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Café registra ajustes técnicos e ganhos nas bolsas internacionais com estoques baixos e clima desfavorável

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Na manhã desta quinta-feira (28), os preços do café apresentavam variação mista nas principais bolsas globais, refletindo realização de lucros após altas expressivas na véspera. O mercado permanece pressionado pelos estoques reduzidos de arábica e robusta, que seguem em níveis preocupantes.

Estima-se que os estoques de robusta tenham recuado para cerca de 66 mil toneladas, enquanto os de arábica atingiram a menor marca anual. A safra brasileira de arábica 2025 superou as previsões iniciais de quebra, mantendo a tensão entre oferta e demanda global.

O clima no Brasil continua instável, com períodos de seca, chuvas irregulares e frentes frias que causam geadas e granizo em regiões produtoras, limitando as perspectivas de uma safra recorde em 2026.

Movimentação dos contratos futuros

Por volta das 9h20 (horário de Brasília), o arábica apresentava:

  • Setembro/25: alta de 620 pontos, cotado a 400,00 cents/lbp
  • Dezembro/25: queda de 130 pontos, cotado a 384,00 cents/lbp
  • Março/26: recuo de 0,75%, cotado a 373,45 cents/lbp

O robusta operava com:

  • Setembro/25: recuo de US$ 7, cotado a US$ 5.050/tonelada
  • Novembro/25: perda de US$ 1, cotado a US$ 4.877/tonelada
  • Janeiro/26: alta de US$ 12, cotado a US$ 4.763/tonelada
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Fechamento da quarta-feira mostra forte valorização

Na quarta-feira (27), o mercado registrou fortes ganhos, com o robusta alcançando o maior aumento dos últimos três meses. A valorização foi impulsionada pelo baixo nível de estoques e pela preocupação com o clima adverso no Brasil, que prejudica a recuperação vegetativa das plantas e compromete o potencial produtivo da safra 2025/26.

Os contratos de arábica encerraram com:

  • Setembro/25: alta de 975 pontos, cotado a 393,80 cents/lbp
  • Dezembro/25: valorização de 1.300 pontos, cotado a 385,30 cents/lbp
  • Março/26: ganho de 1.160 pontos, cotado a 374,20 cents/lbp

Já o robusta registrou avanços de:

  • Setembro/25: US$ 171, cotado a US$ 5.057/tonelada
  • Novembro/24: US$ 188, cotado a US$ 4.878/tonelada
  • Janeiro/26: US$ 187, cotado a US$ 4.751/tonelada
Mercado interno acompanha valorização internacional

No Brasil, os preços do café físico acompanharam o movimento das bolsas. O Arábica Tipo 6 registrou:

  • Campos Gerais/MG: +4,41%, R$ 2.370/saca
  • Poços de Caldas/MG: +4,39%, R$ 2.380/saca
  • Outras regiões: +4,02%, R$ 2.331/saca

O Cereja Descascado também apresentou alta:

  • Campos Gerais/MG: +4,29%, R$ 2.430/saca
  • Varginha/MG: +2,49%, R$ 2.470/saca
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O cenário reforça que o mercado de café permanece forte e sensível a estoques globais reduzidos e condições climáticas desfavoráveis, exigindo atenção de produtores e investidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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