AGRONEGÓCIO
Exportações de arroz brasileiro mantêm estabilidade no terceiro trimestre, mas receita cai 33%
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O Brasil encerrou o terceiro trimestre de 2025 com estabilidade nas exportações de arroz, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país embarcou 464,2 mil toneladas (base casca) entre julho e setembro, volume semelhante às 473,2 mil toneladas registradas em 2024.
Apesar da estabilidade em volume, a receita das exportações caiu 33,6%, somando US$ 126,2 milhões. O recuo foi influenciado pela forte desvalorização dos preços internacionais, resultado da atuação agressiva de grandes exportadores globais, como Índia, Tailândia e Vietnã, que ampliaram a oferta no mercado e pressionaram as cotações mundiais.
Senegal, Venezuela e Peru lideram as compras do arroz brasileiro
De acordo com Gustavo Trevisan, diretor de Assuntos Internacionais da Abiarroz, a manutenção do volume exportado demonstra a resiliência do setor, mesmo diante de um cenário de preços deprimidos.
Os principais destinos do arroz brasileiro no trimestre foram Senegal, Venezuela e Peru, que juntos representaram 61,7% do total em valor, com predominância do arroz beneficiado nas exportações.
Importações caem 8,6% em volume e quase 47% em valor
Nas importações, o Brasil adquiriu 406,6 mil toneladas de arroz (base casca), ao custo de US$ 112 milhões no mesmo período. O resultado representa uma queda de 8,6% em volume e de 46,8% em valor em relação ao terceiro trimestre de 2024.
A maior parte das compras — 95,6% do total — foi de arroz beneficiado, evidenciando o predomínio dessa categoria no comércio internacional do cereal.
Projeto Brazilian Rice amplia presença global do arroz nacional
Com o objetivo de expandir mercados e promover o arroz brasileiro no exterior, a Abiarroz intensificou suas ações internacionais em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do projeto Brazilian Rice.
Em 2025, a entidade participou da Foodex Saudi Expo, em Riade, e já se prepara para representar o Brasil na U.S. Private Label Trade Show, que ocorrerá em novembro, nos Estados Unidos.
Desde 2012, o programa Brazilian Rice já levou o arroz nacional a mais de 100 destinos internacionais, apoiando mais de 30 indústrias e cooperativas do setor na ampliação de suas exportações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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