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Café tem nova queda e segue pressionado por expectativa de safra recorde no Brasil

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Mercado de café mantém tendência de queda

Os preços do café iniciaram a semana em queda, com recuos superiores a 1% nas bolsas de ICE Futures U.S. e ICE Futures Europe na manhã desta segunda-feira (23). A pressão sobre as cotações é reflexo da expectativa de uma safra recorde no Brasil, principal produtor mundial, o que amplia as projeções de oferta global e intensifica a volatilidade no mercado.

Clima favorável reforça projeção de safra recorde

Segundo boletim do Escritório Carvalhaes, as chuvas mais frequentes e bem distribuídas desde meados de janeiro têm favorecido os cafezais brasileiros, especialmente nas regiões produtoras do Sudeste. Esse cenário climático positivo levou os operadores internacionais a projetarem uma colheita recorde para 2026, ampliando a pressão baixista sobre os preços nos mercados futuros de Nova York e Londres.

Movimentos especulativos ampliam a volatilidade

Em relatório recente, a Pine Agronegócios destacou que, embora o mercado enfrente um momento de oferta mais apertada, a queda nas cotações está mais ligada a movimentos especulativos e automatizados no mercado financeiro. De acordo com a consultoria, robôs de operação e fluxos de grandes operadores têm exercido influência significativa sobre os contratos futuros de café.

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Cotações recuam nos contratos futuros

Por volta das 9h40 (horário de Brasília), o café arábica apresentava queda de 215 pontos, sendo cotado a 286,15 cents/lbp para o vencimento de março/26. O contrato de maio/26 registrava desvalorização de 430 pontos, negociado a 281,40 cents/lbp, enquanto o de julho/26 caía 420 pontos, para 276,90 cents/lbp.

Já o café robusta também acumulava perdas. O contrato de março/26 recuava US$ 40, sendo negociado a US$ 3.575/tonelada. Para maio/26, a queda era de US$ 46, com valor de US$ 3.545/tonelada, e o contrato de julho/26 apresentava baixa de US$ 41, cotado a US$ 3.484/tonelada.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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