AGRONEGÓCIO
JBS destaca nutrição funcional e proteínas de alto valor como motores de crescimento do setor
AGRONEGÓCIO
Mudança no consumo impulsiona mercado de proteínas
O crescimento da demanda global por proteínas está cada vez mais ligado a uma transformação estrutural nos hábitos de consumo. A avaliação é do CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, durante o 12º Brazil Investment Forum, realizado em São Paulo.
Segundo o executivo, fatores como segurança alimentar, mudanças demográficas e busca por alimentos mais nutritivos estão redefinindo o mercado.
“Estamos diante de uma transformação consistente no padrão de consumo, com mais foco em saúde, energia e qualidade de vida”, afirmou.
Brasil ganha protagonismo no abastecimento global
De acordo com Tomazoni, o Brasil deve desempenhar papel central na expansão do consumo global de proteína, impulsionado por sua escala produtiva, eficiência e avanços tecnológicos no campo.
O executivo destacou que, mesmo com o aumento de investimentos em produção local em regiões como o Oriente Médio, o país segue essencial para o equilíbrio da oferta global.
“A produção local é uma realidade, mas isso não elimina o papel do Brasil, já que não é possível atender totalmente a demanda apenas com produção interna”, explicou.
Vantagens competitivas fortalecem o setor pecuário
Entre os diferenciais brasileiros, Tomazoni ressaltou o fato de o país possuir o maior rebanho comercial bovino do mundo, além de ainda apresentar amplo potencial de crescimento em produtividade.
Avanços em áreas como genética, nutrição e manejo devem ampliar a eficiência da produção e garantir competitividade no longo prazo.
“O Brasil vai dar as cartas na carne bovina, porque tem rebanho, área e grande potencial de ganho produtivo”, afirmou.
Nutrição funcional abre nova frente de crescimento
O CEO da JBS também apontou o avanço das chamadas proteínas de maior valor agregado, voltadas à nutrição funcional, como uma nova fronteira para o setor.
Esses produtos são desenvolvidos para atender demandas específicas relacionadas à saúde, bem-estar e desempenho físico, acompanhando a evolução do perfil do consumidor global.
Segundo Tomazoni, a companhia aposta tanto na expansão da proteína tradicional quanto no desenvolvimento de soluções baseadas em biotecnologia, capazes de criar compostos com funções específicas.
Investimentos em biotecnologia e inovação
Um exemplo dessa estratégia é a criação da JBS Biotech, em Florianópolis (SC), centro dedicado ao desenvolvimento de ciência aplicada à cadeia produtiva de alimentos.
A iniciativa busca agregar valor à produção e impulsionar novas soluções para o mercado.
“Existem dois caminhos: o da proteína natural, com aumento de produtividade, e o da proteína funcional”, destacou o executivo.
Diversificação como estratégia diante de cenário global
Ao final de sua participação, Tomazoni reforçou que a diversificação entre geografias, tipos de proteína e ciclos produtivos é um dos principais diferenciais da JBS.
Essa estratégia permite à companhia enfrentar um ambiente global mais volátil, mantendo competitividade e capacidade de adaptação às novas demandas do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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