AGRONEGÓCIO
Congresso Andav destaca: digital é infraestrutura básica e agricultura avança com inovação e conectividade
AGRONEGÓCIO
Encerramento e palestra de Ricardo Amorim
O Congresso Andav 2025 se encerra nesta quinta-feira (7), em São Paulo, com a palestra do economista Ricardo Amorim. Durante o evento, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) também divulgará os dados da Pesquisa Nacional da Distribuição, reforçando a importância do setor para o agronegócio brasileiro.
Digital deixa de ser diferencial e se torna infraestrutura essencial
Walter Longo, sócio-presidente da Unimark, afirmou que a inteligência artificial (IA) está revolucionando a criação de vídeos, identidade visual, textos e peças publicitárias, ampliando a produtividade e automatizando tarefas antes exclusivas do trabalho humano. Segundo ele, “o digital deixou de ser diferencial competitivo para ser uma infraestrutura básica”.
Longo destaca que a IA mudou o paradigma da tomada de decisão, substituindo a dependência exclusiva da experiência pela inteligência de dados, permitindo transformar despesas fixas em variáveis e desintermediar processos. “A IA é o copiloto que enxerga o que não conseguimos — os supervisores digitais silenciosos”, explicou.
Ele ainda ressaltou a necessidade de repensar comportamentos, mentalidades e modelos de liderança para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas.
Agricultura digital gera economia e enfrenta desafios de conectividade
No painel sobre Inovação e Tecnologia, Frederico Logemann, head de estratégia de inovação da SLC Agrícola, afirmou que a agricultura digital e de precisão proporcionam uma economia anual de R$ 10 milhões apenas com informações da rotação de motores.
Ele reforçou a importância de investir em pessoas, treinamento e testes para superar resistências antes de escalar soluções digitais.
Renato Coutinho, da TIM Brasil, comentou que a conectividade é um dos principais desafios para o uso pleno das tecnologias embarcadas em máquinas agrícolas. A TIM já conectou 23 milhões de hectares por meio da parceria ConectarAgro, resultado da união entre fabricantes e operadora.
Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, destacou que a missão da Embrapa é levar tecnologia de ponta também para pequenos e médios produtores, mas reconheceu que a conectividade ainda é um obstáculo para a ampliação do acesso às inovações.
Entre os serviços da Embrapa Territorial está um aplicativo que auxilia produtores de algodão na Bahia, gerando relatórios e avisos para manejo preventivo de pragas como o bicudo.
Premiação e desafios da comunicação no agronegócio
Durante o Congresso, a Andav concedeu o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Educação e Comunicação ao jornalista e publicitário Enio Campoi, pela sua contribuição ao agronegócio brasileiro por meio de iniciativas pioneiras na comunicação do setor.
No painel seguinte, a influenciadora rural Camila Telles compartilhou sua experiência de romper mitos sobre o agro e enfatizou que “comunicação” é o maior desafio do setor. Ela destacou que “o problema não é o que fazemos, mas o que não contamos”, ressaltando a importância de divulgar as ações e a verdade do agronegócio para o público.
Cultura organizacional e gestão de pessoas como base para alta performance
Tatiane Tiemi, CEO do Great Place to Work, afirmou que colocar as pessoas no centro dos negócios é fundamental para o crescimento sustentável das empresas. Segundo ela, a contratação alinhada à cultura organizacional e o compromisso dos líderes com políticas justas são essenciais para uma organização de alta performance.
Tiemi destacou que empresas que promovem inclusão, equidade e um ambiente saudável atraem e retêm talentos, inovam mais e apresentam maior resiliência em crises.
“A cultura organizacional é construída diariamente e impacta diretamente nos resultados do negócio”, ressaltou.
Congresso Andav 2025: o maior encontro do setor de insumos agrícolas
Realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo, o Congresso Andav 2025 reúne cerca de 250 marcas nacionais e internacionais e 15 mil profissionais entre distribuidores, agrônomos, consultores, representantes técnicos, pesquisadores e especialistas.
O evento é o principal ponto de encontro para networking e atualização do setor de Distribuição de Insumos Agropecuários no Brasil, com patrocínio da Basf, Bayer, GiroAgro, Ourofino, Syngenta, Ceres Agrobank, Ecoagro e Aliare.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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