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Crédito rural e Plano Safra dominam agenda: ministro André de Paula ouve demandas do agro em São Paulo

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Em um movimento estratégico para fortalecer o diálogo com o setor produtivo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou nesta segunda-feira (4), em São Paulo, de reunião do Conselho Superior do Agronegócio, onde ouviu demandas prioritárias do agro brasileiro, com destaque para o crédito rural e os desafios do próximo Plano Safra.

O encontro foi realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e marcou a primeira حضور do ministro no colegiado desde que assumiu o comando do Ministério da Agricultura e Pecuária. A reunião contou com a presença da senadora Tereza Cristina, além de secretários da pasta, representantes de instituições financeiras e lideranças do setor produtivo.

Escuta ativa e interlocução com o setor

Durante o encontro, André de Paula reforçou o compromisso de atuar como ponte entre o agronegócio e o governo federal, destacando a importância da escuta ativa para a construção de políticas públicas mais eficazes.

“Ouvi atentamente todas as intervenções e tenho dimensão dos desafios que teremos nos próximos meses”, afirmou o ministro, ressaltando que a estratégia da gestão é manter diálogo constante com os diversos elos da cadeia agropecuária.

Crédito rural no centro do debate

Um dos principais pontos levantados pelos representantes do setor foi a restrição ao acesso ao crédito rural para produtores monitorados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite. O sistema, que calcula anualmente as taxas de desmatamento, tem impactado produtores que, mesmo após regularização de pendências ambientais, ainda permanecem com restrições devido à metodologia de análise.

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Segundo lideranças do agro, cerca de 28% dos produtores que já acessaram crédito podem ser afetados por essas limitações, o que acende um alerta sobre a segurança jurídica e o fluxo de financiamento no campo.

Tecnologia e alternativas em pauta

Como alternativa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apresentou o projeto TerraClass, ferramenta que permite um mapeamento mais detalhado da cobertura e uso da terra nos biomas brasileiros. Atualmente, o sistema abrange Amazônia e Cerrado, com previsão de expansão para todo o território nacional.

Juros elevados preocupam setor

Outro ponto sensível debatido na reunião foi o impacto das taxas de juros elevadas sobre o crédito rural. O ministro reconheceu que o cenário macroeconômico impõe desafios à construção de um Plano Safra robusto e competitivo.

Diante disso, o Cosag deve convidar representantes do Ministério da Fazenda para aprofundar o debate sobre financiamento e equalização de juros em reuniões futuras.

Agenda segue com setor produtivo

Ainda em São Paulo, o ministro participou, no período da tarde, de reunião com lideranças da Sociedade Rural Brasileira, reforçando a agenda de aproximação com o setor produtivo.

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A participação no Cosag sinaliza uma postura mais aberta ao diálogo e indica que o governo busca calibrar políticas públicas diante dos desafios estruturais do agronegócio, especialmente no acesso ao crédito e na sustentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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