiência do uso da água passam a fazer parte das decisões agronômicas”, destaca.
Gestão de riscos e sustentabilidade marcam o ciclo 2026
Com a previsão de safra recorde e as incertezas climáticas ainda presentes, o setor cafeeiro busca equilibrar produtividade, sustentabilidade e gestão de riscos. No Sul de Minas, onde a cafeicultura é um dos pilares da economia regional, o debate sobre uso eficiente dos recursos hídricos ganha força entre produtores, cooperativas e consultores técnicos.
A tendência é que, ao longo do ciclo, a eficiência hídrica se consolide como um dos principais fatores de competitividade e resiliência da cafeicultura mineira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor
Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.
A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.
Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.
Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.
“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.
Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.
A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.
A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.
“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.
A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.
Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.
As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.
Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.
Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.
Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.
Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.
“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.
Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.
No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.
A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.
A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.
O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.
Fonte: Pensar Agro
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