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Exportação e mercado do milho brasileiro avançam em setembro, mas desafios seguem
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As exportações brasileiras de milho registraram avanço em setembro. Nos primeiros 20 dias úteis do mês, os embarques somaram 6,6 milhões de toneladas, superando em 3% o volume registrado no mesmo período de 2024, segundo dados da Secex. Na safra 2024/25, que vai de fevereiro/25 até a parcial de setembro, o total exportado alcançou 18,8 milhões de toneladas, queda de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Pesquisadores do Cepea apontam que o aumento no ritmo de embarques se deve a negócios realizados antecipadamente, já que a liquidez nos portos está mais lenta. O movimento reflete o fato de que os preços em Paranaguá (PR) e Santos (SP) estão próximos dos praticados no mercado interno, reduzindo o interesse de vendedores em novas operações de exportação.
Para as próximas semanas, a perspectiva é de desaceleração nos embarques, pressionada pela entrada da safra recorde dos Estados Unidos, que intensifica a concorrência internacional.
Baixa liquidez e preços elevados mantêm mercado interno travado
O mercado de milho no Brasil segue com baixa liquidez e negociações pontuais, principalmente no Sul do país:
- Rio Grande do Sul: preços variam de R$ 67,00 a R$ 70,00/saca, com indústrias dependendo de grãos de outros estados e do Paraguai.
- Santa Catarina: diferença entre ofertas e pedidas mantém negociações paradas; produtores pedem até R$ 80,00/saca, enquanto ofertas não passam de R$ 70,00.
- Paraná: pedidas chegam a R$ 75,00/saca, mas ofertas industriais não superam R$ 70,00 CIF.
- Mato Grosso do Sul: preços estão entre R$ 48,00 e R$ 53,00/saca, com baixa movimentação devido à retenção de lotes pelos produtores.
Segundo a TF Agroeconômica, a disparidade entre preços oferecidos e demandas mantém o mercado spot praticamente parado, e muitos produtores adiam vendas para revisar estratégias para o ciclo 2025/26.
Cenário externo pressiona preços e influência no mercado brasileiro
O mercado internacional de milho também impacta o Brasil. Embora haja expectativa de recuperação lenta no segundo semestre, os baixos preços externos limitam ganhos para os produtores nacionais. Entre os fatores que sustentam o mercado estão:
- Relutância dos agricultores norte-americanos em aceitar preços atuais, limitando parte da oferta.
- Ritmo sólido de exportações brasileiras, que oferece suporte ao mercado interno.
Por outro lado, a colheita acelerada e abundante nos EUA, combinada com condições climáticas favoráveis, projeta uma safra recorde de cerca de 420 milhões de toneladas, acima das estimativas anteriores, pressionando preços internacionais.
No Brasil, os embarcques acumulados do ano estão 12% menores em volume e 10% em receita, segundo o Ministério da Economia. Apesar da recuperação em setembro, os preços nacionais permanecem cerca de US$ 10/t acima dos valores americanos nos principais destinos, devido à queda acentuada na CBOT.
Ajustes no mercado futuro e físico refletem cautela dos produtores
No mercado futuro da B3, os contratos de milho registraram movimentos distintos nesta semana:
- Safra atual (nov/25): fechou a R$ 65,98, queda semanal de R$ 0,24.
- Safra jan/26: encerrou em R$ 68,48, baixa de R$ 0,61 na semana.
- Safra mar/26: R$ 70,94, recuo semanal de R$ 0,91.
No mercado físico, o indicador Cepea apontou alta de 0,31% no dia e 0,67% na semana, impulsionada pela demanda das fábricas de etanol. No entanto, muitos produtores continuam retendo lotes à espera de preços mais atrativos.
Em Chicago, o milho encerrou a semana em baixa: o contrato de dezembro caiu 0,65%, a US$ 419,00/bushel, enquanto o de março recuou 0,51%, a US$ 435,75/bushel. A paralisação parcial do governo dos EUA reduziu a transparência dos relatórios do USDA, reforçando a cautela entre investidores.
