AGRONEGÓCIO
Mercado da soja opera sob incertezas, com clima e demanda chinesa no radar dos produtores
AGRONEGÓCIO
O mercado da soja segue pressionado por incertezas climáticas e produtivas, o que tem levado produtores a reter a oferta e sustentar os preços, especialmente na região Sul do Brasil. Segundo dados da TF Agroeconômica, no Rio Grande do Sul, os valores no porto ficaram em R$ 142,00 por saca, enquanto no interior as referências variaram entre R$ 132,14 em Cruz Alta, R$ 136,00 em Santa Rosa e R$ 121,00 em Panambi — este último sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador.
Em Santa Catarina, o plantio da soja foi finalizado, mas as chuvas e granizos de novembro ainda preocupam os produtores. O porto de São Francisco do Sul apresentou alta de 0,31%, com a saca cotada a R$ 142,63, enquanto o restante do estado manteve estabilidade diante do foco na logística.
Paraná mantém base firme com apoio da demanda por proteína animal
No Paraná, a demanda da indústria de proteína animal tem garantido sustentação aos preços, mas o mercado físico opera com cautela e ajustes nos prêmios. Em Paranaguá, a soja foi negociada a R$ 141,82 (-0,17%), enquanto em Cascavel e Maringá, os preços ficaram em R$ 131,65 e R$ 130,95, respectivamente. Em Ponta Grossa, o valor chegou a R$ 133,22 por saca FOB, e em Pato Branco, R$ 142,19. No balcão de Ponta Grossa, os preços recuaram para R$ 120,00 por saca.
Mato Grosso do Sul amplia área de grãos, mas sofre com estresse hídrico
No Mato Grosso do Sul, os produtores ampliaram a área de plantio, porém enfrentam queda na produtividade devido à falta de chuvas. A principal estratégia tem sido armazenar o grão e evitar vendas diante da incerteza e dos custos elevados. Em Dourados, Eldorado e Campo Grande, o preço ficou em R$ 126,82 por saca, enquanto Chapadão do Sul registrou R$ 123,24 e Sidrolândia, R$ 126,82.
Mato Grosso adota postura defensiva e aposta no armazenamento
No Mato Grosso, a pressão logística e a proximidade da colheita têm levado os produtores a segurar a soja nos armazéns para evitar negócios com preços considerados baixos. As cotações permanecem estáveis: Campo Verde e Rondonópolis a R$ 122,68, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso a R$ 118,72, e Primavera do Leste também a R$ 122,68 por saca.
Soja recua em Chicago e acumula perdas na semana
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja recuaram nesta sexta-feira (12), acumulando queda semanal de 20 centavos por bushel. Por volta das 7h25 (horário de Brasília), o contrato janeiro era cotado a US$ 10,86 e o maio a US$ 11,05 por bushel.
O mercado segue atento à demanda chinesa, que ainda apresenta ritmo moderado. Dos 12 milhões de toneladas que devem ser adquiridos pela China até o fim do ano, metade já foi comprada, mas o restante ainda depende do comportamento das importações nas próximas semanas.
Além disso, os traders monitoram fatores como o clima favorável na América do Sul, o dólar valorizado e o andamento das exportações norte-americanas.
Vendas para a China impulsionam leves altas técnicas na CBOT
Na quarta-feira (10), os contratos da soja fecharam em leve alta, impulsionados pelo anúncio de novas vendas de soja dos EUA à China e a destinos não revelados, provavelmente também chineses. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), foram vendidas 264 mil toneladas à China e 226 mil toneladas a outros destinos para entrega na temporada 2025/26.
A estatal chinesa Sinograin também vendeu 397 mil toneladas de soja importada, o equivalente a 77,5% do volume ofertado em leilão, marcando a primeira venda do tipo em três meses após a trégua comercial com Washington.
Produção brasileira deve crescer 3,3% na safra 2025/26
De acordo com o 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de soja deverá atingir 177,12 milhões de toneladas na safra 2025/26, um aumento de 3,3% em relação à temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.
Na CBOT, o contrato janeiro fechou em alta de 0,20%, a US$ 10,93½ por bushel, enquanto o março subiu 0,15%, cotado a US$ 11,02¾ por bushel. No farelo, a posição janeiro encerrou com alta de 0,29%, a US$ 302,10 por tonelada, e o óleo de soja recuou 0,52%, a 50,82 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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