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Mercado de Feijão Passa por Virada Estrutural em Fevereiro

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Fevereiro consolidou uma mudança estrutural no mercado do feijão, segundo análise do consultor e analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira. O mês foi caracterizado por preços em alta, poucas negociações e forte controle por parte dos produtores, refletindo um cenário de oferta limitada e valorização do produto.

Feijão Carioca: Alta de Preços e Escassez de Oferta

De acordo com Oliveira, o mercado de feijão carioca apresentou liquidez reduzida e comportamento típico de escassez real. “A ausência de negócios nas bolsas e a logística reversa de cargas não sinalizaram fraqueza, mas sim a recusa dos produtores em aceitar preços mais baixos”, destacou o analista.

A oferta ficou concentrada em produtores capitalizados, com vendas fracionadas e seletivas. Grande parte do volume colhido seguiu direto das lavouras para o empacotamento, sem formação de estoques intermediários. O padrão de alta qualidade (nota 9+/peneira 12) tornou-se o principal gargalo do mercado, ampliando a diferença de preços entre os diferentes tipos de grão.

Os preços se consolidaram acima de R$ 350 por saca no interior paulista, com registros pontuais de até R$ 360/sc no final do mês — o maior valor em quase dois anos. Em Goiás e Minas Gerais, o feijão foi negociado entre R$ 325 e R$ 345/sc, enquanto o Noroeste mineiro registrou esgotamento antecipado da oferta, elevando inclusive os preços dos padrões intermediários.

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O consultor destaca ainda que fevereiro marcou o início de uma resistência do consumo, indicando que o mercado se aproxima de um ponto de equilíbrio entre preço e demanda.

Feijão Preto Ganha Relevância com o Efeito Substituição

Enquanto o carioca manteve protagonismo, o feijão preto apresentou comportamento mais estável, mas com papel estratégico crescente. Segundo Oliveira, o mês consolidou faixas de preços claras: entre R$ 180 e R$ 200/sc FOB Paraná para o grão recém-colhido e R$ 160 a R$ 170/sc para o padrão comercial.

Mesmo com menor volatilidade, houve aumento no ritmo de negócios e maior circulação de amostras no mercado. A principal mudança, segundo o analista, foi o reposicionamento do feijão preto como alternativa ao carioca, diante da diferença expressiva de preços — que variou entre R$ 100 e R$ 150/sc.

Esse movimento ativou um efeito de substituição, com a variedade preta ganhando espaço nas indústrias de cestas básicas e entre consumidores mais sensíveis a preço.

Oferta Limitada e Clima em Alerta

No lado da produção, fevereiro trouxe sinais de atenção. O Paraná entrou em entressafra com redução de área na segunda safra 2025/26, enquanto o Rio Grande do Sul enfrentou perdas por estresse hídrico, o que comprometeu parte do potencial produtivo para os próximos meses.

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De acordo com Oliveira, o equilíbrio atual do mercado é funcional, mas frágil, dependendo diretamente do comportamento do varejo e da resposta do consumidor frente aos novos patamares de preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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