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Mercado de trigo entra em fase decisiva e exige cautela dos produtores diante da volatilidade global

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O mercado internacional de trigo inicia as próximas semanas em um ambiente de elevada volatilidade, exigindo maior cautela de produtores, cooperativas, cerealistas e moinhos. A combinação entre incertezas sobre a produção no Hemisfério Norte, possíveis revisões nos estoques dos Estados Unidos e a divulgação do próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tende a aumentar as oscilações das cotações e influenciar diretamente as estratégias comerciais.

De acordo com análise da TF Agroeconômica, o suporte técnico da Bolsa de Chicago, próximo de 605 cents por bushel, será um dos principais indicadores para o comportamento do mercado. Enquanto esse patamar for preservado, especialistas recomendam que os agricultores evitem negociações expressivas da produção.

Produtores devem priorizar vendas escalonadas

A orientação para os triticultores é manter uma postura conservadora e aguardar melhores oportunidades de mercado. Caso as cotações voltem ao intervalo entre 660 e 675 cents por bushel, a recomendação é realizar vendas de forma escalonada, reduzindo os riscos provocados pela volatilidade internacional.

Outro fator decisivo será a divulgação do relatório mensal do USDA, prevista para 10 de julho, que poderá trazer uma revisão dos estoques finais norte-americanos. Caso os números confirmem redução na oferta, o mercado poderá reagir com novas altas, abrindo oportunidades para comercialização.

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Cooperativas devem reforçar estratégias de hedge

Para as cooperativas, o momento exige ampliação das operações de proteção de preços (hedge), principalmente para resguardar compras futuras diante das incertezas do mercado internacional.

Especialistas também recomendam aproveitar eventuais recuperações da Bolsa de Chicago para estruturar contratos a termo, além de acompanhar de perto o desempenho das exportações e as condições climáticas na América do Norte, fatores considerados determinantes para a formação dos preços nas próximas semanas.

Cerealistas e moinhos devem evitar exposição excessiva

As recomendações também se estendem aos demais agentes da cadeia produtiva.

Para os cerealistas, a estratégia indicada é manter estoques equilibrados e evitar compras excessivas antes da divulgação do relatório do USDA, reduzindo a exposição às oscilações de preços.

Já os moinhos encontram oportunidades para ampliar parcialmente sua cobertura quando houver momentos de queda nas cotações internacionais. No entanto, a orientação é não concentrar aquisições, uma vez que a demanda por farinha segue moderada e ainda existem dúvidas sobre o potencial produtivo da safra norte-americana e da produção brasileira.

Oferta mundial ainda gera incertezas

O cenário global reúne fatores que podem sustentar novas valorizações do trigo. Entre eles estão a redução da área cultivada nos Estados Unidos e no Canadá, estoques trimestrais abaixo das expectativas do mercado e a possibilidade de aumento das compras internacionais por países importadores.

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Por outro lado, alguns elementos limitam movimentos mais intensos de alta. A melhora das condições climáticas em importantes regiões produtoras, a diminuição das áreas afetadas pela seca, o ritmo ainda fraco das exportações e o avanço da colheita no Hemisfério Norte contribuem para ampliar a oferta disponível e reduzir parte da pressão altista.

Mercado brasileiro deve permanecer estável

No Brasil, a expectativa permanece de um mercado relativamente estável, porém com viés moderadamente positivo para os preços, acompanhando os movimentos das bolsas internacionais e a evolução da safra nacional.

Diante desse ambiente de incertezas, especialistas reforçam que decisões comerciais devem ser tomadas com planejamento e gestão de risco, evitando tanto vendas precipitadas quanto formação excessiva de estoques, enquanto o mercado aguarda definições sobre a oferta mundial de trigo e os próximos indicadores oficiais do USDA.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

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As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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