AGRONEGÓCIO
Endividamento rural: FPA rejeita proposta do governo e mantém defesa de renegociação com juros menores e prazo de 13 anos
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A renegociação das dívidas rurais voltou ao centro das discussões em Brasília nesta terça-feira (7). A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reuniu-se com integrantes da equipe econômica do governo federal para discutir alternativas ao elevado endividamento dos produtores rurais, mas o encontro terminou sem consenso.
Embora o governo tenha apresentado uma nova proposta por meio de uma possível Medida Provisória (MP), a bancada ruralista deixou claro que pretende preservar os principais pontos do Projeto de Lei nº 5.122/2023, aprovado pelo Senado Federal e atualmente em fase final de tramitação na Câmara dos Deputados.
FPA quer manter texto aprovado pelo Senado
Segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion, a prioridade é garantir atendimento não apenas aos produtores afetados por eventos climáticos extremos, mas também àqueles que sofreram perdas significativas de renda nos últimos anos.
De acordo com Lupion, o texto aprovado pelos senadores contempla uma realidade enfrentada por milhares de produtores brasileiros que acumulam dificuldades financeiras em razão da sucessão de crises climáticas, econômicas e de mercado.
“O texto aprovado no Senado contempla produtores que perderam renda ao longo dos últimos anos. Esse é o ponto central da proposta e não abriremos mão desse princípio”, afirmou o parlamentar.
Governo propõe prazo menor e juros mais elevados
Durante a reunião, o Ministério da Fazenda apresentou uma alternativa baseada em Medida Provisória.
A proposta mantém parte da estrutura do projeto, mas altera pontos considerados fundamentais pelo setor agropecuário.
Entre as principais mudanças estão:
- Limite de renegociação de até R$ 8 milhões por produtor;
- Benefício restrito aos produtores atingidos por eventos climáticos;
- Taxas de juros entre 6% e 12% ao ano;
- Prazo máximo de 8 anos para pagamento;
- Carência de dois anos, com pagamento dos juros durante esse período.
Apesar das alterações, o governo preserva a abrangência temporal das perdas ocorridas entre as safras de 2019 e 2025, além de manter elegíveis as operações inadimplentes registradas entre 1º de janeiro de 2024 e maio de 2026.
Projeto aprovado pelo Senado prevê condições mais favoráveis
O texto aprovado pelo Senado estabelece condições mais amplas para a renegociação das dívidas rurais.
Entre os principais pontos estão:
- Limite de até R$ 10 milhões por beneficiário;
- Até R$ 50 milhões para cooperativas;
- Enquadramento mediante comprovação de perda mínima de 30% da renda bruta em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025;
- Taxas de juros entre 3,5% e 7,5%, conforme o porte do produtor;
- Prazo de até 13 anos para pagamento;
- Mínimo de dois anos de carência.
Para a FPA, essas condições oferecem maior capacidade de recuperação financeira aos produtores que enfrentam dificuldades decorrentes da sucessão de perdas registradas nos últimos anos.
Fundo garantidor ganha apoio nas negociações
Outro ponto discutido durante a reunião foi a criação de um fundo garantidor para reduzir o impacto fiscal da renegociação das dívidas.
Segundo Pedro Lupion, o governo sinalizou positivamente para a construção desse mecanismo, reconhecendo que ele pode reduzir os custos da equalização dos juros.
O parlamentar também afirmou que não houve objeções quanto à utilização dos fundos constitucionais como instrumento de apoio à política de renegociação.
Técnicos vão analisar convergência entre as propostas
Após a reunião, equipes técnicas da FPA e do governo iniciaram a análise detalhada das propostas para identificar possíveis pontos de convergência.
Os debates deverão concentrar-se em quatro aspectos considerados decisivos:
- Critérios de enquadramento dos produtores;
- Limites das operações contempladas;
- Taxas de juros;
- Custo da equalização financeira.
O objetivo é construir um texto capaz de atender ao maior número possível de produtores rurais sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
Câmara terá decisão final sobre o projeto
Como o Projeto de Lei nº 5.122/2023 sofreu alterações durante sua tramitação no Senado, ele retornou à Câmara dos Deputados para análise final.
Neste momento, os deputados federais deverão decidir apenas se aprovam ou rejeitam as modificações realizadas pelos senadores, sem possibilidade de apresentar novas alterações ao texto.
Caso não haja entendimento com o governo, a Frente Parlamentar da Agropecuária afirma que trabalhará para manter integralmente o texto aprovado pelo Senado.
