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Mercado de orgânicos no Brasil tem amplo potencial de crescimento e pode ampliar participação global

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A agricultura orgânica segue ganhando espaço no cenário global e se consolida como um dos segmentos mais promissores do agronegócio mundial. No Brasil, apesar do crescimento do consumo e do aumento do número de produtores certificados, especialistas apontam que o país ainda opera abaixo do seu potencial produtivo e comercial, abrindo oportunidades para expansão tanto no mercado interno quanto nas exportações.

O tema foi debatido durante evento promovido pela Rede de Socioeconomia da Agricultura (RSA), coordenada pela Embrapa, que reuniu pesquisadores e especialistas para analisar o avanço da produção orgânica, as tendências globais de consumo e os desafios para ampliar a competitividade brasileira no setor.

Mercado global movimenta mais de 145 bilhões de euros

O crescimento da agricultura orgânica tem sido impulsionado principalmente pela busca dos consumidores por alimentos associados à saúde, sustentabilidade ambiental, bem-estar animal e sistemas produtivos de menor impacto ambiental.

Atualmente, a produção orgânica está presente em mais de 180 países, ocupando cerca de 99 milhões de hectares e envolvendo aproximadamente 4,8 milhões de produtores. O mercado mundial de alimentos e bebidas orgânicos movimenta cerca de 145 bilhões de euros por ano, consolidando-se como um dos segmentos mais dinâmicos da cadeia agroalimentar.

Os Estados Unidos lideram o consumo mundial, seguidos por países como Alemanha e China. Na Europa, Dinamarca, Suíça, França, Espanha e Itália apresentam elevados índices de participação dos produtos orgânicos no mercado de alimentos.

A Suíça lidera o consumo per capita global, enquanto a Dinamarca se destaca pela elevada participação dos orgânicos no varejo alimentar, onde aproximadamente 12% dos alimentos comercializados possuem certificação orgânica.

Brasil ainda consome pouco, mas demanda cresce

Apesar da expansão observada nos últimos anos, o consumo de alimentos orgânicos no Brasil ainda permanece distante dos níveis registrados em países desenvolvidos.

Levantamentos apresentados durante o debate mostram que o consumo médio brasileiro gira em torno de US$ 17 por habitante ao ano, enquanto em diversas nações europeias esse valor ultrapassa US$ 400 anuais.

O principal obstáculo continua sendo o preço dos produtos. Pesquisa realizada em 2025 revelou que mais da metade dos consumidores brasileiros que não compram orgânicos apontam o custo elevado como principal barreira de acesso.

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Ainda assim, o interesse vem crescendo. Dados recentes indicam que cerca de 36% dos brasileiros consumiram produtos orgânicos nos últimos anos, demonstrando avanço gradual da demanda por alimentos produzidos de forma sustentável.

Produção orgânica cresce, mas ainda representa pequena parcela da agricultura nacional

O Brasil possui atualmente mais de 25 mil unidades produtivas cadastradas no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO). As regiões Sul e Nordeste concentram aproximadamente 70% dessas unidades.

O Paraná lidera o ranking nacional de produtores orgânicos, seguido por Rio Grande do Sul, Pará, Bahia, São Paulo, Ceará, Santa Catarina, Piauí, Minas Gerais e Maranhão.

Segundo especialistas, a distribuição regional da produção evidencia a importância de fortalecer políticas voltadas à certificação, assistência técnica, logística e acesso aos mercados consumidores.

Em termos de área cultivada, o Brasil possui cerca de 1,3 milhão de hectares destinados à agricultura orgânica, o equivalente a aproximadamente 0,5% da área agricultável nacional. Outros 1,7 milhão de hectares certificados são utilizados em atividades como apicultura, extrativismo e produção de castanhas, açaí, palmito e plantas medicinais.

Mesmo figurando entre os maiores produtores agrícolas do planeta, a participação da agricultura orgânica ainda é considerada reduzida quando comparada ao potencial produtivo do país.

