RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Expocacau começa terça com meta de ampliar negócios e produtividade

Publicados

AGRONEGÓCIO

A segunda edição da Expocacau começa na próxima terça-feira (25.08), em Ilhéus (cerca de 315 quilômetros da capital, Salvador), na Bahia, com a expectativa de superar os R$ 240 milhões movimentados na estreia e receber mais de 8 mil visitantes. A feira ocorre até quinta-feira (27), no Centro de Convenções do município, com entrada gratuita.

O evento reunirá produtores, indústrias, compradores e fornecedores de máquinas, irrigação, mudas, insumos, crédito e serviços. A programação ocorre em um momento de recuperação da produção brasileira, mas também de desafios para elevar a produtividade, reduzir a dependência de amêndoas importadas e ampliar a participação do País no mercado internacional.

A escolha de Ilhéus reforça a importância histórica e econômica do sul da Bahia para a cacauicultura. Embora o Pará ocupe atualmente a liderança nacional em volume, a Bahia ainda concentra a maior área cultivada, boa parte da indústria processadora e uma cadeia formada por milhares de pequenos produtores.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que o Brasil produzirá aproximadamente 321 mil toneladas de amêndoas em 2026, crescimento de 8,9% sobre o ano anterior. Pará e Bahia respondem por mais de 90% desse volume.

A produção paraense está projetada em cerca de 162 mil toneladas, equivalente à metade da safra brasileira. Na Bahia, a estimativa alcança 137,4 mil toneladas, avanço de 15,4% sobre 2025 e participação próxima de 43% na produção nacional.

Os números também evidenciam o desafio baiano. O Estado reúne quase 70% da área produtiva do País, mas responde por menos da metade da colheita. A diferença mostra o espaço existente para recuperação de lavouras, renovação de plantas, controle de doenças, irrigação, melhoramento genético e adoção de manejo mais eficiente.

Leia Também:  Mercado de NPK registra virada nos preços no Brasil, aponta analista

No mercado mundial, o Brasil ocupou a sexta posição entre os produtores no ciclo 2024/25, segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês), com participação estimada em 4,5%. Costa do Marfim manteve ampla liderança, seguida por Gana, Equador, Nigéria e Camarões.

Apesar de estar entre os maiores produtores, o Brasil ainda precisa importar amêndoas para abastecer seu parque industrial. Em 2025, as compras externas chegaram a 42,1 mil toneladas, crescimento de 65,2%. A indústria recebeu 186,1 mil toneladas da produção nacional e processou 195,9 mil toneladas ao longo do ano.

O quadro começou a melhorar em 2026. O recebimento de amêndoas nacionais cresceu 63,4% no primeiro semestre, para 95,1 mil toneladas. Com maior oferta interna e demanda industrial mais fraca, as importações caíram 57,1%, para 18,1 mil toneladas. Pela primeira vez em quatro anos, o País passou um trimestre inteiro sem importar amêndoas.

A recuperação ainda não se refletiu na mesma proporção na indústria. A moagem alcançou 101,4 mil toneladas no primeiro semestre, alta de apenas 3,6% e volume quase 20% inferior ao registrado antes da crise de oferta.

O Brasil exporta principalmente produtos processados, e não a matéria-prima. Em 2025, os embarques de derivados, como manteiga, pasta, torta e pó de cacau, somaram 52,95 mil toneladas, crescimento de 5,4%. Argentina, Estados Unidos e Países Baixos foram os principais compradores.

Leia Também:  Bolsas globais operam com volatilidade enquanto Ibovespa mantém trajetória próxima das máximas históricas

No primeiro semestre de 2026, as exportações de derivados recuaram 7%, para 26,7 mil toneladas. A Argentina respondeu por 45% dos embarques, seguida pelos Estados Unidos, com 19%, e pelo Chile, com 9%. As vendas externas de amêndoas permaneceram residuais, com apenas 274 toneladas.

A Expocacau pretende aproximar o produtor das tecnologias necessárias para elevar a oferta e a qualidade. A feira terá mais de 60 estandes com equipamentos, tratores, drones, sistemas de irrigação, nutrição vegetal, proteção de cultivos, crédito, certificação e soluções para pós-colheita.

A programação inclui a oitava edição do Fórum Anual do Cacau, com debates sobre manejo de pragas e doenças, fertilidade do solo, irrigação, qualidade das amêndoas, mercado e rentabilidade. O evento também sediará o quinto Encontro Nacional de Viveiristas de Cacau e uma arena com palestras técnicas durante os três dias.

Outro tema será a renovação das lavouras cultivadas no sistema cabruca, no qual os cacaueiros crescem sob a sombra de árvores da Mata Atlântica. A recuperação dessas áreas pode ampliar a produção sem abertura de novas áreas, preservando a cobertura florestal e agregando valor ambiental às amêndoas.

