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Índia deve dobrar exportações de açúcar para equilibrar mercado interno diante de menor produção de etanol

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Redução na produção de etanol aumenta excedente de açúcar

A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, deverá dobrar suas exportações do produto nesta nova temporada, segundo autoridades do setor ouvidas pela Reuters nesta quinta-feira (6).

A decisão é motivada pela menor destinação de cana para o etanol, o que deve gerar maior volume disponível de açúcar no mercado interno.

De acordo com estimativas da Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA), a produção líquida de açúcar no país para a safra 2025/26, iniciada em 1º de outubro, deve atingir 30,95 milhões de toneladas, mesmo após o redirecionamento de 3,4 milhões de toneladas para o etanol. O volume representa alta de 18,5% em relação à temporada anterior.

Exportações podem alcançar 2 milhões de toneladas

O diretor-geral da ISMA, Deepak Ballani, afirmou que o setor projeta exportar até 2 milhões de toneladas de açúcar neste ciclo.

“Estamos prevendo a saída de até 2 milhões de toneladas de açúcar do país”, destacou Ballani, ressaltando que a medida é essencial para equilibrar a oferta doméstica e evitar queda acentuada nos preços internos.

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Nos cinco anos até 2022/23, a Índia ocupou o posto de segundo maior exportador mundial de açúcar, com média anual de 6,8 milhões de toneladas embarcadas. Contudo, a seca registrada em 2023/24 levou o governo a restringir as exportações, permitindo apenas 1 milhão de toneladas no ano passado.

Menor uso de açúcar para biocombustíveis altera cenário

A ISMA havia projetado inicialmente o desvio de 4,5 a 5 milhões de toneladas de açúcar para a produção de etanol, mas apenas 28% da alocação total de biocombustível foi proveniente de matérias-primas à base de açúcar.

O restante foi destinado a usinas que utilizam outras fontes, como melaço e cereais, o que reduziu a demanda pela commodity na indústria de energia renovável.

Esse cenário abriu espaço para um excedente significativo de açúcar refinado, pressionando o governo e as cooperativas a buscarem novos destinos para o produto.

Setor pressiona por embarques antecipados

Para evitar acúmulo de estoques e aproveitar melhores preços no mercado internacional, o setor açucareiro indiano solicitou ao governo que autorize o início antecipado das exportações.

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Segundo Prakash Naiknavare, diretor administrativo da Federação Nacional das Usinas Cooperativas de Açúcar (NFCSF), a estratégia é permitir que as usinas produzam açúcar bruto mais cedo, garantindo vantagem logística antes do aumento da oferta global.

A Índia terá uma janela de aproximadamente três meses para escoar parte de sua produção antes da entrada da nova safra brasileira, que tradicionalmente exerce pressão baixista sobre os preços internacionais.

Impactos no mercado global

Caso as exportações indianas se confirmem, a entrada adicional de 2 milhões de toneladas no mercado poderá pressionar as cotações internacionais nas bolsas de Nova York e Londres, que já operam próximas das mínimas dos últimos cinco anos.

Analistas apontam, no entanto, que o equilíbrio entre oferta e demanda ainda dependerá das condições climáticas no Brasil e do ritmo de produção do etanol nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

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As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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