AGRONEGÓCIO
Interior de São Paulo concentra as terras rurais mais caras do Brasil, aponta levantamento
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Um levantamento realizado pelo Chãozão, plataforma especializada em anúncios de propriedades rurais, revela que o interior paulista abriga algumas das terras agrícolas mais valorizadas do país. O estudo destaca o potencial da região tanto para a agropecuária quanto para investimentos ligados ao lazer e ao mercado imobiliário.
Campinas lidera com hectare acima de R$ 330 mil
De acordo com o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH), Campinas ocupa a primeira posição no Estado de São Paulo, com preço médio de R$ 332.881,50 por hectare. A valorização é atribuída à proximidade com a capital, infraestrutura logística robusta e à demanda crescente por propriedades de uso multifuncional.
Na sequência, aparecem Franca (R$ 296.575,79) e Avaré (R$ 139.815,26), reforçando a diversidade dos polos de valorização. O ranking também inclui Araraquara, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Itapeva, Presidente Prudente, Araçatuba, Barretos e Piracicaba, com valores que variam entre R$ 80,5 mil e R$ 128 mil por hectare.
Mercado movimenta R$ 65 bilhões em ofertas
O levantamento identificou 2.535 propriedades rurais disponíveis para venda no interior paulista, somando um Valor Geral de Vendas (VGV) de aproximadamente R$ 65 bilhões.
Entre as cidades com maior número de ofertas, destacam-se:
- São José dos Campos: 202
- Itapetininga: 151
- Paraibuna: 99
- Tatuí: 84
- Santana de Parnaíba: 61
- Angatuba: 59
- São Miguel Arcanjo: 55
- Monteiro Lobato: 51
- Araçoiaba da Serra: 49
- Valinhos: 48
- Sorocaba: 44
Demanda vai além da agricultura
Segundo Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão, a valorização reflete não apenas a força da produção agrícola, mas também o impacto do desenvolvimento urbano e industrial.
“O interior paulista é um mercado singular, que combina tradição no agronegócio, presença de grandes usinas sucroalcooleiras, pecuária consolidada e o interesse de investidores em diversificação patrimonial”, afirma.
Tendência de valorização deve continuar
A pesquisa indica que o mercado de terras rurais em São Paulo deve seguir aquecido, impulsionado por fatores como:
- estabilidade do agronegócio;
- demanda crescente por alimentos e biocombustíveis;
- busca de investidores por ativos reais em cenário de juros elevados;
- escassez de áreas agrícolas de qualidade;
- interesse em projetos ligados à sustentabilidade, crédito de carbono e uso misto (agrícola e imobiliário).
Ranking do valor médio do hectare no interior paulista
- Campinas – R$ 332.881,50
- Franca – R$ 296.575,79
- Avaré – R$ 139.815,26
- Araraquara – R$ 128.091,24
- São José do Rio Preto – R$ 125.911,49
- Ribeirão Preto – R$ 124.424,61
- Itapeva – R$ 109.791,34
- Presidente Prudente – R$ 105.523,39
- Araçatuba – R$ 103.582,14
- Barretos – R$ 96.418,73
- Piracicaba – R$ 80.533,28
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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