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Custos de produção do leite registram leve deflação no Rio Grande do Sul em novembro, aponta Farsul

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O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC) do Rio Grande do Sul apresentou uma leve deflação de 0,06% em novembro de 2025, conforme dados divulgados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) nesta quinta-feira (15).

O resultado reflete uma estabilidade nos principais componentes da cesta de custos da atividade leiteira, com queda nos preços de fertilizantes e energia elétrica, que compensaram as altas registradas em outros itens.

Fertilizantes e energia elétrica puxam redução dos custos

Entre os insumos que mais contribuíram para o recuo do índice, destacam-se os fertilizantes, com queda de 4%, e a energia elétrica, que registrou redução de 3%.

A Farsul explica que o movimento é sazonal e esperado no fim do ano, quando há menor demanda por eletricidade no campo. Além disso, os combustíveis também apresentaram recuo de 0,4%, acompanhando a redução de 0,6% nos preços da gasolina.

Milho estável e soja em alta influenciam o concentrado

Enquanto os fertilizantes aliviaram os custos, o comportamento das commodities agrícolas teve efeito contrário. O milho manteve preços estáveis em novembro, mas a alta nas cotações da soja impulsionou o aumento de 1,1% no custo dos concentrados, um dos principais componentes da alimentação animal.

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Deflação acumulada em 2025 reforça alívio nos insumos

No acumulado do ano, o ILC registra uma deflação de 4,3%, movimento alinhado ao IPA-DI (Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna), da Fundação Getulio Vargas (FGV), que apresentou queda de 3,64% no mesmo período.

Segundo a Farsul, a forte correlação entre os dois indicadores confirma o arrefecimento dos preços no atacado e a redução dos custos agropecuários ao longo de 2025.

Nos últimos 12 meses (novembro/2024 a novembro/2025), o indicador também aponta deflação acumulada de 3,04%, com destaque para as quedas em fertilizantes (-5,5%), silagem (-9,5%) e concentrado (-5,4%). Por outro lado, sal mineral (+10,6%) e energia elétrica (+22,9%) continuam entre os itens que mais pressionam o custo de produção.

Produtores enfrentam margens apertadas apesar da deflação

Mesmo com a redução dos custos, o cenário para os produtores de leite ainda exige cautela. Isso porque, segundo a Farsul, o preço de venda do leite tem caído em ritmo mais acelerado que o custo de produção, o que reduz as margens de lucro e pressiona a rentabilidade no curto prazo.

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Perspectivas para dezembro indicam alta nos custos de alimentação

As projeções para dezembro de 2025 apontam uma possível valorização do milho e da soja, o que pode elevar os custos com ração e alimentação animal.

Em compensação, a queda nas cotações internacionais do petróleo tende a reduzir os gastos com fertilizantes e combustíveis, amenizando parte da pressão sobre o custo total de produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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