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Café: mercado físico trava com feriado nos EUA, enquanto clima e estoques sustentam volatilidade em Nova York

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O mercado brasileiro de café deve encerrar a semana com negociações limitadas e baixo volume de negócios nesta sexta-feira (19), refletindo o fechamento da Bolsa de Nova York (ICE Futures US) devido ao feriado de Juneteenth, nos Estados Unidos. A ausência das referências internacionais, somada à queda do dólar frente ao real, reduz o interesse dos agentes em realizar novas operações no mercado físico.

A expectativa é de que produtores e compradores adotem uma postura mais cautelosa, aguardando a retomada das negociações internacionais para definir novas estratégias comerciais. O cenário reforça a tendência de mercado travado observada nos últimos dias, marcada por elevada volatilidade nas bolsas futuras e dificuldades na formação de preços internos.

Mercado físico teve estabilidade no arábica e alta no conilon

Na quinta-feira (18), o mercado físico brasileiro apresentou comportamento distinto entre as variedades. Enquanto o café arábica encerrou o dia praticamente estável, o conilon registrou valorização, acompanhando o desempenho positivo da Bolsa de Londres para o robusta.

Durante a manhã, a forte alta dos contratos futuros de arábica em Nova York elevou as referências de compra e estimulou parte dos produtores a ofertar volumes ao mercado. No entanto, a reversão das cotações internacionais para o campo negativo ao longo do pregão interrompeu as negociações e reduziu o ritmo dos negócios.

No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, com 15% de catação, permaneceu entre R$ 1.620 e R$ 1.630 por saca para a safra remanescente. Para a safra nova, os preços variaram entre R$ 1.520 e R$ 1.540 por saca.

No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura manteve-se entre R$ 1.630 e R$ 1.635 por saca para a safra 2025. Já os lotes da nova safra ficaram entre R$ 1.550 e R$ 1.570 por saca.

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Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café tipo rio permaneceu entre R$ 1.190 e R$ 1.195 por saca. O café duro da nova safra foi negociado entre R$ 1.470 e R$ 1.490 por saca, enquanto o café rio novo variou entre R$ 1.150 e R$ 1.160.

No Espírito Santo, o conilon tipo 7 registrou valorização, sendo cotado entre R$ 1.010 e R$ 1.015 por saca. O tipo 7/8 avançou para a faixa de R$ 1.000 a R$ 1.005 por saca.

Clima no Brasil continua sendo principal fator de suporte

Apesar da queda registrada em Nova York na quinta-feira, o mercado segue atento às condições climáticas no Brasil, principal produtor mundial de café.

As chuvas persistentes em importantes regiões produtoras continuam atrasando a colheita, além de prejudicarem os processos de secagem e beneficiamento dos grãos. As previsões meteorológicas indicam a continuidade da umidade até o final de junho, aumentando as preocupações com possíveis perdas de qualidade.

Outro fator monitorado pelos operadores é a previsão de queda das temperaturas na próxima semana. Embora não existam indicativos concretos de geadas ou frio extremo nas áreas cafeeiras, qualquer alteração climática relevante tende a ampliar a volatilidade dos contratos futuros.

Correção técnica pressiona preços em Nova York

Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do café arábica encerraram a quinta-feira em queda após uma sessão marcada por forte volatilidade. O movimento ocorreu depois de os preços atingirem os maiores níveis em aproximadamente um mês, estimulando operações de realização de lucros e ajustes técnicos.

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Além disso, a valorização do dólar no mercado internacional contribuiu para pressionar as commodities agrícolas, incluindo o café. Os investidores também continuam avaliando o impacto da entrada da nova safra brasileira, que deverá ampliar a oferta global nos próximos meses, mesmo diante dos atrasos observados na colheita.

O contrato com vencimento em setembro de 2026 fechou cotado a 267,80 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 1,5%. Já o contrato para dezembro de 2026 encerrou a sessão a 257,90 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2%.

Estoques certificados seguem em queda

Um dos principais fatores de sustentação do mercado continua sendo a redução dos estoques certificados de café nos armazéns credenciados pela ICE.

Em 18 de junho de 2026, os estoques somavam 394.267 sacas de 60 quilos, representando queda de 1.904 sacas em relação ao dia anterior. O movimento reforça a percepção de oferta mais ajustada no curto prazo e ajuda a limitar quedas mais acentuadas nas cotações internacionais.

Cenário segue de forte volatilidade

Para os próximos dias, a tendência é de manutenção da elevada volatilidade no mercado internacional de café. As preocupações climáticas no Brasil, associadas à redução dos estoques certificados e ao comportamento do dólar, continuam oferecendo suporte aos preços.

Por outro lado, a expectativa de uma safra robusta no Brasil e os movimentos de realização de lucros dos fundos de investimento devem continuar provocando oscilações intensas nas bolsas futuras, exigindo atenção redobrada dos produtores e agentes do setor cafeeiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro

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Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.

O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.

Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.

A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.

Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.

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O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.

A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.

Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.

Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.

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O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.

Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.

A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.

Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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