AGRONEGÓCIO
Mato Grosso registra recorde histórico nas exportações de carne bovina em 2025, aponta Imea
AGRONEGÓCIO
Exportações de carne bovina crescem quase 30% em Mato Grosso
O estado de Mato Grosso encerrou 2025 com um desempenho histórico nas exportações de carne bovina, segundo dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O volume exportado atingiu 978,41 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), um salto de 28,86% em relação a 2024.
A receita total somou US$ 4,11 bilhões, alta expressiva de 53,82% no comparativo anual. O preço médio da carne exportada foi de US$ 4.201,24 por tonelada, o segundo maior valor da série histórica.
China lidera as compras e amplia participação
A China manteve-se como o principal destino da carne bovina mato-grossense, com 536,96 mil toneladas exportadas, o que representa um aumento de 52,69% frente ao ano anterior. O avanço reforça o protagonismo do mercado chinês e a crescente confiança na carne brasileira.
Além do país asiático, Chile, Rússia e nações do Oriente Médio também ampliaram suas importações, contribuindo para a diversificação dos mercados de destino da carne produzida em Mato Grosso.
“Batemos recorde em abates e em exportações. Isso demonstra a força da pecuária mato-grossense e o potencial de expansão internacional do setor”, destacou Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea.
Pecuária mais intensiva impulsiona abates e produtividade
O volume de abates também cresceu, totalizando 7,46 milhões de cabeças em 2025, alta de 1,44% em relação ao ano anterior. Segundo o Imea, o avanço foi impulsionado pela maior oferta de animais terminados em sistemas intensivos, reflexo da adoção de tecnologias de nutrição e melhoramento genético.
Os abates de animais jovens (até 24 meses) somaram 3,22 milhões de cabeças, representando 17,55% de crescimento e 43,24% do total de animais abatidos no estado. “As categorias mais jovens ganharam participação, o que mostra a evolução da eficiência produtiva”, ressaltou Silva.
Escalas de abate recuam e refletem ajuste de mercado
Apesar do cenário positivo nas exportações, o tempo médio das escalas de abate apresentou recuo de 11,6%, ficando em 13,31 dias. O ajuste, segundo o Imea, acompanha o aumento da oferta de animais prontos para o abate e o ritmo atual da indústria frigorífica.
“A demanda internacional segue firme, mas a oferta ainda é elevada. A tendência é que o mercado busque um novo ponto de equilíbrio em 2026, com reflexos no preço da reposição”, avaliou o coordenador.
Preços da arroba têm leve retração, mas cenário segue favorável
O boletim do Imea registrou queda semanal de 1,11% no preço da arroba do boi gordo a prazo e de 0,42% na arroba da vaca gorda. Mesmo com o recuo, os analistas destacam que o desempenho geral do setor permanece sólido.
“Mesmo com exportações fortes e consumo doméstico aquecido, os preços não subiram como o esperado devido à ampla oferta. Ainda assim, a qualidade do rebanho e o acesso a novos mercados sustentam o otimismo para 2026”, concluiu Silva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento
O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).
A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.
Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.
A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.
O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.
As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.
Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.
Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.
Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.
Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.
Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.
Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.
O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.
Fonte: Pensar Agro
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