América Latina amplia protagonismo nas exportações

O crescimento do comércio internacional de orgânicos também vem criando oportunidades para países produtores da América Latina.

Em 2024, as importações combinadas de produtos orgânicos pela União Europeia e pelos Estados Unidos alcançaram cerca de 5,9 milhões de toneladas. A América Latina respondeu por mais da metade desse volume, consolidando-se como uma das principais fornecedoras globais.

Esse cenário fortalece as perspectivas para o Brasil ampliar sua presença nos mercados internacionais, especialmente em cadeias de maior valor agregado e produtos diferenciados.

No entanto, especialistas destacam que a ampliação da participação brasileira depende da superação de desafios históricos relacionados à certificação, harmonização de normas internacionais, custos de produção, logística e acesso aos mercados consumidores.

Dinamarca mostra caminho para expansão dos orgânicos

Um dos destaques do debate foi a comparação entre os sistemas agroalimentares orgânicos do Brasil e da Dinamarca, considerada referência mundial no setor.

Ao longo de mais de quatro décadas, o país europeu construiu uma estrutura baseada na integração entre governo, produtores, varejo e consumidores. A combinação de incentivos à conversão de áreas, assistência técnica, campanhas de conscientização e compras públicas permitiu consolidar um ambiente favorável ao crescimento do setor.

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A Dinamarca conta atualmente com cerca de 303 mil hectares destinados à produção orgânica e registra um dos maiores consumos per capita do mundo, superando 360 euros por habitante ao ano.

No Brasil, embora existam avanços importantes, o setor ainda enfrenta limitações como acesso restrito ao crédito, baixa escala produtiva, assistência técnica insuficiente e ausência de um sistema nacional robusto de monitoramento da produção.

Políticas públicas e assistência técnica serão decisivas

Entre as estratégias apontadas pelos especialistas para acelerar o crescimento da agricultura orgânica brasileira estão o fortalecimento da assistência técnica, ampliação do acesso ao crédito, incentivo às compras públicas, expansão da certificação e fortalecimento das organizações de agricultores familiares.

Também foram destacadas a necessidade de ampliar indicadores técnicos da produção orgânica, estimular a inovação e integrar políticas públicas voltadas à sustentabilidade, pesquisa, financiamento e extensão rural.

Para os pesquisadores participantes do debate, a agricultura orgânica deixou de ser um nicho de mercado e passou a integrar uma cadeia globalizada, conectando produtores, consumidores e mercados em diferentes regiões do mundo.

Perspectivas são positivas para os próximos anos

As análises apresentadas indicam que o mercado de orgânicos continuará crescendo tanto no Brasil quanto no exterior, impulsionado pela busca por alimentos mais saudáveis e pela adoção de sistemas produtivos sustentáveis.

O país reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado, graças à diversidade produtiva, à presença da agricultura familiar e ao aumento da demanda por produtos diferenciados.

No entanto, a transformação desse potencial em crescimento efetivo dependerá da ampliação do acesso aos produtos, do fortalecimento da governança da cadeia produtiva e da implementação de políticas públicas capazes de aproximar produção, comercialização e consumo.

Com um mercado global em expansão e uma participação ainda abaixo da média internacional, o Brasil desponta como uma das principais fronteiras para o avanço da agricultura orgânica nas próximas décadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Maturidade digital no agronegócio será tema central do Conexion 2026 em São Paulo

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O agronegócio brasileiro entra em uma nova fase de transformação, em que tecnologia, dados, inteligência de mercado, canais digitais e reputação técnica passam a ter peso estratégico equivalente à escala produtiva e à eficiência operacional. Nesse contexto, o Conexion 2026 – Maturidade Digital no Agronegócio será realizado no dia 11 de junho de 2026, em São Paulo, reunindo executivos, lideranças empresariais, agtechs, consultorias e especialistas em inovação.

