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Dólar se recupera no Brasil após dados econômicos fortes dos EUA

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O dólar iniciou esta quinta-feira (25) em leve queda no Brasil, mas reverteu o movimento e passou a operar em alta após a divulgação de indicadores econômicos acima das expectativas nos Estados Unidos. Às 10h37, o dólar à vista avançava 0,07%, cotado a R$ 5,3312 na venda.

Na B3, o contrato de dólar para outubro — o mais negociado atualmente — subia 0,38%, a R$ 5,3325, refletindo ajustes técnicos em relação ao fechamento da véspera.

Mercado de trabalho americano surpreende

Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram 14 mil na semana encerrada em 20 de setembro, chegando a 218 mil solicitações. O número veio abaixo das projeções de analistas consultados pela Reuters, que estimavam 235 mil pedidos.

PIB dos EUA tem revisão para cima

Outro dado relevante foi a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano. O Departamento de Comércio informou que a economia dos EUA cresceu 3,8% no segundo trimestre, acima da estimativa anterior de 3,3%.

Esses números mais fortes impulsionaram os rendimentos dos Treasuries e fortaleceram o dólar frente a diversas moedas globais, reduzindo as apostas de cortes iminentes na taxa de juros pelo Federal Reserve.

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Impacto no Brasil: dólar apaga perdas

Com a influência do cenário externo, a moeda norte-americana eliminou as perdas registradas mais cedo no mercado brasileiro. Os dados dos EUA ganharam mais peso que as informações divulgadas internamente ao longo da manhã.

Antes da abertura dos mercados, o Banco Central havia revisado sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2025, de 2,1% para 2,0%, e manteve a previsão de 1,5% para 2026.

Segundo o BC, a redução reflete os efeitos incertos do aumento das tarifas de importação dos EUA e sinais de desaceleração da atividade no terceiro trimestre.

Inflação brasileira vem abaixo das estimativas

O IBGE também divulgou nesta quinta-feira que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, avançou 0,48% em setembro. O resultado ficou ligeiramente abaixo da projeção de 0,51% dos economistas consultados pela Reuters.

Política e ajustes técnicos influenciam contratos futuros

Na quarta-feira (24), após o fechamento do mercado à vista, o dólar futuro para outubro havia recuado diante de especulações sobre um possível apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nas eleições presidenciais de 2026.

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Sem confirmação oficial sobre o cenário político, os contratos futuros passaram nesta quinta por ajustes técnicos e registraram altas maiores que as do mercado à vista.

Cenário internacional fortalece o dólar

No exterior, às 10h41, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,36%, alcançando 98,186 pontos, impulsionado pelos dados econômicos divulgados nos EUA.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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