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Mercado de Trigo Segue em Ritmo Lento com Oferta Restrita e Demanda Cautelosa em Fevereiro

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O mercado brasileiro de trigo atravessou o mês de fevereiro em compasso de espera, com negociações lentas e postura defensiva tanto de produtores quanto de compradores. A combinação entre oferta limitada e demanda retraída manteve os preços estáveis e o ritmo de comercialização abaixo do normal.

Oferta restrita e consumo fraco freiam negociações

De acordo com o analista e consultor Elcio Bento, da Safras & Mercado, o mês foi marcado por um cenário de equilíbrio delicado entre oferta e demanda. Segundo ele, os moinhos permaneceram relativamente bem abastecidos e optaram por realizar apenas compras pontuais, aproveitando oportunidades quando produtores precisavam liberar espaço nos armazéns para a entrada das safras de verão — milho e soja.

“Os moinhos compraram apenas o necessário, já que o consumo de farinha segue enfraquecido, o que dificulta o repasse dos custos e reduz o ímpeto de compra”, explicou Bento.

O analista destacou ainda que os produtores mantiveram o trigo estocado à espera de preços mais atrativos na entressafra, enquanto a indústria adotou postura conservadora diante do baixo dinamismo da demanda doméstica.

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Comportamento regional: Paraná e Rio Grande do Sul em direções opostas

O comportamento do mercado variou entre os principais estados produtores.

No Paraná, o cenário foi de seletividade nas compras, com o Norte do estado registrando maior movimentação devido à oferta local limitada. Já no Rio Grande do Sul, o excedente de oferta foi gradualmente absorvido pelas exportações, que mantiveram ritmo forte ao longo da primeira metade de fevereiro.

“O mercado operou de forma desalinhada, com produtores segurando o cereal na expectativa de preços melhores e compradores sem urgência em fechar novos contratos”, observou Bento.

Exportações sustentam parte do escoamento

Mesmo com o ritmo interno mais lento, as exportações de trigo continuam sendo um importante fator de equilíbrio para o setor. Dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indicam que o Brasil deve embarcar 371,67 mil toneladas de trigo em fevereiro, volume inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado (559,70 mil toneladas), mas ainda superior ao desempenho de janeiro (279,69 mil toneladas).

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Na semana encerrada em 21 de fevereiro, os embarques somaram 146,22 mil toneladas, enquanto para a última semana do mês são previstas mais 145 mil toneladas. O bom desempenho das vendas externas tem ajudado a reduzir o excedente disponível no mercado doméstico e a sustentar a movimentação nos portos.

Perspectivas para março: estabilidade e foco na entressafra

Com moinhos ainda abastecidos e consumo doméstico sem reação significativa, o mercado de trigo deve seguir operando de forma lenta no início de março. Analistas avaliam que o comportamento dos produtores — que continuam segurando o produto à espera de preços melhores — e o ritmo das exportações serão determinantes para definir a direção das cotações nas próximas semanas.

A expectativa é de que a entressafra traga maior equilíbrio entre oferta e demanda, podendo oferecer algum suporte adicional aos preços no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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