Conclusão
O mercado de milho brasileiro atravessa um período de recuperação lenta, com exportações em alta recente, mas baixa liquidez interna e forte competição externa limitando ganhos. Produtores mantêm postura cautelosa, enquanto a colheita recorde nos EUA pressiona preços e influencia as estratégias de venda no Brasil.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Primavera chega terça com previsão de safra recorde mesmo sob ameaça de el niño histórico
A primavera começa na noite de terça-feira (22.09) com o plantio da soja 2026/27 já em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A nova estação encontra o campo sob condições bastante diferentes: enquanto áreas do Sul enfrentam chuva frequente e risco de temporais, parte do Centro-Oeste ainda aguarda umidade suficiente no solo para ampliar a semeadura com segurança.
Nos próximos dias, uma frente fria deve manter o tempo instável no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com possibilidade de chuva volumosa, rajadas de vento e granizo. A instabilidade também poderá alcançar Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, Goiás e no interior do Nordeste, a tendência ainda é de calor, baixa umidade e precipitações mais irregulares.
Para o produtor, a principal preocupação não é apenas saber se vai chover, mas se haverá água suficiente no perfil do solo para sustentar a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas. Pancadas isoladas podem molhar apenas a superfície e estimular uma semeadura prematura, seguida por vários dias de calor e tempo seco.
O plantio da safra 2026/27 começa sob um dos cenários climáticos mais contrastantes dos últimos anos. Prognóstico divulgado nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica chuva abaixo da média no Centro-Norte do país e excesso de precipitação no Sul durante a primavera. O El Niño deverá exercer forte influência, mas não será o único fenômeno capaz de determinar onde, quando e com qual intensidade vai chover.
A primavera começa às 21h05 de terça-feira (22), quando a semeadura da soja já estará em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, crescimento de 1,3% sobre o ciclo anterior. O resultado dependerá, em grande medida, da distribuição das chuvas durante a implantação das lavouras.
O prognóstico oficial para outubro, novembro e dezembro aponta déficit de precipitação no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. No sentido oposto, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso apresentam condições favoráveis à ocorrência de chuva acima da média. As temperaturas devem permanecer elevadas em praticamente todo o Centro-Oeste, com desvios de até 2 graus Celsius no norte mato-grossense.
Essa diferença dentro de uma mesma região exige decisões localizadas. No norte de Mato Grosso e de Goiás, o risco é iniciar o plantio depois de uma chuva isolada e enfrentar calor intenso ou interrupção das precipitações durante a germinação. Em Mato Grosso do Sul e nas áreas mais ao sul de Goiás e Mato Grosso, a maior disponibilidade de água pode favorecer a soja, embora volumes elevados reduzam os períodos disponíveis para a entrada das máquinas.
O Inmet e o Inpe recomendam o acompanhamento das previsões de curto prazo e da umidade armazenada no solo antes da semeadura. A precaução procura evitar falhas de emergência, formação irregular do estande e necessidade de replantio. A decisão também interfere na janela do milho e do algodão cultivados após a soja.
A estimativa preliminar da Conab aponta 49,3 milhões de hectares de soja, aumento de 1,4%, o menor crescimento percentual da área em duas décadas. A produção pode alcançar 181,6 milhões de toneladas, avanço de 0,7%. Para o milho, considerando as três safras, a projeção chega a 148 milhões de toneladas, alta de 2,8%.
O potencial produtivo existe, mas a margem para erros no calendário é menor. Se o plantio da soja atrasar no Centro-Oeste, parte do milho segunda safra poderá ser semeada fora da janela de menor risco climático. Se a implantação for antecipada sem água suficiente no solo, aumentam as despesas com sementes, combustível, mão de obra e operações de replantio.