Serviço

Evento: Expocacau 2026
Data: 25 a 27 de agosto
Horário: das 9h às 19h
Local: Centro de Convenções de Ilhéus
Endereço: Avenida Soares Lopes, 1.597, Centro, Ilhéus (BA)
Entrada: gratuita, com inscrição antecipada recomendada
Inscrições: site da Expocacau — expocacau.com.br

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

“Mal do olho” custa R$ 1,6 bilhão por ano nos EUA e não tem dados no Brasil

Publicados

em

Por

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) liderou a descoberta de uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina, doença que causa prejuízo anual estimado em R$ 1,6 bilhão à pecuária dos Estados Unidos. Conhecida no campo como cerato, “mal do olho” ou pinkeye, a enfermidade reduz o ganho de peso, eleva os gastos com tratamento e pode desvalorizar os animais.

Ainda não existe estimativa consolidada sobre os prejuízos causados pela doença no Brasil. A escassez de informações epidemiológicas é um dos motivos para o avanço das pesquisas destinadas a identificar os agentes envolvidos e desenvolver formas mais eficientes de diagnóstico, prevenção e controle.

A nova bactéria foi batizada de Moraxella tarda. O microrganismo foi isolado da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam os primeiros sinais da enfermidade em uma propriedade de corte no bioma Pampa, no Rio Grande do Sul.

O trabalho foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo. O estudo foi publicado em julho na revista científica Current Microbiology.

A doença raramente provoca a morte, mas pode comprometer o desempenho econômico do rebanho. Dados de pesquisas norte-americanas indicam que animais afetados podem deixar de ganhar entre 13,6 e 18,1 quilos devido à dor, à redução do consumo de alimentos e à dificuldade para localizar água e pastagem.

Nos casos mais graves, o impacto é maior. Bezerros com apenas um olho comprometido podem perder cerca de 9 quilos em relação aos animais sadios. Quando os dois olhos são atingidos, a diferença pode se aproximar de 30 quilos ao longo de 205 dias.

Leia Também:  Nestlé amplia agricultura regenerativa para cereais e reduz emissões em mais de 20%

A conta também inclui medicamentos, atendimento veterinário e mão de obra para separar, conter e tratar os animais. Cicatrizes na córnea, deformações ou perda da visão podem reduzir o valor dos bovinos na comercialização e, em determinadas situações, levar ao descarte antecipado.

Na pecuária leiteira, o desconforto e a redução da ingestão de alimento podem afetar a produção. Em rebanhos de corte, a menor evolução de peso compromete o resultado principalmente quando a doença atinge bezerros próximos da desmama. Durante surtos, a enfermidade pode alcançar grande parte dos animais jovens de um lote.

As amostras que permitiram identificar a Moraxella tarda foram coletadas em 2018 pela Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. As análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas foram aprofundadas nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, e da Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.

A comparação do material genético mostrou que a bactéria pertence ao gênero Moraxella, mas apresenta diferenças suficientes para ser classificada como uma nova espécie. O microrganismo também demonstrou crescimento lento em laboratório.

A descoberta não permite afirmar que a Moraxella tarda seja, isoladamente, a causadora da doença. A bactéria foi encontrada em animais com sinais clínicos, mas seu papel no desenvolvimento, na gravidade e na transmissão da enfermidade ainda precisará ser investigado.

Historicamente, a Moraxella bovis é considerada o principal agente da ceratoconjuntivite. Pesquisas mais recentes mostram, porém, que outras espécies podem estar presentes nos rebanhos afetados, entre elas a Moraxella bovoculi e a Moraxella oculi.

A diversidade bacteriana pode ajudar a explicar por que algumas vacinas não apresentam a mesma eficácia em todas as propriedades. Produtos desenvolvidos contra uma ou poucas espécies podem oferecer proteção limitada em rebanhos nos quais circulam agentes diferentes.

Leia Também:  Exportações do setor batem recorde e reforçam protagonismo mundial

“Essa descoberta é importante para termos vacinas polivalentes que possam, com a seleção de animais mais resistentes e com outras estratégias de manejo, controlar efetivamente a doença”, afirma o pesquisador da Embrapa Fernando Cardoso, um dos autores do trabalho.

Amostras da nova espécie foram depositadas em coleções de referência na Bélgica, em Portugal e no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. O procedimento permite que outros centros de pesquisa tenham acesso à mesma linhagem para realizar novos estudos e comparar resultados.

A complexidade da doença já havia sido observada em um surto entre novilhas da raça Holandesa no Campo Experimental da Embrapa Gado de Leite, em Coronel Pacheco, Minas Gerais. A enfermidade atingiu 72% do lote.

Os exames identificaram a presença conjunta de Moraxella bovoculi e, pela primeira vez no Brasil, de Moraxella oculi. Nenhuma amostra da tradicional Moraxella bovis foi encontrada nas lesões, mostrando que quadros severos podem ocorrer mesmo sem o agente historicamente considerado principal.

Um novo projeto da Embrapa, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), investiga surtos em bacias leiteiras mineiras. O objetivo é mapear a diversidade bacteriana, desenvolver testes rápidos de diagnóstico e identificar alvos para vacinas capazes de proteger contra diferentes espécies.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA