AGRONEGÓCIO
Futuros do milho flutuam entre altas e baixas no mercado internacional e interno
AGRONEGÓCIO
O mercado de milho inicia a quinta-feira (2) com movimentações contrastantes entre os preços internacionais e internos. Enquanto os contratos futuros em Chicago (CBOT) apresentam valorizações, a Bolsa Brasileira (B3) mostra sinais de cautela após ajustes e quedas recentes.
Milho futuro registra altas na Bolsa de Chicago
Por volta das 09h44 (horário de Brasília), os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago operavam em campo positivo:
- Maio/26: US$ 4,59 (+5 pontos)
- Julho/26: US$ 4,70 (+5,25 pontos)
- Setembro/26: US$ 4,71 (+4,50 pontos)
- Dezembro/26: US$ 4,85 (+4,50 pontos)
Segundo o site Farm Futures, o mercado reagiu à alta do petróleo e a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, sobre possíveis ações militares contra o Irã. “Os ganhos do milho foram relativamente moderados, mas os preços podem aumentar se a guerra se prolongar”, avalia Bruce Blyhte, analista da Farm Futures.
Mercado interno acompanha valorização, mas fecha em queda
Na B3, os preços futuros do milho iniciaram o dia em alta, com os principais vencimentos cotados entre R$ 71,70 e R$ 76,40 por volta das 10h:
- Maio/26: R$ 71,83 (+0,72%)
- Julho/26: R$ 71,70 (+0,56%)
- Setembro/26: R$ 72,39 (+0,47%)
- Janeiro/27: R$ 76,40 (+0,63%)
No entanto, o mercado fechou em baixa na quarta-feira (1), refletindo ajustes típicos de início de mês, queda do dólar e realização de lucros. A TF Agroeconômica aponta que o avanço do plantio da segunda safra e a entrada do milho da primeira safra reduziram a pressão compradora. Os fechamentos na B3 foram:
- Maio/26: R$ 71,32 (-R$ 1,58)
- Julho/26: R$ 71,30 (-R$ 1,10)
- Setembro/26: R$ 72,05 (-R$ 0,83)
Cenário do milho físico segue limitado
No mercado físico, a liquidez segue baixa em várias regiões do país:
- Rio Grande do Sul: preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, com valor médio estadual em R$ 57,50;
- Santa Catarina: descompasso entre ofertas e pedidas mantém os negócios limitados;
- Paraná: mercado travado, com indicações próximas de R$ 70,00 por saca e demanda em torno de R$ 60,00;
- Mato Grosso do Sul: preços variam entre R$ 49,00 e R$ 58,00, sustentados parcialmente pelo setor de bioenergia.
Analistas destacam que, apesar de oscilações e incertezas, a alta internacional do milho e fatores geopolíticos podem influenciar novos ajustes nos próximos dias, tornando o mercado interno mais volátil.
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro
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