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Falta de chuva compromete lavouras de milho em Mafra (SC) e produtividade pode cair até 25%

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Seca afeta lavouras e reduz potencial produtivo

As lavouras de milho da safra de verão 2025/26 em Mafra, no Planalto Norte de Santa Catarina, enfrentam dificuldades devido à escassez de chuvas entre dezembro e janeiro. A região, que conta com 10 mil hectares cultivados, apresenta, em sua maioria, condições regulares a ruins, segundo informações da Cooperativa de Produção e Consumo Concórdia (Copérdia), responsável por cerca de 2.500 hectares na área.

De acordo com o departamento técnico da Copérdia, apenas 20% das lavouras estão em boas condições, enquanto 20% são consideradas regulares e 60% apresentam aspecto ruim. A estiagem afetou o desenvolvimento das plantas, e a expectativa é de queda de até 25% na produtividade média, que inicialmente era estimada em 10.200 quilos por hectare.

Estágio das plantações e expectativa com a volta das chuvas

Atualmente, cerca de 2% das lavouras estão em crescimento vegetativo, 18% em fase de floração, 40% em enchimento de grãos e outros 40% em maturação. A previsão meteorológica traz certo alívio: chuvas de até 15 milímetros são esperadas para os próximos dias, com possibilidade de precipitações mais leves na sequência.

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Segundo a Copérdia, o retorno das chuvas pode ajudar a minimizar parte das perdas, especialmente nas lavouras ainda em fases intermediárias. A colheita deve ter início no final de fevereiro, caso as condições climáticas se confirmem favoráveis.

Panorama estadual aponta leve crescimento na área plantada

De acordo com levantamento da Safras & Mercado, o cultivo de milho em Santa Catarina deve alcançar 606,8 mil hectares na safra 2025/26, representando avanço de 4,1% em relação aos 583,1 mil hectares da temporada anterior.

A produção estadual é estimada em 4,45 milhões de toneladas, acima das 4,10 milhões registradas em 2024/25. Já a produtividade média esperada é de 7.340 quilos por hectare, superando os 7.040 quilos obtidos no ciclo anterior — embora a estiagem em regiões como Mafra possa reduzir parte desse ganho.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

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A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

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O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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