AGRONEGÓCIO
Mercado da soja mantém volatilidade entre cautela internacional e lentidão nas negociações internas
AGRONEGÓCIO
Soja enfrenta paralisação no mercado físico brasileiro
O mercado físico da soja segue praticamente parado em diversas regiões do Brasil, refletindo a combinação entre foco no campo e escassez de oferta, segundo dados da TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, as cotações de balcão estão ausentes, e os preços no porto foram reportados a R$ 141,00 por saca para pagamento em novembro, enquanto no interior — em municípios como Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz — as referências ficaram em R$ 131,00 por saca, registrando queda semanal de 0,76%.
Em Santa Catarina, o ritmo de negociações também é lento. Produtores e cooperativas concentram esforços na preservação do solo e monitoramento climático, à espera de uma janela de umidade que permita o avanço do plantio. No porto de São Francisco, a soja é cotada a R$ 139,72 por saca, com leve alta de 0,62%.
No Paraná, os preços apresentaram comportamento misto. Em Paranaguá, a cotação atingiu R$ 142,38 (+0,98%), enquanto Cascavel registrou R$ 128,85 (+0,16%), Maringá chegou a R$ 130,90 (+0,15%) e Ponta Grossa, R$ 132,63 (+0,59%) por saca FOB. No balcão de Ponta Grossa, o valor médio foi de R$ 120,00 por saca.
O Mato Grosso do Sul segue com o menor índice de comercialização antecipada da safra 2025/26 entre os grandes estados produtores. Mesmo com o câmbio favorável, o risco climático tem predominado sobre as decisões de venda. Em Dourados, Campo Grande, Maracaju e Sidrolândia, a soja é negociada a R$ 125,13 (+0,59%), enquanto em Chapadão do Sul o preço ficou em R$ 121,48 (+0,39%).
Já no Mato Grosso, maior produtor nacional, o clima adverso tem sustentado prêmios no mercado físico. As cotações subiram em praças como Lucas do Rio Verde (R$ 119,53, +1,38%), Nova Mutum (R$ 119,53, +1,38%), Sorriso (R$ 119,43, +1,30%) e Rondonópolis (R$ 122,43, +0,58%). O cenário reflete a percepção de que o déficit hídrico ainda é o principal fator de precificação, superando a influência cambial.
Chicago mantém volatilidade e aguarda boletim do USDA
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços da soja voltaram a subir nesta quarta-feira (12), mas o mercado segue operando com cautela. Os contratos futuros avançaram entre 3,25 e 5,25 pontos, com o vencimento de janeiro sendo negociado a US$ 11,32 por bushel e o de maio a US$ 11,52 por bushel.
De acordo com analistas, o mercado deve permanecer oscilando entre US$ 11,20 e US$ 11,60, até a divulgação do novo boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), prevista para sexta-feira, 14 de novembro. As expectativas apontam para possíveis cortes na produção e produtividade da safra 2025/26 norte-americana, o que poderia dar suporte adicional aos preços.
Apesar da recente estabilidade, a falta de novas compras chinesas de soja americana e o foco do mercado no clima do Brasil mantêm o cenário incerto. As chuvas registradas nos últimos dias trouxeram algum alívio para regiões produtoras, mas o quadro ainda inspira atenção.
Soja fecha mista em Chicago à espera do relatório WASDE
Na terça-feira (11), o mercado internacional encerrou o dia com movimentos mistos e poucas novidades sobre a demanda chinesa. O contrato de novembro caiu 0,25%, para 1.113,25 centavos de dólar por bushel, e o de janeiro recuou 0,24%, a 1.127,25 centavos.
Entre os derivados, o farelo de soja para dezembro caiu 0,97%, negociado a US$ 316,9 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja subiu 1,03%, alcançando 51,10 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo a TF Agroeconômica, o comportamento técnico dominou o pregão, com o mercado reagindo à ausência de novas compras da China. Enquanto isso, o Brasil mantém ritmo acelerado de comercialização, impulsionado pela valorização do real e pela competitividade nos portos, fatores que reduzem a atratividade da soja norte-americana no mercado internacional.
Nos Estados Unidos, o foco segue na venda interna, com produtores liberando estoques para abrir espaço de armazenagem antes da nova safra. A expectativa em torno do relatório WASDE é alta, já que o documento poderá redefinir as projeções de estoques e exportações globais, influenciando o equilíbrio entre oferta e demanda nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco lança projeto que fortalece identidade e pertencimento entre estudantes da rede municipal
-
FAMOSOS6 dias atrásAngélica reflete sobre prioridades e destaca importância do autocuidado na rotina
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásCálculo bovino que vale mais que ouro ganha acesso ao mercado chinês
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco participa da entrega de kits esportivos do Projeto Esporte Total
-
POLÍTICA NACIONAL4 dias atrásCongresso tem 32 medidas provisórias para serem votadas
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásPrefeitura de Rio Branco terá espaço ampliado e gabinete instalado durante a Expoacre
-
FAMOSOS6 dias atrásGabriele Miranda e Endrick celebram chá de bebê do primeiro filho com festa luxuosa
-
AGRONEGÓCIO4 dias atrásSIAVS reúne cadeias que exportam mais de R$ 160 bilhões