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Dólar recua com investidores de olho em paralisação nos EUA e cenário político no Brasil

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O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (2) em queda, recuando 0,31% às 09h05, cotado a R$ 5,3131. Na quarta-feira (1º), a moeda avançou 0,11%, encerrando o dia a R$ 5,3285.

Ibovespa acompanha movimentos do mercado

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, abriu a sessão às 10h, após encerrar o pregão anterior em queda de 0,49%, aos 145.517 pontos.

Mercado atento a paralisação do governo americano

Nos Estados Unidos, os mercados repercutem a paralisação do governo federal, iniciada na quarta-feira, que deve durar pelo menos três dias. O shutdown já afeta 750 mil servidores sem salário, com perdas estimadas em US$ 400 milhões, além de limitar ou suspender serviços em diversas agências.

O Senado americano não terá sessões nesta quinta-feira devido ao Yom Kippur, impedindo a votação de medidas emergenciais de financiamento. Entre os dados impactados estão o índice de preços ao consumidor e o payroll, indicadores essenciais para orientar decisões do Federal Reserve. O atraso também pode adiar o reajuste da Previdência Social americana previsto para 2026.

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Nesta quinta, não haverá divulgação dos pedidos semanais de seguro-desemprego, e a atenção do mercado se volta para o discurso de Logan, do Fed, às 11h30, e para os dados de demissões do setor privado da Challenger.

Cenário político e fiscal no Brasil

No Brasil, os investidores acompanham a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, movimentando a pauta tributária e influenciando a confiança no mercado doméstico.

Indicadores acumulados

  • Dólar
    • Acumulado da semana: -0,18%
    • Acumulado do mês: +0,11%
    • Acumulado do ano: -13,77%
  • Ibovespa
    • Acumulado da semana: +0,05%
    • Acumulado do mês: -0,49%
    • Acumulado do ano: +20,98%

O movimento do dólar e do Ibovespa reflete, portanto, a combinação entre a paralisação do governo americano e os avanços políticos e fiscais no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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