AGRONEGÓCIO
Crédito rural em alerta: possível restrição do BB a produtores em recuperação judicial preocupa o agronegócio
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O avanço dos pedidos de recuperação judicial no Brasil e a possibilidade de restrição no acesso ao crédito rural por parte de produtores que recorrem à Justiça têm acendido um alerta no agronegócio. O tema ganhou força diante da relevância do Banco do Brasil no financiamento do setor e do cenário de maior pressão financeira no campo.
Pedidos de recuperação judicial disparam no Brasil
Os pedidos de recuperação judicial cresceram 68,7% em 2023, somando 1.405 solicitações, segundo dados da Serasa Experian. O aumento ocorre em meio a um contexto de juros elevados, volatilidade nos preços das commodities e aumento do endividamento acumulado nas últimas safras.
Esse cenário tem levado produtores rurais a buscarem alternativas para reorganizar suas finanças, elevando o debate sobre os impactos dessa decisão no acesso ao crédito.
Papel do Banco do Brasil amplia impacto no setor
A discussão ganhou relevância após repercussões sobre possíveis restrições do Banco do Brasil na concessão de novas linhas de crédito para produtores em recuperação judicial. Como principal operador de crédito rural do país, qualquer mudança na política da instituição tem efeito direto sobre o financiamento do agronegócio.
No ciclo do Plano Safra 2023/2024, o crédito rural no Brasil totalizou R$ 400,7 bilhões, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária, evidenciando a importância do sistema financeiro para a sustentação da produção agrícola.
Recuperação judicial exige planejamento financeiro
Especialistas destacam que o principal desafio não está na legalidade da recuperação judicial, prevista na Lei 11.101/2005, mas na forma como ela é utilizada pelos produtores.
Segundo análise do setor, ao entrar com o pedido, o produtor passa a ser visto como de maior risco pelas instituições financeiras. Isso pode resultar em crédito mais caro ou até indisponível, caso não haja um planejamento financeiro estruturado.
A recomendação é que a recuperação judicial seja parte de uma estratégia bem definida, com previsibilidade de caixa e plano consistente de pagamento.
Créditos tributários podem reforçar o caixa
Um dos pontos frequentemente negligenciados por produtores é a revisão de créditos tributários, especialmente de ICMS. Recursos acumulados e não utilizados podem representar uma importante fonte de liquidez.
Exemplo disso foi a liberação de R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados pelo governo de São Paulo para empresas habilitadas, demonstrando o volume de capital que pode estar disponível, mas ainda não acessado por falta de organização ou orientação técnica.
Cinco medidas para preservar crédito e liquidez
Antes de recorrer à recuperação judicial, especialistas recomendam uma análise detalhada da situação financeira. Entre os principais pontos de atenção estão:
- Mapeamento do passivo total: Levantamento completo das dívidas bancárias, tributárias e com fornecedores para entender o nível real de endividamento.
- Revisão de créditos tributários: Identificação de créditos de ICMS e outras possibilidades de compensação que possam gerar caixa sem novos empréstimos.
- Avaliação de contratos e garantias: Análise de cláusulas como vencimento antecipado, CPRs e garantias reais, que podem ser impactadas pela judicialização.
- Negociação prévia com credores: Busca por acordos extrajudiciais pode preservar relações comerciais e reduzir impactos reputacionais.
- Assessoria especializada; Apoio técnico integrado entre áreas contábil, tributária e financeira é essencial para uma estratégia eficiente.
Planejamento é chave para evitar restrições no crédito
A recuperação judicial pode ser uma ferramenta importante de reorganização financeira, mas não substitui a gestão eficiente. Sem planejamento, o produtor corre o risco de enfrentar maior isolamento no mercado de crédito, justamente em um momento em que o acesso a recursos é fundamental para manter a atividade.
Diante desse cenário, o agronegócio brasileiro reforça a necessidade de decisões estratégicas bem fundamentadas, especialmente em um ambiente de maior seletividade por parte das instituições financeiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro
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