AGRONEGÓCIO
Crise do Diesel Pressiona Empresas e Mostra Ineficiência de Subsídios
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Queda nas importações e alerta da ANP acendem sinal de alerta
A forte redução de quase 60% nas importações de diesel nos primeiros dias de março, junto ao alerta da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) sobre risco de desabastecimento já em abril, acendeu um sinal vermelho no setor produtivo. Especialistas apontam que a raiz do problema está na ineficácia do pacote de R$ 10 bilhões em subsídios oferecido pelo governo, que não cobre a diferença entre os preços domésticos e internacionais.
Subsídio de R$ 0,32 por litro não resolve defasagem
O incentivo fixado em R$ 0,32 por litro não é suficiente para viabilizar as importações privadas, gerando risco de apagão logístico interno nas empresas. Para Luís Garcia, advogado tributarista e sócio do Tax Group, a medida tenta combater uma crise global com uma solução doméstica limitada, criando uma “contabilidade criativa aplicada à oferta de combustível”.
“Se o subsídio não cobre a defasagem de preços, ele não é incentivo, é um convite educado para o importador sair de cena. O efeito é direto: menos importação, menor oferta e um mercado que passa a funcionar no improviso”, afirma Garcia.
Impacto financeiro: diesel deixa de ser custo previsível
O diesel passou de um custo previsível para um ativo escasso, exigindo das empresas antecipação de compras, estoques maiores e pagamento de prêmios por disponibilidade. O efeito é que o governo mantém o preço na bomba, mas transfere a pressão financeira para o caixa corporativo.
“O gestor que ainda trata o cenário como volatilidade normal de mercado está atrasado. A distorção é estrutural”, alerta Garcia.
Risco jurídico: contratos e SLAs sob pressão
Além do impacto financeiro, o alerta da ANP evidencia risco real de falhas na cadeia de abastecimento, levando a questões jurídicas e de governança. Contratos comerciais e logísticos, não desenhados para cenários de escassez, tornam-se frágeis, e cláusulas de penalidade e obrigações rígidas podem gerar passivos significativos.
“Acionar cláusulas de ‘força maior’ deixa de ser exceção e passa a ser estratégia de sobrevivência. A novidade é a criatividade do problema, não o conceito jurídico”, explica Garcia.
Antecipação e documentação são estratégias essenciais
O erro mais caro para as empresas é esperar o descumprimento contratual para reagir. Notificar, documentar e demonstrar diligência agora é essencial para reduzir riscos futuros.
“A diferença entre as empresas não estará em quem sofre menos, mas em quem se antecipa melhor. Quando o desabastecimento deixar de ser risco e virar fato, o contrato já terá virado problema”, conclui Garcia.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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