No Sul, o problema tende a ser o excesso. O prognóstico aponta chuva acima da média nos três Estados, com acumulados que podem superar o padrão histórico do trimestre em até 200 milímetros no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A condição favorece a disponibilidade de água para as culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas pode limitar a entrada de máquinas e prejudicar a uniformidade da semeadura.
No arroz irrigado, o alerta é maior em áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos saturados e precipitações frequentes pode comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das plantas. Soja e milho também ficam expostos à compactação do solo, erosão, lixiviação de nutrientes e redução dos intervalos disponíveis para aplicações e outros manejos.
A Região Sudeste apresenta um quadro dividido. São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais podem registrar chuva acima da média, com desvios de até 100 milímetros no trimestre. As condições tendem a favorecer a implantação de soja e milho e a recomposição da umidade nos cafezais e pomares.
No norte e noroeste de Minas Gerais e no Espírito Santo, a irregularidade das chuvas, combinada às temperaturas mais altas, eleva o risco para lavouras de sequeiro. O prognóstico recomenda monitoramento diário nas áreas produtoras de soja dessas regiões. Para o café, chuvas bem distribuídas podem favorecer a florada e o pegamento; precipitações isoladas seguidas por novos períodos secos, porém, podem provocar florações desuniformes.
O cenário é mais restritivo no Norte e no Nordeste. A previsão oficial indica déficit de chuva em praticamente toda a Região Norte, com acumulados de até 200 milímetros abaixo da média em áreas de Roraima, Amazonas e Pará. No Nordeste, também predominam volumes inferiores ao padrão histórico, acompanhados por temperaturas que podem superar a média em cerca de 2 graus.
No Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a irregularidade das chuvas pode atrasar a semeadura e elevar a demanda de água durante a emergência e o desenvolvimento inicial. Nas propriedades irrigadas, temperaturas maiores aumentam o consumo hídrico. Nas áreas de sequeiro, o risco está na grande diferença de volumes entre localidades próximas e até dentro de uma mesma fazenda.
A preocupação com o El Niño tem base concreta. Segundo a nota técnica conjunta do Inmet e do Inpe, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em 98% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A projeção considera a possibilidade de a temperatura na região de referência do Pacífico ficar pelo menos 2 graus acima do normal.
A própria avaliação oficial, contudo, adverte que um El Niño mais intenso não produz automaticamente perdas mais graves. O efeito regional depende da interação entre oceano e atmosfera e da atuação de outros sistemas climáticos.
Entre esses fatores estão o Dipolo do Oceano Índico (IOD), o Modo Anular Sul (SAM), também chamado de Oscilação Antártica, e a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO). Essas oscilações podem reforçar, deslocar ou reduzir os padrões normalmente associados ao El Niño. A condição do Atlântico também influencia a entrada de umidade no continente e a distribuição das precipitações no Brasil.
Na prática, isso significa que a classificação de “El Niño muito forte” não basta para orientar o plantio de uma propriedade. O produtor precisa acompanhar o comportamento regional das chuvas, o armazenamento de água no solo, a previsão para os dias seguintes e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
O escalonamento da semeadura, a utilização de cultivares com ciclos diferentes, a revisão da drenagem e a regulagem das máquinas ajudam a reduzir a exposição. No Centro-Norte, o cuidado é não confundir uma pancada isolada com o estabelecimento definitivo do período chuvoso. No Sul, a prioridade é aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em áreas excessivamente úmidas.
A nova temporada começa com perspectiva de outra colheita recorde, mas o volume final não será definido apenas pela força do El Niño. A combinação entre Pacífico, Atlântico, Oceano Índico e circulação atmosférica deverá produzir riscos diferentes entre regiões e até dentro de um mesmo Estado. Mais do que seguir um único indicador, o produtor terá de ajustar o calendário ao que efetivamente ocorrer em sua área.
Fonte: Pensar Agro
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