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Fed mantém juros e sinaliza cautela com inflação em meio a tensões geopolíticas e alta do petróleo

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O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, deve optar por manter a taxa de juros inalterada na reunião desta quarta-feira, em um ambiente marcado por pressões inflacionárias e tensões geopolíticas crescentes. O encontro também ganha relevância por poder ser o último sob a liderança de Jerome Powell à frente da instituição.

A expectativa do mercado é de continuidade da política monetária restritiva, diante da combinação de inflação ainda acima da meta e um mercado de trabalho resiliente. O avanço recente nos preços do petróleo, impulsionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, adiciona um novo fator de preocupação para os formuladores de política econômica.

Petróleo pressiona inflação global

O aumento expressivo nas cotações do petróleo tem sido um dos principais vetores de risco. Com o fechamento do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de energia — os preços da commodity voltaram a superar a faixa dos US$ 110 por barril, ante níveis próximos de US$ 70 antes da intensificação do conflito.

Esse movimento reacende o temor de que o choque energético deixe de ser pontual e passe a contaminar a inflação estrutural, exigindo uma postura mais rígida do Fed por um período prolongado.

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Inflação segue acima da meta

A inflação nos Estados Unidos continua cerca de um ponto percentual acima da meta oficial de 2%, o que mantém o banco central em estado de alerta. A divulgação de novos dados nesta semana pode reforçar essa tendência de pressão inflacionária.

Diante desse cenário, cresce entre os membros da autoridade monetária a avaliação de que cortes de juros podem demorar mais do que o inicialmente previsto — ou até mesmo serem descartados no curto prazo.

Mercado reduz apostas em cortes de juros

Os agentes financeiros já ajustam suas expectativas. As projeções indicam baixa probabilidade de redução nas taxas antes de meados do próximo ano, refletindo dúvidas sobre a capacidade de uma eventual nova liderança promover mudanças na condução da política monetária.

A possível transição no comando do Fed, com Kevin Warsh sendo cotado para assumir a presidência, também entra no radar do mercado. Ainda assim, prevalece o ceticismo quanto à adoção de uma postura mais flexível no curto prazo.

Mercado de trabalho resiliente sustenta postura do Fed

Outro fator que sustenta a estratégia cautelosa é o desempenho sólido do mercado de trabalho. Dados recentes mostram crescimento robusto na geração de empregos, com a taxa de desemprego recuando para 4,3%.

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Esse cenário reforça a leitura de uma economia ainda aquecida, o que dificulta o controle da inflação e reduz o espaço para estímulos monetários.

Segundo analistas, o tom do comunicado do Fed pode se tornar levemente mais “hawkish” (inclinado a juros mais altos), refletindo a preocupação com a inflação persistente, embora sem sinalizar, neste momento, novas altas na taxa.

Atenção ao comunicado e coletiva

A decisão do Fed será divulgada às 15h (horário de Brasília), seguida pela coletiva de imprensa de Jerome Powell. O mercado estará atento não apenas à decisão em si, mas principalmente às sinalizações sobre os próximos passos da política monetária e possíveis mudanças na liderança da instituição.

Para o agronegócio e os mercados globais, a manutenção de juros elevados nos EUA tende a impactar o câmbio, o custo do crédito e os fluxos de investimento, reforçando a necessidade de monitoramento constante do cenário internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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