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Indústria brasileira de alimentos e bebidas cresce 8% em 2025 e movimenta R$ 1,39 trilhão

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A indústria brasileira de alimentos e bebidas encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,39 trilhão, resultado que representa crescimento de 8,02% em relação ao ano anterior. O valor corresponde a 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o período, evidenciando o peso do setor na economia nacional.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), que destacou o papel decisivo do mercado interno para sustentar o desempenho do setor ao longo do ano.

Mercado interno lidera faturamento do setor

De acordo com o balanço da Abia, o mercado doméstico foi o principal motor de crescimento da indústria. Do total faturado em 2025, R$ 1,02 trilhão tiveram origem no consumo interno.

Desse montante, R$ 732 bilhões foram gerados pelo varejo, enquanto o restante veio do segmento de food service, que engloba restaurantes, bares e serviços de alimentação fora do lar. Segundo a associação, esse segmento vem recuperando participação gradualmente após os impactos registrados nos últimos anos.

Consumo das famílias sustenta crescimento real das vendas

A demanda doméstica também foi fundamental para o avanço das vendas em termos reais. Em 2025, o setor registrou crescimento real de 2,2% nas vendas.

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Segundo a Abia, o resultado reflete a recomposição gradual do consumo das famílias, o aumento do consumo fora do lar e os ganhos de eficiência obtidos pelas empresas ao longo do ano.

Esses fatores ajudaram a sustentar o desempenho da indústria mesmo diante de desafios relacionados a custos de produção e ao ambiente econômico.

Exportações alcançam US$ 66,7 bilhões

No mercado internacional, a indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou crescimento de 0,7% nas exportações, que somaram US$ 66,73 bilhões em 2025.

A Ásia manteve-se como o principal destino dos produtos brasileiros, com importações que atingiram US$ 27,4 bilhões. Já os Estados Unidos compraram US$ 4,9 bilhões em alimentos e bebidas do Brasil, o que representa alta de 9,2% no período, mesmo diante das elevações tarifárias aplicadas ao setor.

Cadeia produtiva emprega mais de 10 milhões de trabalhadores

O levantamento também apontou crescimento no número de empregos gerados pela indústria. Em 2025, o setor contou com 2,12 milhões de trabalhadores diretos, aumento de 2,4% em comparação com 2024.

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Ao considerar os empregos indiretos, a cadeia produtiva da indústria de alimentos e bebidas alcançou 10,6 milhões de postos de trabalho, o equivalente a 10,3% da força de trabalho ocupada no país, segundo a Abia.

Perspectivas para 2026 indicam expansão moderada

Para 2026, a Abia projeta crescimento real das vendas entre 2% e 2,5%, impulsionado principalmente pelo mercado interno e por uma recuperação gradual da demanda internacional.

A geração de empregos também deve continuar avançando, com expectativa de alta entre 1% e 1,5%.

De acordo com o presidente executivo da Abia, João Dornellas, o cenário econômico tende a oferecer condições mais previsíveis para o setor.

“Em 2026, a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento. Ainda haverá desafios, especialmente do lado dos custos, mas o setor entra nesse ciclo com bases sólidas para crescer de forma sustentável, gerar empregos e seguir cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do país”, afirmou.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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