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Má gestão na compra de insumos pode elevar custo do milho safrinha em até R$ 884 por hectare, aponta estudo

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A eficiência na gestão de compras pode ser tão importante quanto a produtividade no campo. Um estudo inédito do Aegro Insights mostra que produtores de milho safrinha podem gastar até R$ 884 a mais por hectare apenas por falhas na estratégia de aquisição de insumos, comprometendo significativamente a rentabilidade da atividade.

Segundo o levantamento, dois agricultores que utilizam o mesmo pacote tecnológico, cultivam na mesma região e enfrentam condições semelhantes de solo e clima podem obter resultados financeiros muito diferentes. A diferença está na forma como negociam e compram seus insumos.

Enquanto produtores mais eficientes conseguiram implementar o pacote tecnológico completo com custo a partir de R$ 1.483,68 por hectare, outros desembolsaram até R$ 2.367,80 por hectare. A diferença representa um sobrecusto de 60% no custeio da lavoura.

Diferença equivale a quase 17 sacas de milho por hectare

De acordo com os cálculos do Aegro Insights, os R$ 884,12 adicionais gastos por hectare representam o equivalente a 16,9 sacas de milho, considerando o preço médio de R$ 52,40 por saca.

Na prática, essa perda ocorre antes mesmo do início do plantio.

“É como abrir mão de quase 16% da produtividade esperada antes da plantadeira entrar na lavoura”, destaca Mathias Bergamin, engenheiro agrônomo e especialista em inteligência de mercado da Aegro.

Custo da safrinha deve permanecer estável em 2025/26

O estudo preliminar projeta uma relativa estabilidade no Custo Operacional Efetivo (COE) da safrinha 2025/26, com redução estimada entre 0,2% e 0,3% em comparação à temporada anterior.

Apesar disso, a expectativa é de que os custos finais ainda sofram ajustes ao longo dos próximos meses, especialmente em função dos gastos com operações de campo, combustível e mão de obra que ainda serão contabilizados.

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A avaliação é que o custo final da safra poderá ficar próximo ao registrado em 2025, mantendo a pressão sobre as margens dos produtores.

Fertilizante MAP registra variação superior a 188%

Entre os insumos analisados, o fertilizante fosfatado MAP chamou a atenção pela forte oscilação de preços.

O levantamento identificou uma dispersão superior a 188% nos valores praticados para o produto, refletindo tanto a sazonalidade das compras quanto o movimento de alta observado no mercado internacional, onde os preços acumulam valorização superior a 35% nos últimos dois anos.

O resultado reforça a importância do monitoramento constante das cotações globais e do planejamento antecipado das compras para aproveitar momentos mais favoráveis de mercado.

Defensivos apresentam diferenças de preços de até 91,7%

O estudo também identificou grandes variações nos preços de defensivos agrícolas comercializados no mercado brasileiro.

Entre os 13 insumos analisados, o inseticida Hero apresentou a maior dispersão de preços, alcançando 91,7%. Em seguida aparecem o Kraton, com 72,4%, e o Engeo Pleno S, com 71,5%.

Segundo a pesquisa, dois produtores da mesma região podem pagar praticamente o dobro pelo mesmo produto, dependendo da negociação realizada e do fornecedor escolhido.

Em nove dos treze insumos avaliados, a diferença entre o menor e o maior preço ultrapassou 60%.

Planejamento e cotação podem gerar economia significativa

Outro destaque do levantamento foi a identificação dos insumos mais utilizados na produção de milho safrinha.

Os cinco produtos mais presentes nas lavouras representam aproximadamente 80% do investimento total em custeio da cultura. Por isso, concentrar esforços de negociação nesses itens pode gerar ganhos expressivos para o produtor.

A pesquisa aponta ainda que muitos desses insumos costumam apresentar preços mais atrativos durante a entressafra, especialmente entre junho e setembro, período considerado estratégico para aquisição antecipada.

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De acordo com a análise, a prática de realizar cotações com diferentes revendas, cooperativas e fornecedores diretos da indústria aumenta consideravelmente as chances de obtenção dos melhores preços.

Três produtos podem gerar economia superior a R$ 440 por hectare

Entre os insumos mais utilizados na safrinha 2025/26, destacam-se o herbicida Soberan e o fungicida Fox Xpro, ambos da Bayer, além do inseticida Engeo Pleno S, da Syngenta.

Segundo os cálculos do Aegro Insights, uma negociação eficiente apenas desses três produtos pode proporcionar economia superior a R$ 440 por hectare, sem comprometer o nível tecnológico da lavoura.

Estudo analisou mais de 470 mil hectares de milho

O levantamento foi elaborado com base em notas fiscais anonimizadas de compras de insumos realizadas entre janeiro e abril de 2026.

A base de dados reúne informações de 633 safras conduzidas em 521 propriedades rurais, totalizando cerca de 470 mil hectares cultivados com milho nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais.

Os dados integram a plataforma Aegro Insights, braço de inteligência de mercado da Aegro, que utiliza informações reais de negociações para auxiliar produtores na tomada de decisões relacionadas à compra de insumos e à gestão financeira das propriedades.

Diante de um cenário de margens cada vez mais apertadas, o estudo reforça que a competitividade da produção de milho não depende apenas de produtividade, mas também da capacidade de transformar informação e planejamento em eficiência financeira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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