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Copom pode operar com diretoria incompleta por meses em meio a impasse político no Senado

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O Banco Central do Brasil inicia mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana ainda com dois cargos vagos em sua diretoria. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, esse cenário pode se prolongar por várias reuniões, refletindo dificuldades políticas no Senado para avançar com novas indicações.

Impasse político no Senado trava nomeações para o Banco Central

O ambiente político no Senado segue desafiador para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dificultando a sabatina e aprovação de novos diretores do Banco Central. As etapas são obrigatórias e passam pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pelo plenário da Casa.

Mesmo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tendo apresentado sugestões ainda em dezembro para as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro, o processo segue sem avanços concretos.

Investigações e crise política ampliam incertezas

O cenário político também é impactado por investigações conduzidas pela Polícia Federal do Brasil envolvendo o Banco Master.

A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro, em meio a uma crise de liquidez e suspeitas de irregularidades. O caso aumentou a tensão política e elevou o nível de cautela em torno de novas indicações.

Copom pode seguir com quadro reduzido por período prolongado

Com o calendário legislativo impactado pelo recesso parlamentar e pelas eleições gerais, fontes não descartam que o Copom continue deliberando com apenas sete dos nove integrantes por um período prolongado.

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Se confirmado, o cenário será inédito, com vagas abertas não por afastamentos temporários, mas pela ausência de nomeações formais.

Nomeações não estão entre as prioridades do governo

Segundo relatos, o preenchimento das vagas no Banco Central não tem sido tratado como prioridade pelo governo federal. A situação contrasta com críticas anteriores feitas por Lula à composição herdada da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em função da lei de autonomia da autoridade monetária.

Na prática, o presidente pode atravessar boa parte do último ano de seu mandato sem efetivar novas indicações, deixando a decisão para a próxima gestão.

Diretorias seguem sob comando interino

Atualmente, áreas estratégicas do Banco Central operam sob comando interino:

  • A diretoria de Política Econômica está sob responsabilidade de Paulo Picchetti, que acumula a função com Assuntos Internacionais
  • A diretoria de Organização do Sistema Financeiro está sob Gilneu Vivan, também responsável pela área de Regulação
Indicações enfrentam resistência no mercado financeiro

Os nomes sugeridos por Haddad — Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti — enfrentaram resistência no mercado.

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As críticas envolvem a proximidade de Mello com o Partido dos Trabalhadores (PT), além de sua formação considerada heterodoxa. Também há questionamentos sobre a experiência dos indicados na interlocução com o mercado financeiro, aspecto visto como relevante especialmente para a diretoria de Política Econômica.

Até o momento, o presidente não confirmou nem descartou oficialmente os nomes.

Indicação ao STF aumenta tensão política

Outro fator que contribui para o impasse é a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.

A escolha enfrenta resistência no Senado e gerou desconforto com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga.

O governo avalia, inclusive, o risco de rejeição do indicado, o que contribui para o atraso em outras decisões relevantes.

Cenário indefinido pode se estender até o fim do ano

Diante das incertezas políticas e institucionais, fontes avaliam que a situação pode permanecer sem definição até o final do ano. Enquanto isso, o Copom segue tomando decisões importantes para a política monetária com quadro incompleto, fator que mantém o mercado atento aos próximos movimentos da autoridade monetária.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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