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Crédito rural encolhe 17% em 2025, mas número de contratos cresce e supera 1,4 milhão

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O crédito rural e agroindustrial destinado a produtores rurais pessoa física movimentou R$ 179 bilhões em 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. Apesar da expressiva cifra, o montante representa uma redução de 17% em comparação com o ano anterior, quando os financiamentos alcançaram volume significativamente maior.

Os dados fazem parte da nova edição do Boletim Agro da companhia, elaborado com base em informações de aproximadamente 3 milhões de produtores rurais que contrataram linhas de crédito e autorizam o uso de dados do Cadastro Positivo.

A retração no volume concedido evidencia um ambiente financeiro mais seletivo, marcado por maior rigor na avaliação de risco e por uma postura mais conservadora das instituições financeiras diante dos desafios econômicos enfrentados pelo setor.

Instituições ampliam exigências e reduzem exposição ao risco

De acordo com Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa Experian, o mercado manteve ao longo de 2025 uma postura mais cautelosa na concessão de financiamentos.

Segundo ele, bancos e agentes financeiros passaram a priorizar análises mais robustas, exigência de garantias adicionais e maior controle dos riscos das operações.

Esse cenário ajuda a explicar a redução de aproximadamente R$ 36,8 bilhões no volume liberado ao agronegócio em relação a 2024, ao mesmo tempo em que demonstra uma busca por operações consideradas mais sustentáveis no médio e longo prazo.

Ticket médio recua quase 18%

Embora o valor total disponibilizado ao setor tenha diminuído, o número de contratos apresentou leve crescimento.

Em 2025, foram registradas cerca de 1,46 milhão de operações de crédito rural e agroindustrial, contra 1,44 milhão no ano anterior, avanço de 0,9%.

Como resultado, o valor médio por contrato sofreu uma queda mais acentuada. O ticket médio passou de aproximadamente R$ 150 mil em 2024 para R$ 123 mil em 2025, redução de 17,8%.

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O movimento indica que o crédito continua chegando aos produtores, porém por meio de operações menores e mais alinhadas ao perfil de risco de cada tomador.

Centro-Oeste lidera em valor por operação

A análise regional referente ao último trimestre de 2025 mostra comportamentos distintos entre as principais regiões agrícolas do país.

O Centro-Oeste Agro registrou os maiores valores por contrato, com média de R$ 396 mil, além do maior ticket médio por produtor, que alcançou R$ 491 mil por CPF.

Já a região Sul liderou o volume financeiro concedido, totalizando R$ 12 bilhões em financiamentos no período analisado.

O Nordeste Agro, por sua vez, apresentou o maior número de produtores atendidos, com cerca de 123 mil CPFs contemplados, além de liderar a abertura de novas operações, somando aproximadamente 129 mil contratos.

Minas Gerais lidera concessões entre os estados

Entre as unidades da federação, Minas Gerais apareceu como o estado com maior volume de registros de crédito rural e agroindustrial ao longo de 2025.

Na sequência do ranking estão Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraná e São Paulo, estados que concentram parte significativa da produção agropecuária nacional e da demanda por financiamento para custeio, investimento e comercialização.

Inteligência artificial ganha espaço na concessão de crédito

A tecnologia tem assumido papel cada vez mais estratégico na avaliação de risco e na democratização do acesso ao crédito rural.

Segundo a Serasa Experian, ferramentas baseadas em Inteligência Artificial e Machine Learning vêm sendo utilizadas para analisar grandes volumes de dados, identificar padrões financeiros e oferecer avaliações mais precisas sobre a capacidade de pagamento dos produtores.

Entre as soluções desenvolvidas pela empresa está o Agro Score, modelo que reúne informações financeiras e comportamentais para apoiar instituições financeiras na tomada de decisão e na estruturação de ofertas de crédito mais adequadas ao perfil de cada produtor.

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Produtor rural mantém perfil de crédito considerado positivo

Os dados do último trimestre de 2025 mostram que os produtores rurais brasileiros apresentaram média de 600 pontos no Agro Score, indicador considerado positivo para acesso ao crédito.

Regionalmente, o Sul registrou o melhor desempenho, alcançando média de 715 pontos.

Por outro lado, regiões de expansão agrícola mais recente, como o Norte Agro, apresentaram média de 475 pontos.

A utilização desses modelos preditivos permite ampliar a inclusão financeira no campo, alcançando desde pequenos produtores até grandes operações agropecuárias, além de perfis que ainda possuem baixo histórico formal de crédito.

Tecnologia deve transformar ainda mais o financiamento do agro

Além dos modelos de score, a Serasa Experian afirma que avança em projetos que utilizam imagens de satélite, análise geoespacial e soluções baseadas em Inteligência Artificial Generativa (GenAI) para aprimorar a avaliação de risco e a oferta de produtos financeiros ao setor.

A expectativa é que essas tecnologias contribuam para aumentar a eficiência das análises, reduzir riscos operacionais e ampliar o acesso dos produtores rurais a recursos financeiros em um ambiente cada vez mais digital.

Cenário exige atenção para o crédito na safra 2025/26

Mesmo diante da redução dos volumes concedidos, os números indicam que o crédito rural segue desempenhando papel fundamental na sustentação do agronegócio brasileiro.

O avanço da tecnologia, aliado a modelos mais sofisticados de análise de risco, tende a ganhar relevância nos próximos anos, especialmente em um cenário de juros elevados, maior seletividade financeira e necessidade crescente de eficiência na alocação de recursos para o setor produtivo.

Boletim Agro

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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