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Mercado do café oscila entre tensões geopolíticas, queda nas exportações brasileiras e ajustes nas bolsas internacionais

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O mercado internacional de café segue marcado por forte volatilidade neste início de março, refletindo uma combinação de fatores geopolíticos, ajustes técnicos nas bolsas e mudanças no fluxo de exportações brasileiras. Após registrar quedas ao longo de fevereiro diante das expectativas de uma safra global recorde em 2026/27, as cotações voltaram a subir no início do mês impulsionadas por tensões no Oriente Médio e incertezas logísticas no comércio mundial.

Apesar da recente recuperação, o pregão desta quarta-feira (11) começou com novas quedas nas bolsas internacionais, em meio a um ambiente de maior cautela entre investidores e operadores.

Tensões geopolíticas elevam preços do café no início de março

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que o cenário geopolítico internacional tem influenciado diretamente o comportamento do mercado cafeeiro.

Depois de um período de queda em fevereiro, quando as expectativas de produção global elevada pressionaram os preços, as cotações voltaram a subir no início de março. O movimento foi impulsionado principalmente pelas tensões no Oriente Médio e pelas preocupações com possíveis impactos nas rotas de comércio internacional.

Entre os principais pontos de atenção está a situação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Eventuais restrições ou bloqueios na região podem afetar o fluxo global de mercadorias, elevar custos logísticos e gerar incertezas no abastecimento internacional.

Pesquisadores do Cepea destacam que, caso ocorram dificuldades logísticas mais severas, o café produzido na Ásia pode enfrentar obstáculos para chegar aos mercados consumidores do Ocidente. Esse cenário tende a dar sustentação às cotações do café arábica negociado na bolsa de Nova York e, consequentemente, aos preços praticados no Brasil.

Outro fator que contribuiu para a sustentação das cotações internas foi a valorização do dólar frente ao real, movimento que favorece a competitividade das exportações brasileiras.

Café inicia quarta-feira com queda nas bolsas internacionais

Mesmo com o suporte geopolítico observado nas últimas semanas, o mercado iniciou a sessão desta quarta-feira (11) em baixa nas principais bolsas internacionais.

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Na ICE Futures US, em Nova York, referência global para o café arábica, os contratos mais negociados registravam queda nas primeiras movimentações do pregão:

  • Maio/2026: 288,10 cents por libra-peso, com recuo de 7,70 pontos
  • Julho/2026: 282,75 cents por libra-peso, queda de 7,35 pontos

No mercado do café robusta, negociado na ICE Europe, em Londres, o movimento também foi negativo:

  • Maio/2026: US$ 3.619 por tonelada, baixa de US$ 73
  • Julho/2026: US$ 3.526 por tonelada, recuo de US$ 70

O desempenho desta manhã ocorre após um fechamento já pressionado na sessão anterior. Na terça-feira (10), o contrato maio do arábica encerrou cotado a US$ 2,9580 por libra-peso, enquanto o robusta para o mesmo vencimento terminou o dia a US$ 3.692 por tonelada.

Ajustes técnicos e aversão ao risco influenciam investidores

Analistas apontam que parte da pressão recente nas cotações está associada a fatores técnicos, como liquidação de posições após períodos de valorização.

Nas últimas semanas, o mercado havia reagido a preocupações relacionadas à oferta global e aos possíveis impactos logísticos decorrentes do conflito no Oriente Médio. No entanto, a queda acentuada do petróleo e a desvalorização observada em outros mercados financeiros reforçaram o ambiente de aversão ao risco entre investidores.

Esse cenário costuma levar fundos e especuladores a reduzir exposição em commodities, pressionando as cotações no curto prazo.

Exportações brasileiras menores entram no radar do mercado

Outro ponto monitorado de perto pelo mercado internacional é o comportamento das exportações brasileiras.

Dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que os embarques de café verde do país recuaram aproximadamente 27% em fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado.

A redução está associada principalmente à menor disponibilidade de produto no período e a ajustes no fluxo logístico dos embarques.

Como o Brasil segue como o maior produtor e exportador mundial de café, alterações no ritmo de embarques podem impactar a percepção de oferta global e influenciar diretamente as cotações nas bolsas internacionais.

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Mercado físico brasileiro segue com negócios pontuais

No mercado físico nacional, as negociações continuam ocorrendo de forma mais moderada.

Segundo análises do Cepea, a recente valorização do café arábica permitiu a realização de alguns negócios no mercado spot brasileiro. Entretanto, os fechamentos têm ocorrido com volumes reduzidos.

Produtores demonstram menor interesse em negociar os volumes restantes da safra 2025/26 nos níveis atuais de preços, enquanto compradores permanecem cautelosos diante da volatilidade registrada nas bolsas internacionais.

Clima nas regiões produtoras também é monitorado

As condições climáticas nas principais áreas produtoras de café do Brasil continuam no radar dos agentes do mercado.

Previsões indicam continuidade das chuvas em regiões cafeeiras de Minas Gerais ao longo da semana. Esse cenário contribui para manter a umidade do solo nas lavouras, condição considerada importante para o desenvolvimento das plantas e para o potencial produtivo das próximas safras.

Política monetária e câmbio seguem influenciando o setor

No cenário macroeconômico, o mercado também acompanha as sinalizações do Banco Central do Brasil em relação à política monetária.

A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 10,75% ao ano, conforme decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom). O comportamento dos juros e do câmbio segue sendo relevante para o setor cafeeiro, já que influencia o custo do crédito rural, a competitividade das exportações e a formação de preços no mercado interno.

Mercado do café segue sensível a fatores globais e domésticos

O mercado global de café continua sendo impactado por uma combinação de fatores internos e externos. Entre os principais pontos monitorados pelos agentes estão:

  • tensões geopolíticas e riscos logísticos no comércio internacional
  • oscilações cambiais
  • comportamento das bolsas de commodities
  • ritmo das exportações brasileiras
  • condições climáticas nas regiões produtoras

A interação desses fatores deve continuar determinando o comportamento das cotações nas próximas semanas, mantendo o mercado atento às mudanças no cenário global e doméstico.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio

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A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.

A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.

O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.

É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.

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O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.

O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.

Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.

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Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.

O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.

A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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