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IPCF sobe para 1,56 em abril e alta dos fertilizantes pressiona relação de troca no agronegócio

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O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou abril de 2026 em 1,56, refletindo um ambiente mais pressionado para o produtor rural brasileiro diante da alta dos fertilizantes no mercado internacional. O avanço dos custos dos insumos ocorreu mesmo em um cenário de valorização relevante de importantes commodities agrícolas, como soja, milho e algodão.

De acordo com os dados divulgados pela Mosaic, a elevação do indicador foi impulsionada principalmente pelo aumento médio de cerca de 10% nos preços dos fertilizantes, movimento associado às restrições globais de oferta e à maior pressão sobre matérias-primas essenciais para a indústria.

Entre os principais produtos monitorados, a ureia registrou alta de 14%, enquanto o fosfato monoamônico (MAP) avançou 10%. Já o superfosfato simples (SSP) apresentou valorização expressiva de 19%, e o cloreto de potássio (KCl) subiu 4% no período.

Segundo a análise do mercado, a escassez global de enxofre — insumo fundamental para a fabricação de fertilizantes fosfatados — segue como um dos principais fatores de sustentação dos preços internacionais. Além disso, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio contribuiu para elevar as cotações do petróleo, impactando indiretamente toda a cadeia de produção e logística do setor agrícola.

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Commodities agrícolas sustentam parcialmente o indicador

Apesar da forte pressão dos fertilizantes, a valorização das commodities agrícolas ajudou a limitar um avanço ainda maior do IPCF. A soja registrou alta de 10% no mês, enquanto o milho subiu 6% e o algodão avançou 9%.

Por outro lado, a cana-de-açúcar apresentou retração de 6% nos preços, o que reduziu parcialmente o impacto positivo das demais commodities no índice agregado.

O cenário de oferta elevada no Brasil, resultado da grande safra recentemente colhida, também contribuiu para limitar movimentos mais intensos de valorização nos preços agrícolas.

Queda do dólar ameniza custos de importação

Outro fator importante para conter parte da pressão sobre o custo dos insumos foi o comportamento do câmbio. O dólar apresentou queda de 4% em abril, reduzindo parcialmente o impacto da valorização internacional dos fertilizantes importados.

Mesmo assim, o ambiente global continua sendo monitorado com atenção pelo setor. A continuidade das tensões geopolíticas pode comprometer tanto o fluxo de importação de fertilizantes quanto as exportações do agronegócio brasileiro, ampliando os riscos de novas altas nos custos de produção nos próximos meses.

Entenda como funciona o IPCF

O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) é divulgado mensalmente pela Mosaic e mede a relação entre os preços dos fertilizantes e das principais commodities agrícolas produzidas no Brasil.

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A metodologia utiliza como base o ano de 2017. Quanto menor o índice, mais favorável é a relação de troca para o produtor rural.

O cálculo considera culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como soja, milho, açúcar, etanol de cana-de-açúcar e algodão.

Metodologia do índice

Os preços dos fertilizantes nos portos brasileiros são calculados com base nos levantamentos da consultoria internacional CRU. Já os preços das commodities agrícolas utilizam médias do mercado brasileiro em dólar, considerando dados publicados pela Agência Estado e pelo Cepea.

O índice de fertilizantes inclui os preços de MAP, SSP, ureia e KCl, ponderados conforme sua participação no consumo nacional. Já o índice das commodities considera soja, milho, açúcar, etanol e algodão, também ponderados pelo uso de fertilizantes em cada cultura.

O câmbio possui peso relevante na composição do IPCF, sendo considerado em 70% dos custos dos fertilizantes e em 85% das receitas geradas pelas commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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