Segundo Pedro Lupion, a bancada continuará defendendo uma solução que contemple tanto os produtores atingidos por eventos climáticos quanto aqueles que sofreram perdas expressivas de renda, preservando condições de financiamento consideradas essenciais para garantir a recuperação econômica do setor agropecuário brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Expointer movimenta R$ 6,2 bilhões e máquinas puxam avanço de 40%
A 49ª Expointer encerrou sua programação com R$ 6,18 bilhões em negócios, crescimento de 39,8% sobre a edição de 2025. O resultado superou as expectativas iniciais e mostrou disposição dos produtores para voltar a investir em máquinas, tecnologia, animais e modernização das propriedades.
O setor de máquinas e implementos agrícolas liderou as negociações, com R$ 5,46 bilhões, alta de 44,83% em um ano. O segmento respondeu por aproximadamente 88% de todo o volume financeiro movimentado durante os nove dias de feira no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O desempenho ficou acima das projeções apresentadas antes e durante o evento. Representantes da indústria trabalhavam com a possibilidade de vendas próximas de R$ 4 bilhões em máquinas. O resultado final ultrapassou essa referência em cerca de R$ 1,46 bilhão.
A reação é relevante porque a compra de uma máquina representa uma decisão de investimento de longo prazo. Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e equipamentos de precisão não atendem apenas à expansão das lavouras. Também permitem reduzir perdas, economizar insumos, executar as operações dentro da janela ideal e aumentar a produtividade.
Parte da procura está relacionada à necessidade de renovação da frota. Produtores que adiaram a substituição de equipamentos voltaram a avaliar compras, especialmente diante da perspectiva de recuperação dos preços de grãos e da valorização da pecuária. A proximidade da implantação da safra de verão também ajudou a colocar tecnologia e capacidade operacional no centro das decisões.
A Massey Ferguson levou 11 lançamentos à Expointer, com atenção especial aos equipamentos destinados à agricultura familiar. A empresa identificou demanda entre produtores profissionalizados que mantiveram o planejamento de médio prazo e precisam ampliar a eficiência das propriedades.
A CNH, controladora das marcas New Holland e Case IH, também utilizou a feira para reforçar suas soluções financeiras e apresentar tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. As condições oferecidas incluíram consórcios e linhas do Plano Safra, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Alimentos (Pronaf Mais Alimentos), o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e sua modalidade destinada ao médio produtor.
Além das linhas bancárias tradicionais, consórcios, cooperativas, financiamento das próprias fabricantes e operações de troca de insumos ou equipamentos por parte da produção ampliaram as possibilidades de negociação. A combinação dessas modalidades permitiu adequar prazos e pagamentos ao fluxo de receita de diferentes propriedades.
O resultado não ficou restrito às máquinas. O setor automobilístico movimentou R$ 668,75 milhões durante a feira. As vendas de animais alcançaram R$ 21,99 milhões, avanço de 21,02% em comparação com 2025. Ao todo, 7.926 animais foram inscritos para exposições, julgamentos e competições.
O Pavilhão da Agricultura Familiar registrou R$ 14,4 milhões em vendas, aumento de 5,57%. Os 509 estandes reuniram empreendimentos de 216 municípios gaúchos, entre agroindústrias, produtores de plantas e flores, artesãos e cozinhas.
Das iniciativas presentes no pavilhão, 400 eram agroindústrias familiares, 74 atuavam no artesanato e 28 comercializavam plantas, mudas e flores. A feira também reuniu 265 empreendimentos conduzidos por jovens, 179 liderados por mulheres e 69 com certificação orgânica.
O artesanato movimentou outros R$ 2,11 milhões. Entre os expositores estavam empreendimentos indígenas e quilombolas, ampliando a presença de diferentes formas de produção e geração de renda dentro do espaço destinado à agricultura familiar.
A movimentação econômica foi acompanhada por um público de 938.470 visitantes. Somente no domingo (6), último dia do evento, 144.516 pessoas passaram pelo parque. A presença de consumidores urbanos, famílias, estudantes e profissionais do setor reforçou a função da Expointer como ligação entre o campo, a indústria e as cidades.
Os números mostram uma feira com crescimento distribuído entre diferentes segmentos. O avanço mais forte das máquinas revela confiança na continuidade da produção e na busca por ganhos de eficiência, enquanto os resultados da agricultura familiar, dos animais e dos veículos demonstram que a movimentação alcançou propriedades de diferentes portes.
Mais do que contabilizar propostas e contratos, a Expointer funcionou como uma vitrine das decisões que deverão aparecer nas próximas safras. A renovação de equipamentos, a adoção de novas tecnologias e a procura por soluções financeiras indicam que parte dos produtores voltou a planejar investimentos.
A próxima edição terá caráter histórico. A 50ª Expointer será realizada de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027, novamente no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. A feira chegará aos 50 anos depois de encerrar 2026 com R$ 6,2 bilhões em negócios e um sinal positivo de confiança no futuro do campo.
Fonte: Pensar Agro
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