AGRONEGÓCIO
Mercado de frango segue pressionado por alta oferta, mas exportações e queda do milho aliviam cenário
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Cotações do frango ficam estáveis com tendência de recuo
O mercado de carne de frango no Brasil encerrou a semana com preços entre estáveis e mais baixos, tanto no atacado quanto no mercado vivo. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o ambiente de negócios ainda sinaliza possibilidade de novas quedas nas cotações no curto prazo, reflexo da grande disponibilidade de produto no mercado interno.
Segundo Iglesias, as quedas mais expressivas foram registradas nas regiões Sul e Nordeste. “A boa notícia é que os preços do milho têm recuado, o que contribui para reduzir os custos de nutrição animal”, destacou o analista.
Demanda interna perde força, mas consumo segue sustentado por preço acessível
No segmento de frango abatido, os preços voltaram a apresentar quedas pontuais. O cenário de negócios indica possíveis recuos adicionais ao longo da segunda quinzena de janeiro, período tradicionalmente marcado por menor consumo.
Apesar disso, a preferência do consumidor brasileiro por proteínas de menor custo ainda garante uma demanda consistente pela carne de frango. Iglesias ressalta que esse comportamento segue como um “trunfo importante” para o setor, especialmente diante da atual conjuntura econômica.
Exportações aquecidas devem bater novo recorde
A expectativa para 2026 é de exportações recordes de carne de frango, com potencial para superar a marca de 5,5 milhões de toneladas, conforme projeções da Safras & Mercado.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em janeiro (até o dia 10, com seis dias úteis contabilizados), as exportações de carne de aves e miudezas comestíveis — frescas, refrigeradas ou congeladas — somaram US$ 327,76 milhões, com média diária de US$ 54,63 milhões. O volume exportado chegou a 181,05 mil toneladas, o equivalente a uma média diária de 30,17 mil toneladas.
O preço médio por tonelada ficou em US$ 1.810,40, com alta de 59,6% no valor médio diário e crescimento de 59,9% na quantidade embarcada em relação a janeiro de 2025, embora com ligeira queda de 0,2% no preço médio.
Preços internos registram poucas alterações
O levantamento semanal da Safras & Mercado mostra estabilidade na maioria dos preços praticados no atacado e na distribuição de São Paulo.
Nos cortes congelados, o peito manteve o preço de R$ 10,75/kg, enquanto a coxa recuou de R$ 7,60 para R$ 7,00/kg e a asa permaneceu em R$ 11,00/kg. Na distribuição, o peito seguiu em R$ 11,00/kg, a coxa caiu de R$ 7,80 para R$ 7,20/kg, e a asa manteve-se em R$ 11,20/kg.
Nos cortes resfriados, as variações também foram discretas: o peito ficou em R$ 10,85/kg, a coxa recuou de R$ 7,70 para R$ 7,10/kg, e a asa manteve o preço de R$ 11,10/kg. Na distribuição, o peito seguiu em R$ 11,10/kg, a coxa caiu de R$ 7,90 para R$ 7,30/kg, e a asa permaneceu em R$ 11,30/kg.
Cenário regional: estabilidade e pequenas quedas
No mercado do frango vivo, as cotações apresentaram estabilidade na maioria das praças.
- Minas Gerais: R$ 5,10/kg
- São Paulo: R$ 5,20/kg
- Mato Grosso do Sul: R$ 5,20/kg
- Goiás e Distrito Federal: R$ 5,05/kg
Na integração catarinense, o preço permaneceu em R$ 4,65/kg, enquanto no Oeste do Paraná houve recuo de R$ 5,00 para R$ 4,60/kg. No Rio Grande do Sul, a cotação seguiu em R$ 4,65/kg.
No Nordeste, o movimento foi de leve retração: em Pernambuco, o preço caiu de R$ 6,00 para R$ 5,80/kg; no Ceará, de R$ 6,20 para R$ 6,00/kg; e no Pará, de R$ 6,50 para R$ 6,30/kg.
Perspectivas: custos em queda e foco no mercado externo
Com o recuo nos preços do milho — principal insumo da ração — e o forte desempenho das exportações, o setor avícola deve encontrar alívio parcial nas margens de produção.
Mesmo com um início de ano marcado por pressão sobre os preços internos, o mercado internacional aquecido e a competitividade da carne de frango brasileira mantêm boas perspectivas para o setor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades
A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.
Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.
O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.
São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.
No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.
A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.
Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.
A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.
Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.
O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.
A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.
Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.
A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.
A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.
O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.
Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.
Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.
Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.
Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.
Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.
A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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