AGRONEGÓCIO
Carne de búfalo ganha espaço no XVII Encontro Brasileiro de Bubalinocultores em Fortaleza
AGRONEGÓCIO
O XVII Encontro Brasileiro de Bubalinocultores será realizado de 4 a 7 de novembro, em Fortaleza (CE), reunindo criadores, pesquisadores e profissionais interessados na produção e comercialização da carne de búfalo. A programação dos dias 5 e 6 de novembro destacará a carne bubalina, abordando desafios, oportunidades e cases de sucesso do setor.
O evento promete quatro dias de troca de conhecimento, networking e experiências práticas, com palestras técnicas, debates e apresentações de práticas inovadoras na bubalinocultura.
Desafios da produção e comercialização da carne de búfalo no Brasil
Na manhã do dia 5 de novembro, o professor Ricardo Pessoa, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, abordará os desafios da produção e comercialização da carne bubalina no Brasil.
Segundo Pessoa, o país possui o maior rebanho de búfalos das Américas, mas a carne é frequentemente comercializada como carne bovina, sem reconhecimento de sua identidade e qualidade diferenciada. “Precisamos divulgar melhor essa proteína de altíssima qualidade, que ainda não chega à mesa das pessoas com a sua verdadeira identidade”, destaca o especialista.
O professor também enfatiza que a carne bubalina pode atender demandas específicas, como restrições alimentares de saúde ou protocolos de treinamento físico, reforçando seu valor como produto diferenciado no mercado.
Case de sucesso: Baby Buf Premium
Na manhã do dia 6 de novembro, o criador Rogério Gonçalves, proprietário da Estância Guará em Rosário do Sul (RS), apresentará o case da marca Baby Buf Premium, com foco na verticalização da cadeia produtiva da carne de búfalo.
A propriedade trabalha com recria e engorda de búfalos, novilhos e novilhas, comprando animais de produtores parceiros após o desmame e conduzindo-os até o peso de abate de 420 kg. Gonçalves explica que, após o abate, os cortes de maior valor agregado são embalados a vácuo, enquanto o restante da carne é destinado à produção de linguiças e hambúrgueres.
O sistema de produção da Estância Guará utiliza pastagens melhoradas irrigadas por pivô central, permitindo animais jovens — com até 20 a 22 meses — e cortes homogêneos, adequados ao mercado de Porto Alegre e Caxias do Sul. Gonçalves ressalta que a carne de búfalo produzida é de excelente qualidade e saudável, destacando seu potencial para agregar valor ao setor.
Carne bubalina como oportunidade de mercado
O encontro em Fortaleza reforça a importância da carne de búfalo no cenário nacional, destacando potencial de crescimento, estratégias de comercialização e inovação na produção. Com participação de pesquisadores, criadores e representantes do setor, o evento busca fortalecer a cadeia produtiva, ampliar o conhecimento técnico e promover a visibilidade da carne bubalina para consumidores e mercados nacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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