O encontro presencial acontece das 8h30 às 12h e propõe uma discussão aprofundada sobre como o setor pode avançar na transformação digital, indo além da adoção de ferramentas e evoluindo para o uso estratégico de tecnologia na geração de resultados concretos.

Agro entra em nova fase de competitividade baseada em dados e tecnologia

A proposta central do evento é debater o conceito de maturidade digital aplicada ao agronegócio. A visão parte do entendimento de que o setor já consolidou sua força produtiva, mas agora enfrenta o desafio de transformar tecnologia e dados em decisões mais eficientes, maior rentabilidade e crescimento sustentável.

Entre os temas abordados estão inteligência artificial, análise de dados, automação, marketing digital, plataformas de relacionamento, gestão comercial, segmentação de público, eficiência de margens e novas formas de conexão entre indústrias, distribuidores, produtores e consultorias.

Para os organizadores, a digitalização no agro já não se limita à presença online, mas à capacidade das empresas de integrar tecnologia, comunicação e gestão para aumentar competitividade em um ambiente cada vez mais orientado por dados.

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Lideranças do setor debatem transformação digital no agro

O Conexion 2026 reunirá nomes relevantes do ecossistema do agronegócio, tecnologia e comunicação. Entre os participantes estão representantes de empresas como IHARA Defensivos Agrícolas, ABMRA, Jacto, dgBees e VitaminaWeb, além de executivos e especialistas em marketing, gestão e inovação.

Segundo Rodrigo Neves, CEO e fundador da VitaminaWeb e um dos palestrantes do evento, o momento exige uma mudança de visão sobre o uso da tecnologia no setor.

“O debate sobre digitalização no agro precisa sair da camada superficial do ‘estar online’. A questão agora é como as empresas conseguem integrar tecnologia, dados, marketing e gestão para tomar melhores decisões, crescer com margem e construir relações de confiança em cadeias cada vez mais complexas”, afirma.

O presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), Ricardo Nicodemos, também destaca a importância do tema para o futuro do setor.

“O agro já demonstrou sua capacidade de incorporar inovação no campo. O próximo passo é ampliar essa evolução para a gestão, o marketing, o relacionamento e a inteligência de mercado”, avalia.

Programação aborda marketing, inteligência de mercado e gestão no agro

A programação do evento contará com sete momentos, incluindo palestras, painel de debate, abertura, intervalo para networking e uma conversa de encerramento com os principais insights do encontro.

Entre os destaques estão apresentações como “O novo mercado digital do agro”, com Rodrigo Neves, e “Marketing no agro: da comunicação de produto à inteligência de mercado”, com Julio Cargnino, diretor-presidente do Canal Rural e vice-presidente da ABMRA.

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Outro painel discutirá a interseção entre marca, dados e canais digitais na geração de vantagem competitiva, com participação de executivos de IHARA, Jacto e Canal Rural.

Também está prevista a palestra “O agro cresceu. Sua gestão cresceu junto?”, conduzida pelo consultor Mauricio Nakamura, com foco na evolução da gestão e da maturidade organizacional no setor.

Marketing no agro assume papel estratégico na geração de inteligência de negócios

O evento também deve reforçar uma tendência já observada no setor: a evolução do marketing rural, que deixa de atuar apenas na comunicação de produtos e passa a integrar estratégias de inteligência de mercado e geração de demanda qualificada.

Em um ambiente influenciado por variáveis como clima, crédito, custos de produção e comportamento de compra, a capacidade de analisar dados, segmentar públicos e fortalecer a reputação técnica se torna um diferencial competitivo relevante para empresas do agronegócio.

Transformação digital passa a ser fator de competitividade no agro

A proposta do Conexion 2026 é oferecer uma visão prática e executiva sobre como empresas do agronegócio podem avançar em sua jornada digital, transformando tecnologia em ferramenta de gestão e crescimento.

Ao conectar inovação, marketing e inteligência de dados, o evento reforça a ideia de que a maturidade digital já não é apenas uma tendência, mas um fator determinante para competitividade, eficiência e sustentabilidade no agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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